sexta-feira, 25 de outubro de 2019


(Aquela imagem, como uma miragem, uma visão reflecte-se no olhar...)

Pronto a arrancar, arrebatar, derruir, desfazer, desflorar, desfolhar, despedaçar, dissipar, dissolver, lacerar, prostrar, rasgar, rebentar, quebrar.

O homem é levado insensatamente,doido, doidamente, doidejar, endoidar...

E em várias ocasiões esta inevitável, quanto á inútil atitude humana, a reflectir sobre a sua sorte, a meditar no seu passado e a pensar no seu futuro...

Aquele cismar, cogitar, meditar, pensar, pensamento, colocam-se em pontos nevrálgicos.

Surge assim a saudade pelo tempo perdido, e uma inquietação por vezes obsessiva, e cheia de temor, pelo que nos espera...

Toda a gama de palavras que exprime uma profunda obsessão, medo, pavor e pavidamente, pesadelo, receio, terror.

Perante uma realidade sempre atormentada, é a procura no conforto na insensibilidade...

A fuga mais imediata está no sono, adormecer, dormir, dormitar e no sonho, sonhar, sonho, sonhador...

Porque só atenuando as nossas capacidades perceptivas, nos podemos defender das feridas do mundo...

Inútil a qualquer esforço de prisão, qualquer luta, porque sabemos que o homem está vencido à partida, equivale a uma rendição, deixar, cessar, fenecer, sumir, para poder no fim chegar, ao esquecimento.

Imagem de vida não desejada aqui como ausência de percepção,não ouvir, nem ver...

Apenas o sentir insistentemente no desejo que atinge todo o homem, depois de uma longa teoria de derrotas e desilusões...

E o único sonho verdadeiro que nos
restabelece da fadiga de viver, muitas vezes
abandona-se a condições de fraqueza.

Então como um espelho de água iluminado pelo sol, mostra que a realidade tem contornos instáveis e indecisos...

Na sua aparência moldável e irmpressível, na sua mutabilidade incessante, ela encerra um abismo pronto a engolir-nos, afogar, afundir, alagar, submergir, todos ligados ao amanhecer.

Até que um beijo atinge, pela via metafórica, a carne macia e palpitante da mulher...

Do fluir imparável do tempo, que conjuga-se com uma visão da realidade que não é menos flutuante, fugidia e indefinível...

Porque o é, num perpétuo movimento...

Aquela imagem, como uma miragem, uma visão reflecte-se no olhar.

(André...)



(Por um instante pensei em refugiar-me em Marte...)

Até penso tão pouco, como o comportamento de deuses e deusas indecifráveis, podem mudar o mundo. Mas logo compreendo que o refúgio não é uma solução credível.
Longe disso...Só quero simplesmente envelhecer, onde a Morte possa coroar o meu caminho, ao encontro de grandes círculos de fogo, e no crepúsculo desta alvorada, devo esta variação quase atroz, apenas a mim mesmo.
Posso dizer que conheço muito bem, o que muitos ignoram...A incerteza, a mentira, a humilhação, a solidão, e compreendo que eu próprio também sou uma aparência, e não receio meditar sobre esses privilégios anormais, e descobrir em todas as vezes, que a vida é um mero simulacro.
A verdade? A verdade é que não podemos ser mais um ser. Não podemos ser apenas uma projecção do sonho de outros. E apesar de ser mais um animal que percorre este mundo a procura de algo, vivemos num mundo vertiginoso onde a aparência é parte da realidade, onde os costumes estão saturados de acasos, e quiçá também, de alguma misteriosa monotonia.
Os nossos eruditos, parece que inventaram um método para corrigir os acasos e a monotonia. Uma abominável desordem nas nossas vidas, puramente tradicional, hereditária e camuflada, que nunca existiu, nem nunca existirá, onde nos é possível negar ou afirmar, a realidade desta vida tenebrosa, não é outra coisa senão um infinito jogo de acasos.
Agora, e mais que nunca, precisamos de um novo propósito, um novo caminho ou talvez seja a única solução.
Amor...
Arte e ...
Loucura.
Ou como disse Bukowsky:
"...o verdadeiro, seria a cúpula do belo e do bem, o lugar de todos os saberes...", ou não.
Por um instante pensei em refugiar-me em Marte.

(André...)

quinta-feira, 24 de outubro de 2019






(Inconscientes presentes estão os serviços de saúde...)

Na porta de entrada de um hospital,
existem todos os limites e possibilidades,
definidos pelos processos intersubjectivos...

Para o exercício da solidariedade,
para o desenvolvimento da cooperação,
e para a produção do cuidado com a vida...

Em contraposição existe a carência,
utilizada pelos governantes como forma,
encobridora da adversidade da demanda...

Num processo de múltiplas negações,
do sofrimento social à negação,
da condição de humanidade dos pacientes...

Onde representa muitas fontes de sofrimento,
a pressão para trabalhar mal,
o risco de não identificar o risco de vida...

O lidar com a violência e morte,
e o não reconhecimento do bom trabalho,
entre outras e outras coisas.

Estratégias de defesa do sofrimento corroem...

Aliadas a outros fatores,
a esperança nos espaços de solidariedade,
a cooperação e o cuidado com a vida...

Outras que no entretanto indicam,
algum grau de ilusão e idealização,
subsistem junto com a busca pela cura...

Outros podem abrir algumas brechas,
para a transformação do cotidiano,
nos valores dos serviços de saúde...

Para todos aqueles no seu sofrimento,
entre abertas estão aquelas portas,
dos serviços públicos de saúde...

Inconscientes presentes estão os serviços de saúde.

(André...)





(Um lugar onde se possa naufragar...)

Eu quero olhar para trás,
apenas o desejo de muito,
um olhar para a frente...

Passado,
presente,
futuro.

E ainda assim eu estou,
com dificuldade em olhar aqui,
no que está certo na minha frente...

Feliz em procurar,
tal e qual uma mosca,
pressionando-se contra o vidro...

Como um anjo que cai,
que perde as suas asas,
num planeta distante...

Uma inspiração submissa,
começou no fracasso de palavras,
ou em qualquer outro momento...

Para cima,
para baixo,
lateralmente.

Bastante inclinado,
momento que já não existe,
um lugar onde se possa naufragar...

...na verdade!

(André...)



(Apenas um planeta...)

Assumindo que estes vestígios,
são de responsabilidade de sentimentos,
inscritos suavemente numas linhas,
ou entrelinhas de certas vidas...

...apenas neste planeta.

Gostaria de uma proposta fazer,
que ajudem o próximo não deixar de ser,
apenas mais um ser insignificante,
para passar a ser um ser signicante...

...apenas neste planeta.

Para todos estes efeitos,
até podem ser escrutinadas vidas,
de modo a encontrar vestígios,
que seriam essas vidas se fossem espelhadas?

...apenas neste planeta.

À medida que a vida é questionada,
embora outros instintos e escritos,
serão analisados em premonitória,
para uma melhor intuição dos seus objectivos...

...apenas neste planeta.

Essa única página de um livro dos tempos,
e delineado pode obter um sentido duplo,
tanto de afirmar a falta de motivação,
para levar certos sentimentos só para si...

...apenas neste planeta.

Pelo que teria sido num tempo delineado,
como designar uma temática alegre da vida,  desses escritos cheios de sentimento,
em tempo próprio ele apenas agrada...

...apenas neste planeta.

Com uma quantidade de palavras,
cronometrados pela mente,
e agora são estes os tempos,
que não delineiam nenhuma vida...

...apenas um planeta.

(André...)

(Amor, o é...)

O amor não é uma fusão,
não é uma mercadoria,
não é uma relação,
não é uma mensagem,
não é uma perfeição.

Contrário da actração,
não nasce na ocasião,
encontra alegria no outro,
razões para se sentir confiante.

Amor esse...
não procura ocasiões,
ama apesar das razões,
sem garantias,
nem bilhete de regresso.

O único valor,
é não ter qualquer valor,
é não ser amado,
nem amar para ser amado.

Amar puramente...
simplesmente...
inocentemente...
gratuitamente...
interiormente.

Amor, o é.

(André )


(Fica aqui documentado uma ocorrência sobre uma cadeira...)

Uma cadeira é um assunto,
no presente da humanidade,
desde seus primórdios.

Estudiosos há muito debatem sobre o tema.
A cadeira...

Platão,
Erasmo...

Almada Negreiros,
José Saramago...

Francis Bacon,
Quentin Tarantino....

Assim como outros que salpicaram,
de tinta e letras o mundo das cadeiras,
desde a Antiguidade que estudam o assunto,
conscientes da importância de uma cadeira...

O homem em sua ânsia de imortalidade quer ser o eterno sentado...

Na sua impossibilidade procura formas,
de perpetuar seus atos,
contar a sua história,
deixando marcas,
na crosta deste planeta.

E estes fósseis sentados são inúmeros!

Muitas são as formas criadas,
para registrar as suas existências,
demarcar as suas conquistas,
e perpetuar sua história.
Há como monumentos,
escrito em arquivos,
guardadas em museus...

Em fotos,
como recursos digitais...

Em túmulos,
como símbolos dentro de pirâmides...
Em biografias,
genealogias,
bibliotecas,
pinturas e gravuras...

Como um prêmio,
de madeira nobre com vida própria...

Guardar a cadeira dos tempos,
ordenar os seus feitos permite à humanidade,
ao evocarem o passado,
abraçar o presente e perceber o futuro,
pois do passado podem extrair lições.

Então se o passado ensina,
é preciso conhecê-lo.

Uma cadeira não é um alicerce da consciência individual,
mas oferece perspectiva e orienta o espírito.

A cadeira apenas devia mostrar,
novos ângulos nos discursos,
de heroísmos,
de fomes,
de decisões arbitrárias,
de eventos,
de solidariedade e lições de vida.

O tempo passa,
mas as histórias permanecem,
sob a forma de memória,
recordações e lembranças,
que ficam em narrativas variadas.

São ensaios,
fábulas,
contos,
mitos,
lendas,
crônicas,
epopéias,
teatros e romances.

Um sermão,
um poema,
uma novela e outra forma literária,
que um homem inventou para se expressar.

Fica aqui documentado uma ocorrência sobre uma cadeira.

(André...)