terça-feira, 3 de dezembro de 2019


(Um pensamento siamês em perpétuo movimento...)

Na minha opinião, a poesia em forma de prosa, parece-me como uma fenda, um lapso temporal  peculiar, um modo indomável. Esse tipo de escrita, não é uma leitura de poesia qualquer, é apenas paixão, não é para ser explicada, e muito menos pode ser recebida passivamente.
É uma suave troca de correntes elétricas invisíveis, energias, variadas e avariadas, através das palavras, neste meio citidiano, meio mundano, meio abusado, meio violento, meio desvalorizado. Para mim as palavras de um poeta, são aquele instrumento de decepção, de revolta, de revelação, de não pertença. Aquela coisa material, aquela faca, aquele pano, aquele barco, aquela colher, aquele tronco de uma árvore, aquele som de um tambor. Ou ser a lama, ser uma flauta, ser uma concha, ser a convocação para a liberdade. Onde o cinto numas calças velhas e rasgadas, essa iconografia aplicada, são aqueles elásticos esticados em volta dos cabelos, que estão prontos para partir. Mas há um tipo diferente de performance no centro do renascimento da poesia como arte oral. A arte do griot, realizada em aliança com música e dança, para evocar e catalisar uma comunidade ou comunidades, contra passividade e vitimização, para lembrar as pessoas às suas fontes espirituais e históricas. A poesia, aqui e agora, não depende, nem pode depender de enormes recursos econômicos e técnicos, embora um sistema diferente de relações sociais, possa muito bem vir a recorrer a tecnologias altamente sofisticadas, para seus próprios fins, sem ser dominado por elas. Escritor eu? Divago, não posso escrever um poema para a manipulação e satisfação de  outros. São apenas os meus sentimentos. Se de alguma forma aconteceu, foi pelo desarme total da minha consciência, pelo desarme do meu coração, na procura da minha imperfeição. Por isso mesmo, e mesmo que queira, não consigo escrever um poema por motivos desonestos. Claro que a imperfeição, levou-me a uma procedência de má qualidade, como uma ferramenta mal feita, uma tesoura que não corta mas espeta, uma broca que se desintegra na ponta de um berbequim, apenas no ponto de tensão. Não quero escrever simplesmente e falar de boas intenções, de querer acertar certas coisas, mostrar que sei amar e todos devem amar, que estou feliz ou sofrer, melhorar o mundo, ou transmissão de boa ou má energia. Nada disso. Prefiro que fique assim escrito e ter um significado menor do que aquilo que realmente penso. Fica ao critério do leitor como...Um pensamento siamês em perpétuo movimento.

(André...)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019


(Na planície da Terra-Velha...)

Um largo espaço assim, com o mundo inteiro a vibrar para além da visão. Algum tempo depois, novamente veio o silêncio.
Rumores de um esfregar que invade, uma fresta que se alargou. Então deu-se num relance a explicação do enigma de uma esfinge. Um sinal de discórdia cobre a sala, tudo o que foi está mais longe, um papel ressequido feito com o que parecia ser um cordão áspero, não se conhece nada além de um papel guardado ao meio. Onde se encontram letras, que rapidamente emergem, desenhadas com detalhes, movimentos para uma superação ondulante, longe de uma sala escura da frente de uma manhã. Essa fonte de conhecimento para fora através da folha que voa para longe ao longo de um traço de avião. Foi fracassado pelo que estava desesperado, inscrito nessa negligência significativa. Para o que está vazio da emoção, é inexistente não consegue encontrar o motivo. Assim como a vontade desse motivo que se  carrega. Sim, a decência existe, o lugar onde  brisas silenciosas vão além do horizonte até o nada. Vive no advento do cobertor, para saber novamente, saber exatamente o que significa respirar novamente. Não existe razão para coisas tão irreais quanto possam parecer que ocorram nesta vida. Mais uma vez, uma sala cheia de pensamentos, uma esfinge a enroscar-se, um lugar pacífico para se estar.
Na planície da Terra-Velha.

(André...)

domingo, 1 de dezembro de 2019


(Um planeta, um coração, uma rosa, numa mente subtil...)

A história veio a mim, e em fragmentos.
Oh! se eu pudesse contar tudo. Porque sinto que já vi e ouvi. Se a fala humana realmente pudesse contar tudo. Não era nem um pouco menos maravilhoso do que se deve encontrar, intocado na folha e no caule, e brilhante. Como quando floresceu á três mil anos atrás. Em alguma encosta, nasceu uma rosa perfeita. Através de um sonho vindo do espaço, é agora uma necessidade imortal que leva-me a colinas nunca vistas e florestas suspensas, todas elas bastante distantes. Numa solene escuridão e o fervor de uma estrela que brilha, mas gentil, mesmo com humor escondido. Sempre, e mais, adoro o clima cinzento, em alguma solidão suave, como um mar mais revolto na foz de um rio. Comuniquei com os ventos por cores, branco, azul, dourado, vermelho. Confuso fiquei com tons de pôr do sol ou da flor silvestre que nunca vi. Quis continuar a olhar para ela, numa noite de névoa e luar. Então veio a recordação de juventude, sem nada mais profundo, só em puros pensamentos. Contemplei-os sob uma chama de prata, novos aspectos de um lugar justo e favorito. Um único raio restringia todos os segredos daquela brisa, recordação silenciosa, mas não tão adormecida. Todas as coisas, a imaginação despertada de antigos jovens, um ar de expectativa profunda e solenemente quando se conta um segredo. Aqui, no próprio território abaixo de mim, eu capturo, mas ela o capta. E não acho sombriamente que noutro planeta  silencioso, flutuem emanações estreladas no chão, onde estes ouvidos marcianos são surdos, e esses olhos mercúrianos são cegos. Olhos que beijam a minha em chamas, e eu, em vão e sem conseguir, não escondi o ouvir. Uma asa ou um sussurro de agitação, como uma chamada do vento da noite da floresta, abaixo das flores, das árvores arremessam sonhos através do mar ondulado. Um planeta, um coração, uma rosa, numa mente subtil.

(André...)



(Como um raio-X ao corpo...)

Estava uma mulher numa janela com a cabeça para trás, e o vestido a cair descuidadamente, como pétalas delicadas escancaradas. A visão entra em colapso, e o ar sobre os ombros cristalizou. Naquele momento não havia palavras para essas coisas. Nós não dissemos uma palavra, todo o barulho estava ao nosso redor, pelo frio das mãos. Ela pediu-me para estender as mãos, mas o meu movimento foi de afastar. Respira com a boca, disse ela imponentemente. Inspiro suavemente, e , tump tump, tump tump, tump tump, sinto o coração a correr ao longo da minha coluna, para isolar o coração de proteção. E em cada sopro, cada respingo, cada bombada, em cada lençol manchado pela água da chuva. Dou por mim a pensar em percentagens, genótipos, por baixo de um arco sobem uma escadinhas.
Imaginei o corpo desenhado em secções,  flanco e lombo, e as pingas de sangue pingando. A minha língua falava de produtos agrupados que divergem, como mostarda e ketchup, que juntos são fatais. Os estudos, ao que parecem, são inconclusivos. Enormes batatas fritas tremiam em piscinas de azeite, pequenos aros de cebola, copos de papel puro cheios de um bom vinho. Tentei olhar para o quadro geral, uma batata frita sem molho na borda do prato, nem dentro, nem fora. Eu não me mexo, mas o canto interno do meu olho direito fica vítreo, a mera sugestão inunda a minha boca com memórias, tão ricas, que praticamente afogo-me em palavras. Então quebra-se a imagem, e mais nitidamente se vê, aquelas pétalas delicadas escancaradas, as mãos dela estendidas e o vestido a cair descuidadamente.
Como um raio-X ao corpo.

(André...)

sábado, 30 de novembro de 2019




(Alma com o Corpo, a comunhão com o Absoluto...)

Já é bastante difícil definir a felicidade em termos gerais, o problema torna-se insolúvel quando a ele se acrescenta o desejo do homem
moderno de tornar-se senhor de sua própria felicidade. Não posso ser mais que ninguém, nem ninguém mais que eu. Ou que talvez o equivalente, de sentir que o estofo a felicidade é feita, analisá-la, experimentá-la a fim de aperfeiçoá-la através de retoques bem calculados. A felicidade, que muitos apregoam incessantemente a todas as pessoas, depende disto, exige aquilo, e isto e mais aquilo, sempre alguma coisa que é preciso adquirir, em geral com dinheiro. Como resultado, e com essa propaganda ficamos obcecados com a idéia de uma felicidade fácil, ao mesmo tempo em que nos torna incapazes de atingi-la. Pois tudo que é oferecido, leva-nos ao mundo das comparações onde não pode haver felicidade enquanto o humano não for um.
A felicidade é uma mensagem, nós a perdemos a partir do momento em que pretendemos alcançá-la.A felicidade só pode existir na aceitação, quando a reivindicamos, ela deixa de existir, porque depende do ser e não do ter.
Talvez os tempos modernos não trouxeram qualquer elemento novo que justifique uma mudança de opinião.Talvez pela sua extraordinária originalidade, recorrentemente nos venha à memóriaeste diálogo. Abarcar o Mundo num olhar, não mirar os outros. Ali juntos. Simplesmente e dentro de uma oportunidade.
Quando queremos sentir a felicidade, quando queremos dominá-la por completo, em vez de sermos felizes pelo simples dom da vida.
Tudo isto existe, tudo isto é a vida, tudo isto ameaça, sobretudo porque não queremos reconhecê-lo. Mas às vezes o conhecimento
desses perigos nos faz entrever a possibilidade de vencê-los imediatamente com uma ausência insuportável de vida. Esse efeito , é um dia terrestre dos seres contingentes e o tormento da matéria, mas a morte é a noite da iluminação, o desvanecimento das formas ilusórias. Alma com o Corpo, a comunhão com o Absoluto.

(André...)


sexta-feira, 29 de novembro de 2019



(Pelo princípio do super-herói...)

Teoria:
Os pensamentos e a consciência causam impacto na matéria.

Pergunta:
É possível afectar o mundo físico com a minha atenção?

Hipótese:
Se focar a minha atenção em sementes germinadas, elas vão crescer mais rápido.

Tempo necessário:
7 dias.

Data e hora do início da experiência:
_________________________________________________________________

Abordagem:
Vou focar a minha atenção em feijões germinados. Vou enviar a eles vibrações
positivas e influenciá-los com minha energia. Pelo princípio do super-herói.

''Não há limites para o nosso ser, excepto aqueles, em que se acredita.''

Seth..."o professor desencarnado"

(André...)


(Uma paisagem de lembrança de paixão...)

Hoje podia ser outro dia normal, e isso é apenas o começo. Um homem que se apaixone por uma mulher, só pode considerar bela a sua beleza, ou talvez um louco, porjulgar alguém ser assim tão bela, assim sem saber. Dentro de poucos anos deve ser guardado em segredo, se não a conhecer. Sem dúvida, uma mulher é considerada bela, a cabeça, o busto, os seios, a anca, as pernas, os pés, ou uma linha invisível. Desde já peço desculpa, o entrar por aqui, sem avisar, e querer penetrar, ascender até essa beleza, é que por ela adorava ser hipnotizado. Essa  eterna ilusão, a mais ingênua e nem preciso perguntar, que Ilusão de liberdade és tu? Essa ilusão de plenitude, que chamo de livre quem possui esse coração. Mas, loucamente apaixonado pela busca ser possuído, despojado, lançado fora deste planeta pelo êxtase produzido. Já é a pura nostalgia o que estou a descrever. Enlouquece-me, a origem e o querer de um dia conhecer, o que eu próprio ignoro, a força, a beleza. Essa ilusão está baseada numa dupla visão. O estar apaixonado por, ou o puro enlouquecer. Como quem quer encontrar essa mulher, e amar somente e mais ninguém. Isto tudo assim escrito, porque lembrei-me, do sonho de uma aparição de uma nobre donzela a passear no horizonte. Uma paisagem de lembrança de paixão.

(André...)