terça-feira, 5 de novembro de 2019


(Faz parte disso o pensamento...)

Dos edifícios é uma ilusão,
às vezes posso sentir como é poroso,
como permeável e como,
se movem em círculos.

Reconheço isso...

Na calçada vou cortando o espaço,
o meu redor com uma pedra na mão,
e depois de novo e de novo...

Não posso mais responder...

Faz parte disso...

O corpo deste mundo que também é,
e que continuo insistindo...

O problema é que sim,
mas acontece aqui...

Entre as multidões,
e os cheiros de exaustão...

Luz dourada que acontece à tarde,
olho pela janela para o oceano,
para a calma da linha do horizonte,
e o pensamento na mão brilha...

No azul imenso e sem sentido e,
não sabendo que está dentro dele,
quase não penso mais nele,
sonhos que eu costumava ter...

Eu não sabia...

Ter certeza de onde estão,
saiba de cor o puro,
linhas de raios pulsando,
logo acima dos mamilos...

E encontrar por instinto,
o azul redemoinho de água,
nisto toco neles,
onde a minha serpente toca...

E ao lado...

Uma lágrima de baba na esquina,
sei que ela também faz parte disso,
levo a fruta aos lábios de alguém,
então eu os toco no escuro...

Para mim...

Levado até o fim...

E quieto nos lençóis adoro beijar as fronteiras daquela pele...

Queimado em cinzas,
o que persistir ou vira dor,
ou uma permanência aterrorizante,
faz parte disso o pensamento.

(André...)



(Eu vi o melhor e o pior...)

São corpos de altruístas,
ou daqueles alternados...

Que é o ato de dar...

Uma coisa na vida necessária desesperadamente,
dada a outra,
sobrevivem...

E o que parece transparente é a chama,
queima tão intensamente que parece vidro...

Talvez a própria vida...

Os corpos mais bonitos,
não são transparentes,
às vezes cor de chumbo,
de um modo que parece um monumento...
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Saber onde está a beleza,
de um corpo degradado,
ou talvez,
é a degradação do corpo numa cidade...

Naquela cidade com toda a sua dor...

Os corpos que parecem transparentes,
são feitos de gelo tão puro que parece...
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As ruas cheias de esgoto...

Os cacos de vidro onde se deseja pisar,
vislumbre do próprio rosto que não pesa nada...

As luzes cheias de escuridão...

Os momentos de confusão...

Voz na a infinita sabedoria...

Olhar no aguardado dia...

De que o mundo é isso,
que eu acho que sei...

Tem que ser o mais cruel,
todos eles podem ser igualmente cruéis...

Eu vi o melhor e o pior.

(André...)

segunda-feira, 4 de novembro de 2019


(E isso "não pode ser feito"...)

Até a esperança pode parecer inútil,
exactamente o que outros homens procuram,
podemos falhar mas ainda caimos a lutar...

Não desistam.

Plantem os pés e digam uma palavra,
quando é inútil tentar evitá-la,
podemos falhar mas podemos conquistar...

Vê-lo através do faze-lo.

Alguém disse que não poderia ser feito,
e com uma risada respondi:

"Podemos falhar e seria mais um..."

Quem não diria isso,
até que eles tentassem,
com o traço de um sorriso...

Alguém gritou:

"Oh, nunca farás isso!"

Cantei eu enquanto abordei a coisa:

"Pelo menos ninguém nunca fez isso,
a primeira coisa que sabemos é no começo..."

E a primeira coisa que sabemos é que começou,
com um levantamento do queixo e um sorriso,
sem qualquer dúvida ou quadro pintado...

Dizem que deve primeiro imitar,
antes de soltar a lingua,
num traço irregular de novato...

Na hora de perdoar o arco-íris,
pode amadurecer uma palavra,
numa canção de imperfeições...

Existem milhares para dizer que isso não pode ser feito...
Existem milhares para profetizar o fracasso...
Existem milhares para aponta-los um por um...

Os perigos que esperam assaltá-los no escuro,
mas apenas aparte com um sorriso...

Apenas digam a palavra e vão até elas...

As imagens...

Numa imagem de tristeza e tristeza...
Numa imagem de alegria e alegria...
Numa imagem de um dia e amar...

Imaginem uma imagem rica,
a vida não é mais triste,
que a do seu vizinho...

Como eles fazem...

Eles recebem o sol da manhã,
amar cada tijolo,
uma pedra da cúpula do porão:

"Eu acho que não..."

Enquanto conto e calculo problemas,
em numa palavra conseguir dizer:

"Não adianta como eu posso ver."

Nem mais são nossos telhados,
é melhor que possam parar,
chovem neles como em todos...

Nunca viu um belo ser morrer...
Nunca chorou ou soltou um suspiro...
Nunca um plano pode ser errado...

Basta começar a cantar,
enquanto lido com as palavras,
então vou terminar em aspas...

E um rosnado da sorte..
E a vida é muito triste...
E afastei as nuvens...

E isso "não pode ser feito".

(André...)



(Poemas que a Natureza diz...)

A Natureza tem pernas,
mais perfeitas que ninguém...

Dois corpos de frente para o outro,
duas estrelas cadentes,
em um céu de véu...

Os olhos que são luzernas,
enxergam-se muito bem...

Contar com a morte além do amor,
eu quero dizer com esquecimento,
e sorrir para todas as coisas inocentes...

As palavras que dela falam,
não a têm dentro de si,
são lindas mas não igualam,
as belezas que nela vi...

Como um animal na arenal,
o iracundo como organismo,
tempestuoso é regra geral.

Poema da Natureza,
na Natureza se encerra,
não se transmite a surpresa,
que se encontra numa serra...

Pequenas criaturas transparentes,
cobrem com um rubor repentino,
vida que assiste a um fundo sombrio.

O brilho dos raios solares,
a luz reflectida da lua,
são fenómenos milenares,
deslumbre que não se insinua,
só as não disse quem não quis,
são poesia que já eu predisse...

Eu disse com alegria,
com medo,
com o cansaço,
com a terrível palavra...

Poemas que a Natureza diz.

(André...)

domingo, 3 de novembro de 2019




(Ficamos inquietos quando nos conhecem...)

Nós tumultuamos nas ruas,
somos mentirosos e trapaceiros,
porque um grande bem não vem de graça...

Mas essa é apenas a nossa sociedade,
e eu nunca mudaria eles,
eu acho que nós não...

Minha bela sociedade está fodida...

Não sabemos amar,
dizem que bebemos demais...

Mas estamos bem...tudo bem...tudo bem...tudo bem...

Nós não sabemos mesmo amar,
mas estamos todos bem...

Essa é apenas a nossa sociedade,
e eu decepcionei-me e digo a verdade...

Criar palavras do em momentos,
fossem eles à prova de balas,
somos todos tolos...

Nenhum de nós jamais conseguiu criar a palavra perfeita...

Nos decepcionamos depois de algumas,
somos todos residentes na mesma avenida...

Alguns de nós são ricos,
alguns são pobres,
o dinheiro não significa nada,
quando há nada há na roda da vida...

Passadores de fim de semana,
poupadores no meio da semana...

Mas não tomamos decisões,
apenas limpamos as marcas,
dos nossos tênis sujos...

A vida simples é muito complicada
acordar depois de noites loucas...

Ficamos inquietos quando nos conhecem.

(André...)


(Filho de um ser...)

De tanto querer ser correcto,
eu torno-me um ser errante.

O ser dentro de mim,
esse monstro agradece.

Foi sonhado pela forma,
que à frente me apareceu.
Ver situações adiadas...
por segundos foi no que deu.

Não queria perder um minuto,
mas o tempo já me padece.

Mas vou continuando...
á espera do meu dia,
á espera de paciência.

Que a natureza deste acto,
não me conduza à demência.

De tanto querer ser directo,
e no caminho ser apenas mais um desviante.

Filho de um ser.

(André...)

(A nada com um sabor a tudo...)

Danço numa estrada para lado nenhum...

Fluente correndo atrás dele...

O sonho.

A sorte...
a simples certeza de viver.

A alma...
a hábil confiança cega.

Seguro de mim em todos os passos...
enchi o peito de ar ou de luar...
não podia saber ao certo.

Porque a noite era uma mistura de brisa...
e claridade...
fosse de frescura...
ou de luz a que a inundou...
que em todo o corpo correu.

Houvesse um bocado de calor...
capaz de aquecer o corpo...
dum pobre quase poeta e cidadão...
talvez companhia um ao outro.

Onde uma é condição:
Apenas se podem ver
depois de sol posto.

Razões particulares...

A noite está realmente maravilhosa...

E penso:
Que foi algo enexplicável...

Estiquei então por...
um crédito de vida nova...
uma dança com uma matéria.

Passos curtos e breve a palavra...
firmado as minhas quatro patas...
só músculos, tendões e nervos, com os
ossos a ranger em acção.

Ao que gente pode chegar!

Ah, mas tinha de acabar semelhante...
a nada com um sabor a tudo?

(André...)