domingo, 24 de novembro de 2019




(Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa...)

Ser poderoso de instinto animal, sabe-se que é sábio em rejeitar algo que corresponde, é a pura e verdadeira sabedoria. Poderemos chamar de sabedoria extrema o que se rejeita, mesmo sabendo que iria adorar. Concentrar no o seu pensamento, matéria, carne, contacto, sexualidade procriadora, enquanto um sentimento de adoração purificada pode se volver para um Deus-Espírito. Ao mesmo tempo, o amor pela vida acha-se parcialmente esquecido finalmente pode confessar-se sob a forma de um culto prestado ao arquétipo divino da mulher, desde que esta Deusa-Mãe deixe de ser virginal, desde que ela escape, porta da proibição mantida contra a mulher de carne. A união mística com essa divindade feminina significa então participar da força de um Deus luminoso. Como uma balança na mão, o peso por observar o silêncio, não o torna mais sábio. Poderemos até aceitar só o desejo, mas ainda não faz de nós sábios verdadeiramente. O que se consegue compreender, em ambos os lados omissos, o mal também faz parte, esse sábio instinto, aquele no qual todos os grandes defeitos foram  desenvolvidos. Só posso afirmar que esse é verdadeiramente sabedor do seu caminho. Aquele que consegue deitar os ódios fora, totalmente destruídos, desenraizados e extintos. Caminhar com máxima compreensão e despreocupação neste mundo. E só porque superou todos os caminhos que o poderiam levar ao caos. Como pode aquele que está cheio de desejo, ser sábio em não se render ao instinto. Ou tudo isso cai do céu, isto é, nasce de uma inspiração súbita e coletiva, mas ainda seria necessário explicar por que esses sentimentos foram produzidos, nesses momentos e nesses lugares bem definidos. Ou então tudo resulta de uma causa precisa, mas nesse caso, trata-se de saber por quais razões ele, o desejo, permaneceu obscuro até nossos dias. Ao mesmo tempo imagens personificadas, alteradas, verificadas, por assim dizer, que traduzem uma alegria verdadeira. Que se alimenta aquele impulso do espírito que, aliás, faz nascer esta linguagem. Quando ela ultrapassa o instinto, quando se torna verdadeiramente amor. Ele tende ao 
mesmo tempo a si próprio, seja para justificar-se, exaltar-se ou simplesmente para entreter-nos.
O duplo sentido é insignificativo.
Mas ao mesmo tempo vivemos imersos numa atmosfera romântica proporcionada, pelos espetáculos e por mil referências quotidianas, cujo sentido subliminar é mais ou menos o seguinte: a paixão é a experiência suprema que todo homem deve um dia conhecer, e somente aqueles que passarem por ela poderão viver a vida em uma plenitude.
E aí, não creio que ninguém actualmente, e em tempos vindouros, esteja em condições de resolver, talvez teorizar, todos e alguns desejos. Os especialistas mais bem informados ainda hesitam em atribuir um determinado nome ao desejo animal, que além de ortodoxo é muito conhecido, apenas não o queremos ver, a origem de termo preciso do desejo, não é mais do que o instinto básico de todos os seres.
Será o amor um desejo?
Desejo total, é a Aspiração luminosa, o impulso original elevado à sua mais alta potência, à extrema exigência de pureza que é extrema exigência de Unidade. Mas a unidade última é a negação do ser atual em sua sofredora multiplicidade e sobrevivência. Assim, o impulso supremo do desejo conduz àquilo que é o não-desejo. A dialética de êxtase, introduz na vida algo totalmente desconhecidos, aos ritmos da atração sexual, um desejo que não decresce jamais, que nada mais pode satisfazer, que até mesmo desdenha e foge à tentação de se realizar em nosso mundo, porque só deseja abraçar o outro. É a superação infinita, a ascensão do químico que atravessa as células e canais cerebrais, para o seu prazer.
E esse movimento é sem retorno.
Mas convém atender, para o humano na linguagem erótica, parece sempre mais inocente do que pode parecer aos nossos olhos. Quer queiram quer não, somos nós os neuróticos, herdeiros do erotismo aburguesado de um anterior século em contagem crescente. Onde a penetração psicológica, e os movimentos da carne atraída pelo impulso místico no seu início, exagera e também dissimula a gravidade relativa de tais acidentes. Talvez as fórmulas de sublimação e de fantasia são simplesmente, ou recusar saber do que se fala. Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa.

(André...)

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