sábado, 16 de novembro de 2019



(Inocentemente, profundamente e abissalmente...)

Quem ousa, confessar que deseja amar?

Quem detesta o dia que ofusca?

Quem espera, no mais íntimo de seu ser, o
aniquilamento do seu ser?

Quem ousa fazer essa confissão suprema?

Mas as gentes dizem:

"És louco"

E a paixão que desejo suscitar no leitor geralmente parece mais débil...

É pouco provável que ela alguma
vez tenha sido arrastada à confissão pelo meu excesso...

Por uma questãoque manifesto para além de todo o arrependimento possível...

Mas só afronto este silencio obscuro com a mais severa e lúcida paixão...

Porque substimo a garantia de que uma vontade pessoal e luminosa pode substituir outra...

Não sou o deus anônimo de uma força cega ou o nada que se apodera do meu secreto querer...

Mas um homem que promete a viva flama de amor que irrompe nos desertos da noite...

Não tenho nada confessar...

Desejo como se não desejasse....

Encerro numa verdade inverificável, injustificável, cujo conhecimento rejeito com horror...

Tenho a culpa pronta e ela engana-me melhor do que ninguém...

É um veneno que por força persegue-me, escolhe-me, deseja-me...

Acolhe-me neste destino obscuro e soberano  sentimento...

Tudo o trai na sua acção, até nestas palavras desesperadas, na sublime renúncia do meu pensamento...

E o fato de ignorá-lo é essencial para as razões da noite não são as mesmas do dia...

Em um delírio em face do qual toda sabedoria, toda verdade é a própria vida...

Está além da minha felicidade, do meu sofrimento...

Então lanço-me ao instante supremo em que o prazer total é...

Inocentemente ,profundamente e abissalmente.

(André...)

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