sexta-feira, 22 de novembro de 2019




(E no final acontece o verdadeiro renascer da paixão...)

É então que a guerra se assemelha verdadeiramente como uma partida de xadrez. Quando, após um dos adversários perde e do alto de qualquer colina, da qual descortina todo o terreno do combate, todo o tabuleiro, avançar ou recuar habilmente seus belos regimentos.
"Xeque-mate" grita-se, e o perdedor recolhe o seu jogo, e os peões voltam à caixa ou os regimentos de hierarquias aos seus quartéis de madeira invernal. Depois cada um vai ocupar-se de seus pequenos mistérios esperando a partida ou a luta seguinte. Cada vez que o elemento jogo aparece na guerra, pode-se deduzir que a sociedade e sua cultura fazem um esforço para recriar o mito da paixão, ou seja, para resistir ao poder e aos  meios de expressão rituais. Recusar que as catástrofes sejam belas. Sem dúvida, a guerra e a paixão permanecem como males inevitáveis, além de secretamente desejados. Mas a grandeza do homem está em delimitar seus campos, em canalizá-las, utilizá-las ou mesmo subordiná-las a uma diplomacia de arte de civis. Numa, guerra total, aniquilar toda a possibilidade da paixão, a política nada mais faz que transportar as paixões individuais ao nível do ser coletivo.
Tudo o que a paixão faz, é negar aos indivíduos isolados, ela transfere-se para a paixão personificada. É a paixão que tem paixões. É ela (ou ele), que assume a dialética do obstáculo exaltante, da ascensão e da corrida, ao inconsciente para a morte heróica, a divina comédia. Noção correcta e simples das leis da guerra, espiritualizando a matéria, negligenciando o sentido natural das coisas e a influência do coração humano sobre as resoluções dos homens, em que o espiritualizar é talvez excessivo tratava-se apenas de racionalizar. Mas o termo de guerra e paixão, é esse desencadeamento dos instintos coletivos e das medidas catastróficas. Ora, aí estava o triunfo de uma civilização cujo maior esforço consiste em subordinar a Natureza, a matéria e suas fatalidades às leis da vida. Enquanto no interior e na verdade se evocam os problemas pessoais, no exterior e no alto o potencial de paixão morre no dia a dia. Esse eufemismo triunfa na moral que dá aos cidadãos, e esse eufemismo é a negação do racional, de toda espécie de aventura pessoal. Mas isso só pode aumentar a tensão do conjunto, personificado na paixão, como alguém disse:

"Procriai!"

Esse um alguém, que significava a verdadeira negação da paixão, também disse aos povos vizinhos:

"Somos demasiado numerosos para o espaço que temos, exijo portanto novas terras!

Assim acontece com muitos. Em amargos
dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem para deles se furtarem, deles se libertarem e deles se vingarem subjuga-os com um laço ainda mais forte.
seu aspecto diurno, seu reflexo moral em nossa vida de criaturas finitas. Falta o aspecto noturno, o florescimento na vida infinita da noite. Falta o que poderíamos chamar, simetricamente, "essa alegria majestosa que constitui toda a dor de uma guerra. Porque para atingi-la ou somente pressenti-la foi preciso chegar até morte da paixão. O pudor tão enaltecido, não pode existir, diga-se o que se quiser, sem um empobrecimento metafísico, um gerador de confusões incalculáveis. Enfim, essa paixão, por mais majestosa que a consideremos, fechada em si mesma, sem transcendência nem transposição na alegria, não se aceita tal como é no mundo, e mesmo assim é qualificada como prazer, nada mais é, que uma ilusão. Em angústia, somos levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, o somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Onde acaba a guerra. E no final  acontece o verdadeiro renascer da paixão!

(André...)


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