segunda-feira, 30 de janeiro de 2023




Torna-se um círculo,o buraco que contém tudo.

Ventre, partes do corpo que ninguém pode ver.

Como quem sai de um buraco,de um vale azul,um mar. 

No escuro,vi aquele corpo como uma concha delicada.

Ou um engano macio,como este meu polegar curvo contra os lábios dela. 

O pó da ribalta.

Olhar sem olhar para fazer o círculo perfeito.

O primeiro sangue da terra.

Como os pássaros amam,um vestido de seda,um correio aéreo,um vermelho animal,cinzas tatuadas na cabeça.

Aquela respiração de borboleta,que liberta aromas, os seus segredos,aquele pólen que escurece na boca.

As dobras da pele.

Ela abaixou-se,e vi as partículas da poeira.

Havia uma partícula selvagem.

Foi glorificada pela distância e a calibração do esquecimento.

Então vi uma partícula pendurada.

Uma linha,uma mente que deve ser um líquido contínuo cego. 

Até que o desejo esteja completo.




A altura não faz mal...bem acima das piscinas dos subúrbios, levitam frios nervosos.Vaga fria da última página do dicionário...nome com uma faca,e a faca contra a garganta. Um machado acima de cada entrada separada como o herói dificilmente torna-se uma voz.

Onde o velho mundo voou...eles sussurraram durante todo o inverno,contando os minutos congelados,agora são apenas duas escolhas, reza a história,e nenhuma delas é boa. No primeiro sonho o anjo sonhou...no próximo sonho o anjo conta à sua história.

Estava quieta e o mundo estava calmo. As palavras foram ditas como se não houvesse. Queria muito mais ser,estava quieta porque tinha que estar.O silêncio fazia do significado, parte da mente...E o mundo estava calmo. A verdade em um mundo Álamo.

Uma mulher contou algo sobre a guerra,disse:
- "é a única coisa que mantém os corpos ocupados".
Pensei nos dedos numas costas,e passar para o peito,contar as vértebras,uma por uma...

Do queixo que ela descansa na dobra do cotovelo,o olhar dela, o que o olho ve entra num círculo...O mundo está conectado  na respiração que sai das narinas. E qualquer amor aberto se torna Um. Uma forma dentro... do círculo.

Eu sei que é difícil ouvir,acho Eu,leio,penso,vivo demais.Muitas vezes preciso de uma vontade transcendental . E é o mundo que nos faz pensar, é a pólvora inventada.Claro, que podia criar um novo exemplo do nada...mas a poesia está no mundo...e no complicado.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

PARTE 1





Perto do amanhecer, encontrar uma estrada recém-cortada.


Apesar de todo o fervor, sabe bem ir a um lado mole no intelecto, numa rima infantil de dialeto. Ir a algum lugar em todas as linhas paralelas. Sonhos futuros mordiscam o mamilo branco, presos entre duas aguarelas. Murmurar ao lado do poder com todas as guerras nele, não é uma merda em um sistema que falha, nada além da autodestruição...que todos os inimigos se tornem poderosos, e vazios no oeste enquanto vendemos a nossa paz, orações murmuradas que não tem nada a ver com amor ou tesão.



Corpo imutável e movido, sólido como uma respiração no ar do inverno.


Relembrar os riscos e o valor de extremos, e essa experiência que ensina os comprimentos da inclinação permitidos. E que é mais fácil e mais sábio equilibrar uma pedra como estivesse na ponta do pé. Os braços estão espalhados em ambos os lados do corpo, as palmas das mãos abertas e voltadas para cima como dois lírios...os dedos finos enrolam-se suavemente, como estivessem a segurar os delírios. As pernas são puxadas para baixo, como se estivessem adormecido por lá. Um planeta, uma poeira. O que preenche o vazio das pedras preenche-nos por inteiro.


PARTE 2






Tenho um pressentimento, em um lugar sobrecarregados na questão que não estamos agora.


Às vezes as  maiores soluções são aquelas que seriam as mais pesadas, são as mesmas que flutuam. Risos impressionantes que iluminam o sofrimento...através de gerações e culturas, seguimos intrincados em rituais de desejo, de criação de mitos, de luto...por meio de perguntas simples e respostas corrosivas, chegamos sozinhos aos portões do insuportável.


Um deus não fala sobre nas ondas de rádio com uma voz humana, comum e salpicado de estática. 


Um Deus não fala na voz comum do terreno, cheio de vergonha. Como se as palavras faladas em voz alta, mesmo em um sonho, de alguma forma tornem isso possível. Um círculo descontínuo, uma vez arredondado entre as pernas. Pulsa dentro do corpo, nenhum pensamento acessível... especificamente nenhuma memória decorrente de um formigueiro de folículos, chamuscados com suor dos poros salgados. Inacessível...


E se assim for, só quero o corpo. 


O toque estranho do vento sobre a pele, nos braços, no cabelo frio. Colocar um dedo,no entanto,um desejo surgindo de dedos levantados. Aquele tremor de uma mensagem elétrica onde o osso encontra o movimento, queimado contra as paredes,imagem após, uma memória, um retrato.

Está sempre presente...


O clima de Janeiro petrificado.

É apenas uma coisa, o caminhar entre as longas estradas de estrelas à beira-mar, de olhos leves de uma malandra.

O não retorno respirável em um mundo feito de madeira, rajada de aço.

Um episódio de tempestade no centro que ainda cai em pedra.

Caules de poemas longos preservados na escuridão e na memória, como ninfas selvagens  lançadas ao mar...

(para evitar a captura)

Como minha própria vida é um líquido, sinal de enorme em amor, inventado como um cometa que se divide entre nós...

(e o ar)

Um toque de quase, ao seio, um pensei aos olhos, uma agulha lacada de vermelho onde existe o branco, uma após uma, a imagem do bom demente.

Um amor... e isso é apenas uma coisa, um escuro, feroz e lindo.

Em que a surpresa é que a surpresa, uma vez passado, está sempre presente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Está sempre presente...


O clima de Janeiro petrificado. É apenas uma coisa, o caminhar entre as longas estradas de estrelas à beira-mar, de olhos leves de uma malandra.


O não retorno respirável em um mundo feito de madeira, rajada de aço. Um episódio de tempestade no centro que ainda cai em pedra.


Caules de poemas longos preservados na escuridão e na memória, como ninfas selvagens  lançadas ao mar... (para evitar a captura)


Como minha própria vida é um líquido, sinal de enorme em amor, inventado como um cometa que se divide entre nós...(e o ar)


Ofereço a minha terrível sanidade, a voz eterna que me impede de alcançar. E estejamos próximos um do outro na vida.


Onde sinto o desespero como um gigante congelado no cimento, sonho turbulento num telhado, enquanto eu não pensava em nada.


Um toque de quase, ao seio, um pensei aos olhos, um agulha lacada de vermelho onde existe o branco, uma após uma, a imagem do bom demente.


Um amor... e isso é apenas uma coisa, um escuro, feroz e lindo. Em que a surpresa é que a surpresa, uma vez passado, está sempre presente.

Ir atrás deste mero fragmento...



Todos os dias a madrugada encontra-se nua...e perguntou-me, se não se perdeu inteiramente na noite, a suas roupas, os preceitos, preconceito, individualidade.

O que vem da preposição, do amor, interioridade penetrada. Nesta nova e repentina abertura, há...carne viva ao vento.

A guerra branca da neve contra o vento.

A neve que cobre tão soberbamente apenas os topos com o encantamento. 

Às vezes, é através do lado enigmático que encontramos-nos mais nus. 

Na suspensão da nuvem que flutua no ar prateado, animados por nada mais mágico como a ressurreição.

Ouvir o eco de uma luz fraca, fria da origem ao viajar até nós. 

Do nosso centro, não podemos ver além do fraco crepitar do brilho de fundo. 

Além dessa margem escura, uma história sobre sofrimento. 

E não porque sofremos, mas porque essa é a história que nos ensinaram a pensar...

O chão balançou como um trampolim, uma voz ameaçadora riu de um deus. 

E aqui está a tua  sombra, que caiu no buraco, caiu num dos esgotos e na distância alguém dormiu numa laje de pedra, era um corpo enrolado para o lado descoberto por algum cobertor.

Uma metáfora, a neve também é uma metáfora, encontrarmos-nos inteiros e sagrados, vivos e respirando. Corpos cobertos de branco, aquecem, congelam.
Somos todos rígidos com isso. Sobre a história, algo diferente...
Algo sobre a chuva, o som dela, como é andar em direção ao paraíso...
A melancolia...
a carne manchada... 
a esperança... 
a dor de afinal...
afinal é no coração que existe a fonte de nosso maior sofrimento...

O coração é aquilo sem o qual não podemos viver...deve estar inteiro, intacto...aninhado atrás, dentro, pode ser esculpido em uma lasca de si mesmo e pode viver de alguma forma, ir atrás deste mero fragmento.