sexta-feira, 15 de novembro de 2019




(E que depois não se desvanece...)

Amor?

Está claro não é assim tão simples!

Por que perder tempo em explicar incessantemente que a realidade do amor é mais complexa do que tudo aquilo que se pode dizer a respeito dele...

Se a vida é confusa...

O amor não deve necessariamente limitado...

Se por vezes amamos e caímos...

Amar outra e outra vez é a solução...

Acham mesmo?

Isso são desculpas e estilizações prejudiciais
sentido profundo do verdadeiro mito do amor...

Amor?

É como um breve instante que depois sempre aparece...

O amor é uma merda de nevoeiro que queima com a primeira luz de realidade...

Só isto e apenas isso...

Que o amor é um denso nevoeiro da manhã que eu observo todos os dias quando acordo depois do sol nascer quase a pôr-se...

E que depois não se desvanece.

(André...)




(Naquele pedaço de couro castanho, com um rebordo dourado ou então uma aparição.)

Um pobre homem,
caminhava por uma praia,
não desejava ser animado,
apenas sem responder,
na obscura esperança,
sem mesmo olhar-se,
foi sentar-se na areia,
escolhida com cuidado....

Enquanto isso,
em cima de uma rocha,
o homem respirou...

Lançou um olhar de curiosidade...

Um volume maciço encadernado,
em macio couro castanho,
marcado com rebordo dourado...

Moveu cuidadamente as páginas,
uma palavra isolada,
uma frase acima,
sete linhas abaixo,
um parágrafo ali...

Endireitou os ombros...

Animou-se...

Chegou a uma conclusão...

Que o livro não o interessava,
e deparou com a compreensão...

Rico homem aquele,
que com crescente coerência,
a leitura daquele livro,
não a recomeçou...


Naquele pedaço de couro castanho,
com um rebordo dourado ou então uma aparição.




(André...)

quinta-feira, 14 de novembro de 2019



(Na luz do farol onde o mundo acaba e recomeça...)

Esse teu cabelo solto,
em cada manhã de insónias,
quando o farol nunca se apaga...

Nesse farol ser tudo o que quisermos,
neste meu corpo que já é o teu corpo,
onde descansas de todos os teus medos...

Adivinho-te na escuridão em cada poro,
a ternura que se solta no teu suor,
na dor prazerosa que abraçamos juntos...

Onde qualquer pretérito é o nunca,
e o nunca será mais-que-perfeito,
mesmo que o coração seja imperfeito...

Imperfeição que seja uma constante,
a cortar-nos a pele em mil palavras,
só percetíveis quando nos corta a carne...

Agora dispo o moralismo que me condena, incompreensão que é tão adornada,
vontade de crescer e a vontade de viver...

Porque a luz que sinto fora de mim,
é a mesma que sentes dentro de ti,
qualquer força desfalece assim...

Talvez a luz do farol volte a acender,
e possamos navegar os oceanos,
que só existem escondidos dentro de nós...

Com essa simplicidade que espero fugir,
aos demais enganos dos normais,
por isso decidi escrever esta carta de...

Dentro de nós existe a palavra mais rara,
existe em simultâneo em todas as partes,
na luz do farol onde o mundo acaba e recomeça.

(André...)


(Num pesadelo de uma avalanche de fluídos corporais lembrei-me...)

Um pesadelo que temos tudo,
para sermos dominados,
pelos desejos ardentes...

De folhas de flores desenraízadas,
de sementes de frutos proibidos,
de paixão ardente e silenciosa...

Num raro vaso de cristal,
que criou o mais belo brilho,
abriu-se e sangrou uma fenda...

Provocado pelo chicote,
num reclamar de desejo,
encheste-me com os teus beijos...

E aí falaste-me dos teus desejos,
também dos mais obscuros,
destes tratamos no escuro...

Depois aconteceu,
sobre a mesa,
de todos ângulos...

Sim eu sei...

Fiquei um tarado,
nas tuas formas,
na submissão do teu corpo...

Sem precisar ser mandado,
apenas confortado no teu rigor,
em fluídos que rejuvenescem...

Fluídos que inundam o chão,
de outras coisas indeléveis,
dos nossos corpos...

Não quero perder-me com sentimento algum...

Só no espírito do teu corpo...

Quero apenas dizer...

Que não esperes por muito,
não me adules assim tanto,
porque sou apenas um louco animal...

Louco por ti.

(André...)

13 de Novembro de 2019

P.S. Um obrigado especial a quem me indicou a imagem, tu sabes quem és... OBRIGADO ... More than words ... And  Respect! ;)

quarta-feira, 13 de novembro de 2019





(Neste poema medíocre...)

Este poema em que o meu fado de ser quase um  poeta é condicionada por exigências sociais hipócritas...

Onde frequentemente a força dos meus sentimentos faz estalar a crosta de algumas feridas...

E então este quase poeta revela alguns traços em comum com o gosto romântico...

Esta minha aguda consciência do Eu e a perseguição de um destino incerto...

A submissão total ao Amor quase divinizado e muitas vezes oposto à razão...

Não quero esta insatisfação de sentimentos...

Querer rir sentir ser inocente esperar perguntar e corresponder...

Não quero ficar sem sonhos tão depressa...
Que não podem ser ofendidos magoados ou tocados...

Este pendor nocturno por vezes quase diurno...

Mostra-me uma reflexão em traços particulares associados ao momento que trazem as marcas de um gosto novo...

O prazer da solidão em imagens sombrias...

Negam a desconfiança em profecias que traduzem tudo num profundo egoísmo...

Uma inadaptação poética deste quase poeta ao ambiente em que vivo...

Neste poema medíocre.

(André...)

terça-feira, 12 de novembro de 2019


(A sonoridade destas palavras...)

Quais as palavras de que és feita,
bela deusa desconhecida,
desejos proibidos que evocas...

Provocas em mim um grande desejo,
palavras de uma vontade em mim,
que só uma e em todas te colocas...

Sem tempo, nem espaço de passeio,
que alheia da musa mostras o seio,
visão que afunda em calor e êxtase...

Talvez engane a mim próprio,
mas a minha suspeita dura,
iluminada, solitária, infinita...

Quero-te perfeitamente,
preciosa e incorruptível,
secretamente...

Mas peço-te permissão,
para candidatar-me um dia,
um dia conquistar-te o coração...

Entre as palavras as que escrevo,
favoritas e as que são estranhas,
as preferidas e as evitadas...

Só, assim na minha solidão,
alegra-se esta esperança,
a sonoridade destas palavras.

(André...)






(Representando-me para sempre...)

Todos os registos do imaginário, do possível e do impossível...

Os sentidos são convocados ao sabor da essência que transporto dentro de mim...

Dentro de tantos e tantos caminhos, apenas vidas, vidas provincianas, vidas colossais, vidas fantásticas, vidas atraentes, vidas assustadoras, vidas transbordantes de vida, vidas onde eu...

Diria a todos que agradaria permanecer...

                            Mas não...

Um acto de amor que me faz entrar nesses lugares de prazer e perdição...

Lugares que jamais conheceria, se as suas portas não tivessem sido franqueadas pela imaginação imposta de outros...

Todas as perspectivas do enigmático humano...

De todas elas provindas de experiências, de divagações oníricas...

Mundos que despertam sensações e pensamentos de que logo aprisiona-me...

Delineio todos os projectos, realizações e concretizações, multiplicados sem fim previsível, embora sujeito a inúmeros percalços tão antigos quanto a própria história da Terra...

E tão diversos quanto os insondáveis avatares do futuro...

Não serei encontrado nesta imperecível vida que conterá o Mundo...

Em tudo o que foi e será alcançado, a par do que não o tiver sido...

Não têm as palavras que necessariamente rimar num poema?

                        Felizmente...

Embora na verdade, atrevo, até, a afirmar que a felicidade rima neste verso...

Por que razão existimos,
que sentido tem a vida,
de onde vimos,
onde a morte é uma partida...

Para onde um dia irei cheio de interrogações para as quais não encontrei duas respostas absolutamente coincidentes...

Mas todas lá estarão, representando-me para sempre.

(André...)