segunda-feira, 25 de novembro de 2019


(Assim e longe de mim, adoro esta tentativa de analisar o processo da mitologia que me faz pensar e sonhar...)


Aquele conceito, que é chamado por vezes de mitologia. No palácio onde ela habita, há cinco janelas, quem consegue abrir as duas primeiras, passa facilmente pelas outra três, mas é difícil de lá sair, e vive na alegria aquele que pode permanecer. Aí entra-se por quatro degraus muito suaves, mas não entram nem deuses nem titãs, estes são alojados no subúrbio que ocupa mais da metade do mundo e submundo.
É natural que essa mitologia assuma tons sombrios. Tárano, deus do céu tempestuoso, suplanta Lug, deus do céu luminoso. Graal o vaso que recebeu o sangue do Cristo. Távola Redonda uma espécie de altar para a Santa Ceia. Incríveis proezas, do maravilhoso fácil, de ingenuidades tocantes, de frescor primitivo, incoerentes, personagens sem caráter nem cor, manequins cujas aventuras banais se desenrolam indefinidamente.E embora corresponda a antigas tradições autóctones, fazendo com que elas ressurgam, mesmo assim continuava uma coisa aprendida. Daí os erros que frequentemente cometeram. É aliás extremamente delicado determinar as causas e a importância exata desses erros.
Trata-se de um ritual de iniciação?
Uma tradição imperfeita?
Ou ainda uma tendência de heresia no interior da própria heresia, uma tentativa mais ou sincera de retorno à alegria?
Ou simplemente uma profanação, e utilizada sem maior deleite epara final diferente, daquele de quem foram criados. O provocar, aos deuses, deusas,  titas e musas. Tivessem-no negado, lançados à procura, sempre em busca de encontrar algo melhor, porque não amavam o que tinham! Assim acontece com muitos. Em amargos dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem deles, livres de  libertarem e vingarem. E nisto, o subjugar com um laço inquebrável. Em sua subjugação, são levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, a somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Escapam duplamente, por serem poéticos e místicos.
Mas ainda não sabemos, agora, de onde vem e para onde vai o mito. E talvez pressintamos de que modo ele pôde recriar-se numa vida ou numa obra, mas isso é intransferível.
Assim e longe de mim, adoro esta tentativa de analisar o processo da mitologia que me faz pensar e sonhar.

(André...)

domingo, 24 de novembro de 2019




(Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa...)

Ser poderoso de instinto animal, sabe-se que é sábio em rejeitar algo que corresponde, é a pura e verdadeira sabedoria. Poderemos chamar de sabedoria extrema o que se rejeita, mesmo sabendo que iria adorar. Concentrar no o seu pensamento, matéria, carne, contacto, sexualidade procriadora, enquanto um sentimento de adoração purificada pode se volver para um Deus-Espírito. Ao mesmo tempo, o amor pela vida acha-se parcialmente esquecido finalmente pode confessar-se sob a forma de um culto prestado ao arquétipo divino da mulher, desde que esta Deusa-Mãe deixe de ser virginal, desde que ela escape, porta da proibição mantida contra a mulher de carne. A união mística com essa divindade feminina significa então participar da força de um Deus luminoso. Como uma balança na mão, o peso por observar o silêncio, não o torna mais sábio. Poderemos até aceitar só o desejo, mas ainda não faz de nós sábios verdadeiramente. O que se consegue compreender, em ambos os lados omissos, o mal também faz parte, esse sábio instinto, aquele no qual todos os grandes defeitos foram  desenvolvidos. Só posso afirmar que esse é verdadeiramente sabedor do seu caminho. Aquele que consegue deitar os ódios fora, totalmente destruídos, desenraizados e extintos. Caminhar com máxima compreensão e despreocupação neste mundo. E só porque superou todos os caminhos que o poderiam levar ao caos. Como pode aquele que está cheio de desejo, ser sábio em não se render ao instinto. Ou tudo isso cai do céu, isto é, nasce de uma inspiração súbita e coletiva, mas ainda seria necessário explicar por que esses sentimentos foram produzidos, nesses momentos e nesses lugares bem definidos. Ou então tudo resulta de uma causa precisa, mas nesse caso, trata-se de saber por quais razões ele, o desejo, permaneceu obscuro até nossos dias. Ao mesmo tempo imagens personificadas, alteradas, verificadas, por assim dizer, que traduzem uma alegria verdadeira. Que se alimenta aquele impulso do espírito que, aliás, faz nascer esta linguagem. Quando ela ultrapassa o instinto, quando se torna verdadeiramente amor. Ele tende ao 
mesmo tempo a si próprio, seja para justificar-se, exaltar-se ou simplesmente para entreter-nos.
O duplo sentido é insignificativo.
Mas ao mesmo tempo vivemos imersos numa atmosfera romântica proporcionada, pelos espetáculos e por mil referências quotidianas, cujo sentido subliminar é mais ou menos o seguinte: a paixão é a experiência suprema que todo homem deve um dia conhecer, e somente aqueles que passarem por ela poderão viver a vida em uma plenitude.
E aí, não creio que ninguém actualmente, e em tempos vindouros, esteja em condições de resolver, talvez teorizar, todos e alguns desejos. Os especialistas mais bem informados ainda hesitam em atribuir um determinado nome ao desejo animal, que além de ortodoxo é muito conhecido, apenas não o queremos ver, a origem de termo preciso do desejo, não é mais do que o instinto básico de todos os seres.
Será o amor um desejo?
Desejo total, é a Aspiração luminosa, o impulso original elevado à sua mais alta potência, à extrema exigência de pureza que é extrema exigência de Unidade. Mas a unidade última é a negação do ser atual em sua sofredora multiplicidade e sobrevivência. Assim, o impulso supremo do desejo conduz àquilo que é o não-desejo. A dialética de êxtase, introduz na vida algo totalmente desconhecidos, aos ritmos da atração sexual, um desejo que não decresce jamais, que nada mais pode satisfazer, que até mesmo desdenha e foge à tentação de se realizar em nosso mundo, porque só deseja abraçar o outro. É a superação infinita, a ascensão do químico que atravessa as células e canais cerebrais, para o seu prazer.
E esse movimento é sem retorno.
Mas convém atender, para o humano na linguagem erótica, parece sempre mais inocente do que pode parecer aos nossos olhos. Quer queiram quer não, somos nós os neuróticos, herdeiros do erotismo aburguesado de um anterior século em contagem crescente. Onde a penetração psicológica, e os movimentos da carne atraída pelo impulso místico no seu início, exagera e também dissimula a gravidade relativa de tais acidentes. Talvez as fórmulas de sublimação e de fantasia são simplesmente, ou recusar saber do que se fala. Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa.

(André...)

sábado, 23 de novembro de 2019



(Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão...)

A minha tentação de falar de certas coisas do amor é pretexto muito pouco convincente, em se tratando de assunto tão denso. Vou simplicar complicando. Como por exemplo um beijo, ou dois. Daqueles em que o dente se une ao lábio, e por consequência sangra. Sangue onde podemos saborear o gosto do salgado da paixão, e o doce de uma gota de um amor quente. Na minha duvidosa vantagem, por sinal, impus algumas dificuldades a mim mesmo. Não quero  enaltecer nem depreciar aquilo chamo de amor, ou amor do amor, mas tento descrevê-lo como um fenômeno extraordinário. A maioria dos próprios prazeres, tal e qual a fadiga, no final de uma reflexão. A maioria destas palavras poderá ser comprovada na medida em que consiga sobretudo desagradar ou não ser entendido, e somente será útil para convencer aquelas e aqueles, que ao tomarem consciência, ao lê-lo, das razões que podiam considerá-lo principalmente incompreensível. Os apaixonados visualmente, vão dizer o quanto cínico sou, e aqueles que jamais conheceram a verdadeiramente a sensação de algo abstrato, ficarão surpresos, tornarão a chamar-me de cínico. Uns dirão que definir o amor significa perdê-lo. Outros, que perdemos nosso tempo. A quem saberei agradar? Àqueles que talvez queiram saber, ou, até mesmo, curar-se?
De onde vêm esta insatisfação do perpetuamente insatisfeito e esse louvor entusiasta e plangente de uma bela que sempre dirá não? Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão.

(André...)

sexta-feira, 22 de novembro de 2019




(E no final acontece o verdadeiro renascer da paixão...)

É então que a guerra se assemelha verdadeiramente como uma partida de xadrez. Quando, após um dos adversários perde e do alto de qualquer colina, da qual descortina todo o terreno do combate, todo o tabuleiro, avançar ou recuar habilmente seus belos regimentos.
"Xeque-mate" grita-se, e o perdedor recolhe o seu jogo, e os peões voltam à caixa ou os regimentos de hierarquias aos seus quartéis de madeira invernal. Depois cada um vai ocupar-se de seus pequenos mistérios esperando a partida ou a luta seguinte. Cada vez que o elemento jogo aparece na guerra, pode-se deduzir que a sociedade e sua cultura fazem um esforço para recriar o mito da paixão, ou seja, para resistir ao poder e aos  meios de expressão rituais. Recusar que as catástrofes sejam belas. Sem dúvida, a guerra e a paixão permanecem como males inevitáveis, além de secretamente desejados. Mas a grandeza do homem está em delimitar seus campos, em canalizá-las, utilizá-las ou mesmo subordiná-las a uma diplomacia de arte de civis. Numa, guerra total, aniquilar toda a possibilidade da paixão, a política nada mais faz que transportar as paixões individuais ao nível do ser coletivo.
Tudo o que a paixão faz, é negar aos indivíduos isolados, ela transfere-se para a paixão personificada. É a paixão que tem paixões. É ela (ou ele), que assume a dialética do obstáculo exaltante, da ascensão e da corrida, ao inconsciente para a morte heróica, a divina comédia. Noção correcta e simples das leis da guerra, espiritualizando a matéria, negligenciando o sentido natural das coisas e a influência do coração humano sobre as resoluções dos homens, em que o espiritualizar é talvez excessivo tratava-se apenas de racionalizar. Mas o termo de guerra e paixão, é esse desencadeamento dos instintos coletivos e das medidas catastróficas. Ora, aí estava o triunfo de uma civilização cujo maior esforço consiste em subordinar a Natureza, a matéria e suas fatalidades às leis da vida. Enquanto no interior e na verdade se evocam os problemas pessoais, no exterior e no alto o potencial de paixão morre no dia a dia. Esse eufemismo triunfa na moral que dá aos cidadãos, e esse eufemismo é a negação do racional, de toda espécie de aventura pessoal. Mas isso só pode aumentar a tensão do conjunto, personificado na paixão, como alguém disse:

"Procriai!"

Esse um alguém, que significava a verdadeira negação da paixão, também disse aos povos vizinhos:

"Somos demasiado numerosos para o espaço que temos, exijo portanto novas terras!

Assim acontece com muitos. Em amargos
dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem para deles se furtarem, deles se libertarem e deles se vingarem subjuga-os com um laço ainda mais forte.
seu aspecto diurno, seu reflexo moral em nossa vida de criaturas finitas. Falta o aspecto noturno, o florescimento na vida infinita da noite. Falta o que poderíamos chamar, simetricamente, "essa alegria majestosa que constitui toda a dor de uma guerra. Porque para atingi-la ou somente pressenti-la foi preciso chegar até morte da paixão. O pudor tão enaltecido, não pode existir, diga-se o que se quiser, sem um empobrecimento metafísico, um gerador de confusões incalculáveis. Enfim, essa paixão, por mais majestosa que a consideremos, fechada em si mesma, sem transcendência nem transposição na alegria, não se aceita tal como é no mundo, e mesmo assim é qualificada como prazer, nada mais é, que uma ilusão. Em angústia, somos levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, o somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Onde acaba a guerra. E no final  acontece o verdadeiro renascer da paixão!

(André...)


quinta-feira, 21 de novembro de 2019



(Fica aqui uma questão, ou não...)

A falta de fundamentos ao amor é um problema antigo, mas eu gosto sempre de ir mais longe.
Por exemplo, e passo a citar um escritor, que não lembro o nome:
"O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas"
O que me leva a crer, que tentar achar as respostas para os problemas da vida, apenas nos mantêm ignorantes frente às perguntas que nos poderiam ajudar, não só na Arte de viver, mas também na Arte de preservar o nosso Planeta.
Pois acredito que no mundo onde vivemos, a arte de fazer respostas, seja mais importante que a necessidade de achar certas respostas, é um mundo onde todos sabem tudo sobre os todos os fundamentos e aplicações de soluções, mas esse mundo não é o nosso, é o mundo perfeito, de uma espécie de humano perfeito, que nunca existiu.
De onde vem esse encanto?
E que cumplicidades nesse artifício de retóricas profundas sabe despertar as nossas mentes?
Que a combinação entre amor e morte seja aquilo que nos toca mais profundamente é um fato que estabelece à primeira vista o prodigioso sucesso do amor. Há outras razões, mais secretas, onde vivemos numa tal ilusão, numa tal mistificação, ou teremos realmente esquecido essa infelicidade?
Ou devemos acreditar que no nosso íntimo o que nos fere e nos exalta ao que aparentemente satisfaria nosso ideal de amor harmonioso?
Examinemos mais de perto esta contradição, com um esforço que por vezes pode parecer penoso, pois tende a substituir uma ilusão. Afirmar que o amor significa, de facto, um adultério é insistir na realidade que o nosso culto ao amor se disfarça e ao mesmo tempo transfigura. É revelar por onde esse culto se esconde. A recusa de nomear para nos permitir um abandono ardente àquilo que é, e ousaríamos reivindicar e exaltar o amor. Exprimindo em várias realidades, na medida em que nosso instinto o exige, mas também o disfarça, na medida em que seriam ameaçadas pelo grande despertar da razão.
Ou então, será na Inteligência Artificial que está a certeza de um dia, o amor se tornar perfeito?
Fica aqui uma questão, ou não.

(André...)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019





(Desta vez a confiança é completa...)

Apenas se vê uma restia de luz, não esquecida, antes ultrapassada. Só, pelas ruas e vielas, em cima da hora e girava ao trocá-la pelo dia. O sentido desse rodar do mundo que dirige essa acção deve certamente escapar e, no fim de contas, de uma forma simplista que tudo se resuma numa fraqueza lógica de um voz em questão. Havia também várias vozes, que se pode dizer, falavam uns com os outros. Muitos não ouviam o a sua própria voz, como um camarada na ausência da sua bela, mas isso, devia ter sido à muito tempo.
Ela representava  um ser diferente do que eles seriam. Não tinha limites, não tinha forma, a sua voz estava em todas as vozes. Continha um som de estrelas, muitas batalhas, gritos de alegrias e dores. Só que gritados, de maneira que ninguém queria ouvir. Dissipava uma multidão, como se parte nos sonhos. Postos lado a lado, se observavam todos nus. Mesmo sem ver o que vem lá, ou sem que se saiba os porquês. Os poderes de  corpos, tanto quanto os poderes de exprimir o que podia dizer. Instintos animalescos incapazes de mentir, de dizer o que o instinto não faz, de adiantar-se ao necessário e à satisfação. Inversamente, a paixão, amor do amor, é o impulso que se adianta ao instinto e por isso mente ao espírito. O responsável de tal verdade só poderia ser os espíritos.
Profundamente ligados ao amor do amor, a expressão e a mentira se encontram ligados. E não seria atípica de toda a voz, essa vontade de exprimir-se, de descrever-se, como que para melhor usufruir de si mesma. A luz da noite não esperava que fosse doer muito. Um magnífico espectáculo suficiente, quando se olha muito tempo para um ponto. E depois de ter acalmado a terra e as nuvens. Maravilhosas palavras acerca do que passam como um sonho, em qualquer lugar, por mais pequeno que fosse. Tantas aventuras, numa sensação febril de sorrir para o próprio reflexo de mil formas. Um sonho profundo em que as nossas vidas estão envoltas. Desta vez a confiança é completa.

(André...)

terça-feira, 19 de novembro de 2019





(O que estou a escrever? Amor!...)

Da minha parte, não posso contentar-me com uma hipótese a tal ponto ser escrupulosa. Recuso-me a supor por um só instante, que os trovadores são uns fracos de espírito, apenas bons na incansável procura de fórmulas auto-adquiridas. Basta perguntar-me se o segredo da poesia não deveria ser bem mais próximo dela do que alguma vez, já se fez. Bem próximo de um todo, no mesmo lugar, no próprio ambiente onde nasceu. Não no meio puramente social, no sentido moderno. Mas sim na atmosfera contagiante, que determina as formas, inclusive sociais, de todas as palavras.
Resta-me, portanto, de um lado, de um fenômeno estranho, de outro, de todas as hipóteses que pretendo evita-lo.
É-me igualmente impossível, voltar a não amar. Um amor real, uma simples  fórmula vazia de sentido. É verdade, sem dúvida que é escrupuloso, abster-me de qualquer pronunciamento. Isto equivale a dizer que
a meu ver, a minha lírica cortês, da qual me ocupo, continua a ser, até que obtenha inspirações mais amplas, um amálgama de fórmulas vazias de sentido. Trata-se, na verdade, de um excelente material para qualquer trovador que se preze e que pretende solicitar o amor, fazê-lo. Ainda que seja com um mínimo esforço para compreendê-lo.
O que estou a escrever? Amor!

(André...)