(Onde uma estupidez, só tem uma resposta...)
Duas belas noites e uma invasão de tarde, e diga-se a verdade, também de ternuras, de cuidados, de abrigo reconfortante. Por fim lá acabou. Nunca mais se viram. Quem quer que fosse, não podiam chamar e assobiar à vontade. Nem se mexiam. Às vezes, perdidos de vício de uma imagem a sua frente. Mas viam. Esperavam pelo início, atiravam-se quando viam o fim, e foram indo! Errar, todos erravam, infelizmente. Pelo menos à frente deles. Mas, enfim, o que sentiam não era lá das piores tormentas, e largavam a voz na altura própria, e honradamente em eternos suspiros. Por isso, aguardavam que viesse outros dias. Isso os comoviam, onde surgiam outros sonhos de menos risco, que poderiam fazer juntos pela cama. Era um sinal que se respeitavam, que tinham dignidade, com ecos de música, e do mundo. O que não quer dizer que não pudessem tratar de arranjar suas vidas sem dar nas vistas e sem acompanhamentos, que acabavam sempre em cenas desagradáveis. Apenas ver a felicidade dos amantes só comove pela expectativa da infelicidade que os sonda. Uma necessária ameaça da vida e das realidades hostis que afastam duas vidas para longe.
A saudade, a lembrança, e não a presença, os comovem. A presença é inexprimível, não possui uma duração sensível, só pode ser um instante de graça. Não que tivessem medo de qualquer dos finais, que costumavam aparecer nessas ocasiões. Se acontecia nelas, batia-se ali como deuses e deusas, até que as coisas ficassem esclarecidas. E nunca ficaram do lado dos vencidos! Pelo contrário. Procuravam, contudo, afastar-se de amores e paixões. E disseram sempre que não. Senão, era uma vez dois amantes. Que, para chegar à miséria presente, a maioria pouco se preocupa em conhecer, em conhecer-se. Procura simplesmente o amor mais sensível. Mas ainda é verdadeiro o amor, cuja a feliz realização, em qualquer entrave vem retardar. Assim, querem o desejo mais consciente ou simplesmente o amor mais intenso, desejamos em segredo o obstáculo. Se for preciso, criamos o obstáculo, imagina-mo-lo. Como forças contraditórias, mas que os precipitam na mesma vertigem, os amantes só poderão se unir no instante, em que forem definitivamente privados de toda esperança humana, todo desejo possível. E no seio do obstáculo absoluto e de uma suprema exaltação, que se destrói pela sua realização.O obstáculo, cujo funcionamento foi visto, teria uma origem natural? Retardar o prazer devia ser a astúcia mais elementar do desejo.
Onde uma estupidez, só tem uma resposta.
A saudade, a lembrança, e não a presença, os comovem. A presença é inexprimível, não possui uma duração sensível, só pode ser um instante de graça. Não que tivessem medo de qualquer dos finais, que costumavam aparecer nessas ocasiões. Se acontecia nelas, batia-se ali como deuses e deusas, até que as coisas ficassem esclarecidas. E nunca ficaram do lado dos vencidos! Pelo contrário. Procuravam, contudo, afastar-se de amores e paixões. E disseram sempre que não. Senão, era uma vez dois amantes. Que, para chegar à miséria presente, a maioria pouco se preocupa em conhecer, em conhecer-se. Procura simplesmente o amor mais sensível. Mas ainda é verdadeiro o amor, cuja a feliz realização, em qualquer entrave vem retardar. Assim, querem o desejo mais consciente ou simplesmente o amor mais intenso, desejamos em segredo o obstáculo. Se for preciso, criamos o obstáculo, imagina-mo-lo. Como forças contraditórias, mas que os precipitam na mesma vertigem, os amantes só poderão se unir no instante, em que forem definitivamente privados de toda esperança humana, todo desejo possível. E no seio do obstáculo absoluto e de uma suprema exaltação, que se destrói pela sua realização.O obstáculo, cujo funcionamento foi visto, teria uma origem natural? Retardar o prazer devia ser a astúcia mais elementar do desejo.
Onde uma estupidez, só tem uma resposta.
(André...)






