terça-feira, 26 de novembro de 2019


(Daí o meu desejo, sobejo, o risco da perda, a paixão sem fim, a vontade de ir sem regresso...)

Sou um intoxicado, é não de uma paixão, mas do desejo material que utilizo para inspirar-me, uma forma exaltada de auras de belas mulheres. Se a origem desse material é um desejo, consciente ou não, e não quero escapar à insuportável condição terrena, é o meu rudimentar apelo ao desejo. Mesmo assim sou um intoxicado!
Que não deixa de ser uma queda antes de tudo, um escravo de mentir e sentir, sentir e ir.
Psicologicamente, sou apenas mais um, cujos sentidos esbotam numa lágrima, cuja lucidez se encontra no desejo, e a pureza acaba perdida na paixão. Insistindo na necessidade de superar o estado de transe, de chegar a uma lucidez cada vez mais pura e audaciosa, e até mesmo de experimentar as mais altas graças na vida.
Não havia nada à minha volta!
Roubo-me o coração, apossesso-me do meu ser, prendo-me ao mundo e depois a mim, deixo-me apenas ao desejo, ao sangue do meu coração sedento. Ultrapasso o vazio total, onde apenas há o mundo e a musa, uma sombra com o seu objeto, até mesmo o desejo, tudo parece desvanecer-se numa penetração forte, no vazio de toda a paixão, onde tudo impele para cima, e tudo atrai para baixo. E só depende de cada um, corpos e coros onde todos os sentidos são convocados ao sabor das essências do êxtase, que involuntariamente transportamos para dentro do acto. Juntas despertam até memórias esquecidas!
Fisicamente a chave volátil, como pouca coisa consegue ser, entre o ontem e o amanhã, revela-se especialmente no contexto de mais como viajar no tempo. Viagem pelo corpo do mistério do romance, imerso na atmosfera de perdedor orgulho, o desejo de para sempre enaltecer a proeza, o motor dos grandes feitos do sexo entre duas energias de ser. Supostamente por mim nunca condenados, na verdade, jamais condenei a paixão e sexo, acho já me expliquei sobre esse ponto, e pronto.
Digo e insisto ainda, que condenar a paixão em princípio, equivaleria a querer suprimir um dos pólos da tensão vibrante e criadora.
Realmente, isso não é impossível!
O que mais se quer na vida?
Não me iludi com o que me escapou, observei tranquilamente e deixei as palavras embalar a mente. Ler a mente, saber o que alguém pensa e sente,embora muitas vezes se compreenda o que lê, não se sente. Mas como todos os passionais, eu amo temerariamente, a sensação de querer o poder do foco de calor de um corpo, que se experimenta no risco.
Daí o meu desejo, sobejo, o risco da perda, a paixão sem fim, a vontade de ir sem regresso.

(André...)

Sem comentários:

Enviar um comentário

Sejam bem-vindos...
Sintam-se em casa.