quarta-feira, 27 de novembro de 2019


(Onde uma estupidez, só tem uma resposta...)


Duas belas noites e uma invasão de tarde, e diga-se a verdade, também de ternuras, de cuidados, de abrigo reconfortante. Por fim lá acabou. Nunca mais se viram. Quem quer que fosse, não podiam chamar e assobiar à vontade. Nem se mexiam. Às vezes, perdidos de vício de uma imagem a sua frente. Mas viam. Esperavam pelo início, atiravam-se quando viam o fim, e foram indo! Errar, todos erravam, infelizmente. Pelo menos à frente deles. Mas, enfim, o que sentiam não era lá das piores tormentas, e largavam a voz na altura própria, e honradamente em eternos suspiros. Por isso, aguardavam que viesse outros dias. Isso os comoviam, onde surgiam  outros sonhos de menos risco, que poderiam fazer juntos pela cama. Era um sinal que se respeitavam, que tinham dignidade, com ecos de música, e do mundo. O que não quer dizer que não pudessem tratar de arranjar suas vidas sem dar nas vistas e sem acompanhamentos, que acabavam sempre em cenas desagradáveis. Apenas ver a felicidade dos amantes só comove pela expectativa da infelicidade que os sonda. Uma necessária ameaça da vida e das realidades hostis que afastam duas vidas para longe.
A saudade, a lembrança, e não a presença, os comovem. A presença é inexprimível, não possui uma duração sensível, só pode ser um instante de graça. Não que tivessem medo de qualquer dos finais, que costumavam aparecer nessas ocasiões. Se acontecia nelas, batia-se ali como deuses e deusas, até que as coisas ficassem esclarecidas.  E nunca ficaram do lado dos vencidos! Pelo contrário. Procuravam, contudo, afastar-se de amores e paixões. E disseram sempre que não. Senão, era uma vez dois amantes. Que, para chegar à miséria presente, a maioria pouco se preocupa em conhecer, em conhecer-se. Procura simplesmente o amor mais sensível. Mas ainda é verdadeiro o amor, cuja a feliz realização, em qualquer entrave vem retardar. Assim, querem o desejo mais consciente ou simplesmente o amor mais intenso, desejamos em segredo o obstáculo. Se for preciso, criamos o obstáculo, imagina-mo-lo. Como forças contraditórias, mas que os precipitam na mesma vertigem, os amantes só poderão se unir no instante, em que forem definitivamente privados de toda esperança humana, todo desejo possível. E no seio do obstáculo absoluto e de uma suprema exaltação, que se destrói pela sua realização.O obstáculo, cujo funcionamento foi visto, teria uma origem natural? Retardar o prazer devia ser  a astúcia mais elementar do desejo.
Onde uma estupidez, só tem uma resposta.


(André...)

terça-feira, 26 de novembro de 2019


(Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno...)


Que grande começo de dia, afinal foi esse.
No final de um sonho profundo, acordaram cedo, ainda mal adivinhavam a alvorada pelo buraco da fechadura. Um silêncio de comunhão e de vergonha. O cheiro ausente de suor de sexo, que gelava a quente cama adocicada, entrava pelos corpos dentro e punha-os a sonhar volúpias. E, no meio da nudez das coisas e daquele perfume, e começaram a sentir uma tal ânsia em abrir os lençóis, lançar almofadas ao ar e voltar a delirar. Mas não. Estoiravam-se por falar!
Felizmente, estavam com estranha sensação que os atormentava. Era apenas necessidade de se expandirem, de anunciar ao mundo que não sabia o quê. Aterrados em falsos contactos, recolhidos de medo e pudor, as gargantas secavam, como uma defesa instintiva. Foi o mesmo que nada!
Nenhuma vontade conseguia acalmar o grito
irreprimível que os sufocava. Foi como se de repente caísse um raio na cama e despertassem. Falaram, mas mal a voz lhes voou da boca, ficaram reduzidos a uma pergunta e a um pasmo. Mas nem acabaram sequer de entender o que se passava. Não se fartaram!
E, à semelhança da estranheza dos olhos, uma natureza bela e  desgraçada. A incerteza relativa  da precisão dos intervalos efectuados pelos corpos. Fricção entre a incerteza absoluta, e o sentimento mais provável da grandeza. Exprimem-se em busca de um ritual de magia, onde nenhum sabe para onde vai, nessa certeza. E quando na cama, já tudo desviava dos seus corpos, não havia outro remédio, senão fazer chegar altura de deitar fora um grito de prazer. E gritaram!
De resto, não podiam impedir por mais tempo a saída da saudação à luz que vinha rompendo entre as cortinas do quarto.
Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno.

(André...)


(Daí o meu desejo, sobejo, o risco da perda, a paixão sem fim, a vontade de ir sem regresso...)

Sou um intoxicado, é não de uma paixão, mas do desejo material que utilizo para inspirar-me, uma forma exaltada de auras de belas mulheres. Se a origem desse material é um desejo, consciente ou não, e não quero escapar à insuportável condição terrena, é o meu rudimentar apelo ao desejo. Mesmo assim sou um intoxicado!
Que não deixa de ser uma queda antes de tudo, um escravo de mentir e sentir, sentir e ir.
Psicologicamente, sou apenas mais um, cujos sentidos esbotam numa lágrima, cuja lucidez se encontra no desejo, e a pureza acaba perdida na paixão. Insistindo na necessidade de superar o estado de transe, de chegar a uma lucidez cada vez mais pura e audaciosa, e até mesmo de experimentar as mais altas graças na vida.
Não havia nada à minha volta!
Roubo-me o coração, apossesso-me do meu ser, prendo-me ao mundo e depois a mim, deixo-me apenas ao desejo, ao sangue do meu coração sedento. Ultrapasso o vazio total, onde apenas há o mundo e a musa, uma sombra com o seu objeto, até mesmo o desejo, tudo parece desvanecer-se numa penetração forte, no vazio de toda a paixão, onde tudo impele para cima, e tudo atrai para baixo. E só depende de cada um, corpos e coros onde todos os sentidos são convocados ao sabor das essências do êxtase, que involuntariamente transportamos para dentro do acto. Juntas despertam até memórias esquecidas!
Fisicamente a chave volátil, como pouca coisa consegue ser, entre o ontem e o amanhã, revela-se especialmente no contexto de mais como viajar no tempo. Viagem pelo corpo do mistério do romance, imerso na atmosfera de perdedor orgulho, o desejo de para sempre enaltecer a proeza, o motor dos grandes feitos do sexo entre duas energias de ser. Supostamente por mim nunca condenados, na verdade, jamais condenei a paixão e sexo, acho já me expliquei sobre esse ponto, e pronto.
Digo e insisto ainda, que condenar a paixão em princípio, equivaleria a querer suprimir um dos pólos da tensão vibrante e criadora.
Realmente, isso não é impossível!
O que mais se quer na vida?
Não me iludi com o que me escapou, observei tranquilamente e deixei as palavras embalar a mente. Ler a mente, saber o que alguém pensa e sente,embora muitas vezes se compreenda o que lê, não se sente. Mas como todos os passionais, eu amo temerariamente, a sensação de querer o poder do foco de calor de um corpo, que se experimenta no risco.
Daí o meu desejo, sobejo, o risco da perda, a paixão sem fim, a vontade de ir sem regresso.

(André...)

segunda-feira, 25 de novembro de 2019


(Assim e longe de mim, adoro esta tentativa de analisar o processo da mitologia que me faz pensar e sonhar...)


Aquele conceito, que é chamado por vezes de mitologia. No palácio onde ela habita, há cinco janelas, quem consegue abrir as duas primeiras, passa facilmente pelas outra três, mas é difícil de lá sair, e vive na alegria aquele que pode permanecer. Aí entra-se por quatro degraus muito suaves, mas não entram nem deuses nem titãs, estes são alojados no subúrbio que ocupa mais da metade do mundo e submundo.
É natural que essa mitologia assuma tons sombrios. Tárano, deus do céu tempestuoso, suplanta Lug, deus do céu luminoso. Graal o vaso que recebeu o sangue do Cristo. Távola Redonda uma espécie de altar para a Santa Ceia. Incríveis proezas, do maravilhoso fácil, de ingenuidades tocantes, de frescor primitivo, incoerentes, personagens sem caráter nem cor, manequins cujas aventuras banais se desenrolam indefinidamente.E embora corresponda a antigas tradições autóctones, fazendo com que elas ressurgam, mesmo assim continuava uma coisa aprendida. Daí os erros que frequentemente cometeram. É aliás extremamente delicado determinar as causas e a importância exata desses erros.
Trata-se de um ritual de iniciação?
Uma tradição imperfeita?
Ou ainda uma tendência de heresia no interior da própria heresia, uma tentativa mais ou sincera de retorno à alegria?
Ou simplemente uma profanação, e utilizada sem maior deleite epara final diferente, daquele de quem foram criados. O provocar, aos deuses, deusas,  titas e musas. Tivessem-no negado, lançados à procura, sempre em busca de encontrar algo melhor, porque não amavam o que tinham! Assim acontece com muitos. Em amargos dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem deles, livres de  libertarem e vingarem. E nisto, o subjugar com um laço inquebrável. Em sua subjugação, são levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, a somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Escapam duplamente, por serem poéticos e místicos.
Mas ainda não sabemos, agora, de onde vem e para onde vai o mito. E talvez pressintamos de que modo ele pôde recriar-se numa vida ou numa obra, mas isso é intransferível.
Assim e longe de mim, adoro esta tentativa de analisar o processo da mitologia que me faz pensar e sonhar.

(André...)

domingo, 24 de novembro de 2019




(Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa...)

Ser poderoso de instinto animal, sabe-se que é sábio em rejeitar algo que corresponde, é a pura e verdadeira sabedoria. Poderemos chamar de sabedoria extrema o que se rejeita, mesmo sabendo que iria adorar. Concentrar no o seu pensamento, matéria, carne, contacto, sexualidade procriadora, enquanto um sentimento de adoração purificada pode se volver para um Deus-Espírito. Ao mesmo tempo, o amor pela vida acha-se parcialmente esquecido finalmente pode confessar-se sob a forma de um culto prestado ao arquétipo divino da mulher, desde que esta Deusa-Mãe deixe de ser virginal, desde que ela escape, porta da proibição mantida contra a mulher de carne. A união mística com essa divindade feminina significa então participar da força de um Deus luminoso. Como uma balança na mão, o peso por observar o silêncio, não o torna mais sábio. Poderemos até aceitar só o desejo, mas ainda não faz de nós sábios verdadeiramente. O que se consegue compreender, em ambos os lados omissos, o mal também faz parte, esse sábio instinto, aquele no qual todos os grandes defeitos foram  desenvolvidos. Só posso afirmar que esse é verdadeiramente sabedor do seu caminho. Aquele que consegue deitar os ódios fora, totalmente destruídos, desenraizados e extintos. Caminhar com máxima compreensão e despreocupação neste mundo. E só porque superou todos os caminhos que o poderiam levar ao caos. Como pode aquele que está cheio de desejo, ser sábio em não se render ao instinto. Ou tudo isso cai do céu, isto é, nasce de uma inspiração súbita e coletiva, mas ainda seria necessário explicar por que esses sentimentos foram produzidos, nesses momentos e nesses lugares bem definidos. Ou então tudo resulta de uma causa precisa, mas nesse caso, trata-se de saber por quais razões ele, o desejo, permaneceu obscuro até nossos dias. Ao mesmo tempo imagens personificadas, alteradas, verificadas, por assim dizer, que traduzem uma alegria verdadeira. Que se alimenta aquele impulso do espírito que, aliás, faz nascer esta linguagem. Quando ela ultrapassa o instinto, quando se torna verdadeiramente amor. Ele tende ao 
mesmo tempo a si próprio, seja para justificar-se, exaltar-se ou simplesmente para entreter-nos.
O duplo sentido é insignificativo.
Mas ao mesmo tempo vivemos imersos numa atmosfera romântica proporcionada, pelos espetáculos e por mil referências quotidianas, cujo sentido subliminar é mais ou menos o seguinte: a paixão é a experiência suprema que todo homem deve um dia conhecer, e somente aqueles que passarem por ela poderão viver a vida em uma plenitude.
E aí, não creio que ninguém actualmente, e em tempos vindouros, esteja em condições de resolver, talvez teorizar, todos e alguns desejos. Os especialistas mais bem informados ainda hesitam em atribuir um determinado nome ao desejo animal, que além de ortodoxo é muito conhecido, apenas não o queremos ver, a origem de termo preciso do desejo, não é mais do que o instinto básico de todos os seres.
Será o amor um desejo?
Desejo total, é a Aspiração luminosa, o impulso original elevado à sua mais alta potência, à extrema exigência de pureza que é extrema exigência de Unidade. Mas a unidade última é a negação do ser atual em sua sofredora multiplicidade e sobrevivência. Assim, o impulso supremo do desejo conduz àquilo que é o não-desejo. A dialética de êxtase, introduz na vida algo totalmente desconhecidos, aos ritmos da atração sexual, um desejo que não decresce jamais, que nada mais pode satisfazer, que até mesmo desdenha e foge à tentação de se realizar em nosso mundo, porque só deseja abraçar o outro. É a superação infinita, a ascensão do químico que atravessa as células e canais cerebrais, para o seu prazer.
E esse movimento é sem retorno.
Mas convém atender, para o humano na linguagem erótica, parece sempre mais inocente do que pode parecer aos nossos olhos. Quer queiram quer não, somos nós os neuróticos, herdeiros do erotismo aburguesado de um anterior século em contagem crescente. Onde a penetração psicológica, e os movimentos da carne atraída pelo impulso místico no seu início, exagera e também dissimula a gravidade relativa de tais acidentes. Talvez as fórmulas de sublimação e de fantasia são simplesmente, ou recusar saber do que se fala. Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa.

(André...)

sábado, 23 de novembro de 2019



(Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão...)

A minha tentação de falar de certas coisas do amor é pretexto muito pouco convincente, em se tratando de assunto tão denso. Vou simplicar complicando. Como por exemplo um beijo, ou dois. Daqueles em que o dente se une ao lábio, e por consequência sangra. Sangue onde podemos saborear o gosto do salgado da paixão, e o doce de uma gota de um amor quente. Na minha duvidosa vantagem, por sinal, impus algumas dificuldades a mim mesmo. Não quero  enaltecer nem depreciar aquilo chamo de amor, ou amor do amor, mas tento descrevê-lo como um fenômeno extraordinário. A maioria dos próprios prazeres, tal e qual a fadiga, no final de uma reflexão. A maioria destas palavras poderá ser comprovada na medida em que consiga sobretudo desagradar ou não ser entendido, e somente será útil para convencer aquelas e aqueles, que ao tomarem consciência, ao lê-lo, das razões que podiam considerá-lo principalmente incompreensível. Os apaixonados visualmente, vão dizer o quanto cínico sou, e aqueles que jamais conheceram a verdadeiramente a sensação de algo abstrato, ficarão surpresos, tornarão a chamar-me de cínico. Uns dirão que definir o amor significa perdê-lo. Outros, que perdemos nosso tempo. A quem saberei agradar? Àqueles que talvez queiram saber, ou, até mesmo, curar-se?
De onde vêm esta insatisfação do perpetuamente insatisfeito e esse louvor entusiasta e plangente de uma bela que sempre dirá não? Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão.

(André...)

sexta-feira, 22 de novembro de 2019




(E no final acontece o verdadeiro renascer da paixão...)

É então que a guerra se assemelha verdadeiramente como uma partida de xadrez. Quando, após um dos adversários perde e do alto de qualquer colina, da qual descortina todo o terreno do combate, todo o tabuleiro, avançar ou recuar habilmente seus belos regimentos.
"Xeque-mate" grita-se, e o perdedor recolhe o seu jogo, e os peões voltam à caixa ou os regimentos de hierarquias aos seus quartéis de madeira invernal. Depois cada um vai ocupar-se de seus pequenos mistérios esperando a partida ou a luta seguinte. Cada vez que o elemento jogo aparece na guerra, pode-se deduzir que a sociedade e sua cultura fazem um esforço para recriar o mito da paixão, ou seja, para resistir ao poder e aos  meios de expressão rituais. Recusar que as catástrofes sejam belas. Sem dúvida, a guerra e a paixão permanecem como males inevitáveis, além de secretamente desejados. Mas a grandeza do homem está em delimitar seus campos, em canalizá-las, utilizá-las ou mesmo subordiná-las a uma diplomacia de arte de civis. Numa, guerra total, aniquilar toda a possibilidade da paixão, a política nada mais faz que transportar as paixões individuais ao nível do ser coletivo.
Tudo o que a paixão faz, é negar aos indivíduos isolados, ela transfere-se para a paixão personificada. É a paixão que tem paixões. É ela (ou ele), que assume a dialética do obstáculo exaltante, da ascensão e da corrida, ao inconsciente para a morte heróica, a divina comédia. Noção correcta e simples das leis da guerra, espiritualizando a matéria, negligenciando o sentido natural das coisas e a influência do coração humano sobre as resoluções dos homens, em que o espiritualizar é talvez excessivo tratava-se apenas de racionalizar. Mas o termo de guerra e paixão, é esse desencadeamento dos instintos coletivos e das medidas catastróficas. Ora, aí estava o triunfo de uma civilização cujo maior esforço consiste em subordinar a Natureza, a matéria e suas fatalidades às leis da vida. Enquanto no interior e na verdade se evocam os problemas pessoais, no exterior e no alto o potencial de paixão morre no dia a dia. Esse eufemismo triunfa na moral que dá aos cidadãos, e esse eufemismo é a negação do racional, de toda espécie de aventura pessoal. Mas isso só pode aumentar a tensão do conjunto, personificado na paixão, como alguém disse:

"Procriai!"

Esse um alguém, que significava a verdadeira negação da paixão, também disse aos povos vizinhos:

"Somos demasiado numerosos para o espaço que temos, exijo portanto novas terras!

Assim acontece com muitos. Em amargos
dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem para deles se furtarem, deles se libertarem e deles se vingarem subjuga-os com um laço ainda mais forte.
seu aspecto diurno, seu reflexo moral em nossa vida de criaturas finitas. Falta o aspecto noturno, o florescimento na vida infinita da noite. Falta o que poderíamos chamar, simetricamente, "essa alegria majestosa que constitui toda a dor de uma guerra. Porque para atingi-la ou somente pressenti-la foi preciso chegar até morte da paixão. O pudor tão enaltecido, não pode existir, diga-se o que se quiser, sem um empobrecimento metafísico, um gerador de confusões incalculáveis. Enfim, essa paixão, por mais majestosa que a consideremos, fechada em si mesma, sem transcendência nem transposição na alegria, não se aceita tal como é no mundo, e mesmo assim é qualificada como prazer, nada mais é, que uma ilusão. Em angústia, somos levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, o somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Onde acaba a guerra. E no final  acontece o verdadeiro renascer da paixão!

(André...)