(Como um raio-X ao corpo...)
Estava uma mulher numa janela com a cabeça para trás, e o vestido a cair descuidadamente, como pétalas delicadas escancaradas. A visão entra em colapso, e o ar sobre os ombros cristalizou. Naquele momento não havia palavras para essas coisas. Nós não dissemos uma palavra, todo o barulho estava ao nosso redor, pelo frio das mãos. Ela pediu-me para estender as mãos, mas o meu movimento foi de afastar. Respira com a boca, disse ela imponentemente. Inspiro suavemente, e , tump tump, tump tump, tump tump, sinto o coração a correr ao longo da minha coluna, para isolar o coração de proteção. E em cada sopro, cada respingo, cada bombada, em cada lençol manchado pela água da chuva. Dou por mim a pensar em percentagens, genótipos, por baixo de um arco sobem uma escadinhas.
Imaginei o corpo desenhado em secções, flanco e lombo, e as pingas de sangue pingando. A minha língua falava de produtos agrupados que divergem, como mostarda e ketchup, que juntos são fatais. Os estudos, ao que parecem, são inconclusivos. Enormes batatas fritas tremiam em piscinas de azeite, pequenos aros de cebola, copos de papel puro cheios de um bom vinho. Tentei olhar para o quadro geral, uma batata frita sem molho na borda do prato, nem dentro, nem fora. Eu não me mexo, mas o canto interno do meu olho direito fica vítreo, a mera sugestão inunda a minha boca com memórias, tão ricas, que praticamente afogo-me em palavras. Então quebra-se a imagem, e mais nitidamente se vê, aquelas pétalas delicadas escancaradas, as mãos dela estendidas e o vestido a cair descuidadamente.
Como um raio-X ao corpo.
Imaginei o corpo desenhado em secções, flanco e lombo, e as pingas de sangue pingando. A minha língua falava de produtos agrupados que divergem, como mostarda e ketchup, que juntos são fatais. Os estudos, ao que parecem, são inconclusivos. Enormes batatas fritas tremiam em piscinas de azeite, pequenos aros de cebola, copos de papel puro cheios de um bom vinho. Tentei olhar para o quadro geral, uma batata frita sem molho na borda do prato, nem dentro, nem fora. Eu não me mexo, mas o canto interno do meu olho direito fica vítreo, a mera sugestão inunda a minha boca com memórias, tão ricas, que praticamente afogo-me em palavras. Então quebra-se a imagem, e mais nitidamente se vê, aquelas pétalas delicadas escancaradas, as mãos dela estendidas e o vestido a cair descuidadamente.
Como um raio-X ao corpo.
(André...)

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