segunda-feira, 4 de novembro de 2019



(Poemas que a Natureza diz...)

A Natureza tem pernas,
mais perfeitas que ninguém...

Dois corpos de frente para o outro,
duas estrelas cadentes,
em um céu de véu...

Os olhos que são luzernas,
enxergam-se muito bem...

Contar com a morte além do amor,
eu quero dizer com esquecimento,
e sorrir para todas as coisas inocentes...

As palavras que dela falam,
não a têm dentro de si,
são lindas mas não igualam,
as belezas que nela vi...

Como um animal na arenal,
o iracundo como organismo,
tempestuoso é regra geral.

Poema da Natureza,
na Natureza se encerra,
não se transmite a surpresa,
que se encontra numa serra...

Pequenas criaturas transparentes,
cobrem com um rubor repentino,
vida que assiste a um fundo sombrio.

O brilho dos raios solares,
a luz reflectida da lua,
são fenómenos milenares,
deslumbre que não se insinua,
só as não disse quem não quis,
são poesia que já eu predisse...

Eu disse com alegria,
com medo,
com o cansaço,
com a terrível palavra...

Poemas que a Natureza diz.

(André...)

domingo, 3 de novembro de 2019




(Ficamos inquietos quando nos conhecem...)

Nós tumultuamos nas ruas,
somos mentirosos e trapaceiros,
porque um grande bem não vem de graça...

Mas essa é apenas a nossa sociedade,
e eu nunca mudaria eles,
eu acho que nós não...

Minha bela sociedade está fodida...

Não sabemos amar,
dizem que bebemos demais...

Mas estamos bem...tudo bem...tudo bem...tudo bem...

Nós não sabemos mesmo amar,
mas estamos todos bem...

Essa é apenas a nossa sociedade,
e eu decepcionei-me e digo a verdade...

Criar palavras do em momentos,
fossem eles à prova de balas,
somos todos tolos...

Nenhum de nós jamais conseguiu criar a palavra perfeita...

Nos decepcionamos depois de algumas,
somos todos residentes na mesma avenida...

Alguns de nós são ricos,
alguns são pobres,
o dinheiro não significa nada,
quando há nada há na roda da vida...

Passadores de fim de semana,
poupadores no meio da semana...

Mas não tomamos decisões,
apenas limpamos as marcas,
dos nossos tênis sujos...

A vida simples é muito complicada
acordar depois de noites loucas...

Ficamos inquietos quando nos conhecem.

(André...)


(Filho de um ser...)

De tanto querer ser correcto,
eu torno-me um ser errante.

O ser dentro de mim,
esse monstro agradece.

Foi sonhado pela forma,
que à frente me apareceu.
Ver situações adiadas...
por segundos foi no que deu.

Não queria perder um minuto,
mas o tempo já me padece.

Mas vou continuando...
á espera do meu dia,
á espera de paciência.

Que a natureza deste acto,
não me conduza à demência.

De tanto querer ser directo,
e no caminho ser apenas mais um desviante.

Filho de um ser.

(André...)

(A nada com um sabor a tudo...)

Danço numa estrada para lado nenhum...

Fluente correndo atrás dele...

O sonho.

A sorte...
a simples certeza de viver.

A alma...
a hábil confiança cega.

Seguro de mim em todos os passos...
enchi o peito de ar ou de luar...
não podia saber ao certo.

Porque a noite era uma mistura de brisa...
e claridade...
fosse de frescura...
ou de luz a que a inundou...
que em todo o corpo correu.

Houvesse um bocado de calor...
capaz de aquecer o corpo...
dum pobre quase poeta e cidadão...
talvez companhia um ao outro.

Onde uma é condição:
Apenas se podem ver
depois de sol posto.

Razões particulares...

A noite está realmente maravilhosa...

E penso:
Que foi algo enexplicável...

Estiquei então por...
um crédito de vida nova...
uma dança com uma matéria.

Passos curtos e breve a palavra...
firmado as minhas quatro patas...
só músculos, tendões e nervos, com os
ossos a ranger em acção.

Ao que gente pode chegar!

Ah, mas tinha de acabar semelhante...
a nada com um sabor a tudo?

(André...)

quinta-feira, 31 de outubro de 2019




(Enfrento sempre o pesadelo para falar comigo mesmo...)

Não defino claramente a abordagem a ser adotada, e isso deixa-me oprimido...

Numa falta de clareza sobre o resultado desejado...

Uma palavra que uso para alcançar um pensamento...

Curvo-me na mente, onde é a minha única opção...

Já provei a mim mesmo, vezes sem conta que esse caminho não funciona....

Como as vezes digo...

Se não podemos correr para a lua em busca do pôr-do-sol...

Então é uma estupidez fazer a mesma coisa repetidamente...
Como posso encontrar um resultado diferente?
Por isso assumo que o resultado é certo, de 
certa maneira abstracta...

Inibo a minha capacidade de fazer a escolha certa, em torno dos meus primeiros pensamentos...

O meu pressupor pode ser um problema, se o meu cronograma forem apenas no começar...

E decido que ninguém...

Ninguém na história do universo jamais sonha como eu...
Como posso oferecer opções para assumir os sonhos que mais amo?

Quero, e tenho de crescer...
Quero, e tenho sonhar...
Quero, e tenho ser...
Quero descobrir que ainda existem conversas, pessoas e pensamentos que me inspiram...

São aquelas que não mudam os meus sonhos...

Porque longo é caminho para apaziguar os meus pesadelos...

Eu sei...

Converso comigo mesmo mais do que qualquer outra pessoa...
Sobrecarregado ou parado...
Numa linguagem que eficazmente será uma combinação de incerta clareza ...

Então encontro motivação e empoderamento para voltar a sonhar...
Aí então...

Enfrento sempre o pesadelo para falar comigo mesmo.

(André...)



quarta-feira, 30 de outubro de 2019


(Pela boca dos outros somos...)

Em criança perguntaram-me,
o que eu queria ser...

E a minha resposta foi...

"Quero ser um nada,
absolutamente um nada."

Mas realmente o que queria dizer,
é que queria ser um tudo.

Tudo aquilo que fui, sou e serei,
apenas um grande nada.

E agora sei que o sou,
um grande nada nesta vida,
em que somos tudo...

Parafraseando linguisticamente a mim mesmo...

"Sou uma merda,
mas ao menos sei a merda que sou."

Pela boca dos outros somos.

(André...)

terça-feira, 29 de outubro de 2019




(Apenas posso dizer que foi, é e será sempre a poesia…)

Nesta poesia quer queira quer não queira…
Não passo de um composto de míseros átomos…

Pixels que vão ser esquecidos…
Algoritmos que serão perdidos...

Mudar de sorte o mundo como quem não a quis…
Mudar o mundo?
Para que mudar…?

O que todos os dias procuro…
Eu encontro…

É o paraíso em qualquer lugar...
Um calor que sobeja em cada canto…
Que é por dentro que faz-me sentir feliz…

Não sentir aquele frio ao querer…

E o tempo que foi perdido entre os anos…  
Hoje e ontem sem destino marcado…

Uma estação de todos os climas que mal se avista…
Chegar longe no caminho e ser…

Ser quem quero no amanha e no hoje…

Do lugar de onde venho…
Nem sempre pertenço…
Onde vou sempre pertencer…

Num tom alto e mais que erudito…
A minha mente eu declamo…
Como uma alma antiga eu reclamo…

E sem hora marcada…
Tem de ser assim…

Provavelmente neste caminho terei essa sorte…
Porque não?

Mascaras de falsas humildades…
Essas correm os mundos perdidos nos colos das almas…

Mentiras de outros…
São construídas pelos sentimentos das sombrias desculpas…

Maravilha esquecida…
E que só eu a contemplo…

Memoria absorvida…
Lembradas pelos patamares do tempo…

Tudo preto no branco…
Olho para o mundo de uma forma igual…

Liberdade para todos…
Comida para todos…
Bebida para todos…
Saúde para todos…
Sonhos para todos…
Vícios para todos…
Sexo para todos…

Saudade de todos…
Resumindo a mais pura felicidade…

Afirmo isso com a maior da certeza…

Riquezas não as quero ver…
Fama muito menos a ter…
Reconhecimento nem vê-lo...
Felicidade dou a quem pedir…

Mostro o agora e aquilo que quero ver…
Se for difícil de compreende-lo…
Só quero o prazer de sentir…
Sem em troca nada pedir…

Ganhar só se o for para sempre…
E amar só se for o que sinto…

Não ser derrotado pelo que sentem por mim…

O que vivi foi inteiro e puro…
Agora percebi vi tudo…
Já vi as almas e já vi  o planeta mudo...

Foi comigo que eu aprendi…
Já tardia e erradamente agora percebi…
Que não é comigo que vou estar…
Leiam agora aquilo que quero dizer…

O poder de amar loucamente a poesia e alguém…
O sentir da pele macia de alguém em poesia…
O calor do corpo de…

E eu pergunto-me?
Quem é esse alguém?

Ninguém tem a certeza…

APENAS POSSO DIZER QUE FOI, É E SERÁ SEMPRE A POESIA.

(André..)