(Inocentemente, profundamente e abissalmente...)
Quem ousa, confessar que deseja amar?
Quem detesta o dia que ofusca?
Quem espera, no mais íntimo de seu ser, o
aniquilamento do seu ser?
aniquilamento do seu ser?
Quem ousa fazer essa confissão suprema?
Mas as gentes dizem:
"És louco"
E a paixão que desejo suscitar no leitor geralmente parece mais débil...
É pouco provável que ela alguma
vez tenha sido arrastada à confissão pelo meu excesso...
vez tenha sido arrastada à confissão pelo meu excesso...
Por uma questãoque manifesto para além de todo o arrependimento possível...
Mas só afronto este silencio obscuro com a mais severa e lúcida paixão...
Porque substimo a garantia de que uma vontade pessoal e luminosa pode substituir outra...
Não sou o deus anônimo de uma força cega ou o nada que se apodera do meu secreto querer...
Mas um homem que promete a viva flama de amor que irrompe nos desertos da noite...
Não tenho nada confessar...
Desejo como se não desejasse....
Encerro numa verdade inverificável, injustificável, cujo conhecimento rejeito com horror...
Tenho a culpa pronta e ela engana-me melhor do que ninguém...
É um veneno que por força persegue-me, escolhe-me, deseja-me...
Acolhe-me neste destino obscuro e soberano sentimento...
Tudo o trai na sua acção, até nestas palavras desesperadas, na sublime renúncia do meu pensamento...
E o fato de ignorá-lo é essencial para as razões da noite não são as mesmas do dia...
Em um delírio em face do qual toda sabedoria, toda verdade é a própria vida...
Está além da minha felicidade, do meu sofrimento...
Então lanço-me ao instante supremo em que o prazer total é...
Inocentemente ,profundamente e abissalmente.
(André...)

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