sábado, 7 de dezembro de 2019


(Correu uns passos e apanhou o táxi para casa...)

Depois de adiantar o expediente atrasado, de um modo satisfatório.
Concentrou-se nas requerimentos mais pequenos e separou os três que lhe interessavam mais naquele momento. Nisto o telefone toca, era do departamento de engenharia:

- Oi! Não me digas que ainda não conseguiste tratar dessa papelada toda? - (proferiu ele depois de se identificar.)
- Feito! Mas cheguei uns minutos tarde ao trabalho, estou só a acabar uns requerimentos.
- Não deves trabalhar assim tanto. Crias má fama  aqui em cima. Sabias?
- Não receies o teu emprego de sonho, que não estou a tentar impressionar ninguém. - (e soltou um riso seco). - E logo sempre mantém-se o que combinamos?
- Sim! Já tenho uma garrafa de vinho de reserva, e fico a tua espera na recepção!
- Então está combinado! Assim que acabar desço! Até já!
- Até já!

Depois de acabar a aprovação e assinaturas, em todos os requerimentos, encerrou o computador, vestiu o casaco e dirigiu-se, para a porta do elevador. No elevador olhou para o espelho e viu um autocolante que dizia:

"Um dia destes seremos obrigados a tudo."

E sorriu.

Chegou a recepção, e deparou-se com um silêncio total. Não havia viva alma por ali. Só o porteiro do lado de fora do prédio. Depois de uma tênue espera e adimitir a possibilidade de ninguém aparecer. Deu uns longos passos até ao final do balcão da recepção, e tomou coragem e dirigiu-se para a porta onde se encontrava o porteiro. Passou pela porta automática, e olhou agitada para os dois lados da avenida. Logo depois o porteiro pergunta:

-Em que lhe posso ser útil?

Tentou detectar-lhe sinais de reconhecimento, mas não os alcançou e anunciou-se:

- Sou assistente do Dr. Miranda, da contabilidade. Por acaso não está ninguém na recepção?
- Creio que sim!- ( virou-se para alcançar a recepção com o olhar )- Faz 5 minutos e estavam  duas pessoas a conversar.
- Desculpe incomodar, mas era um senhor que se encontrava lá dentro?
- Sim. Recordo-me que o senhor estava ao telemóvel. Nada mais.
- Estava só?
- Sim! ( respondeu o porteiro prontamente )
- Mas saiu ou voltou para cima?
- Isso é que já não sei dizer-lhe. Com tanta gente a entrar e sair!

Agradeceu-lhe e seguiu para a beira do passeio de pedra. Na esperança de ver um táxi, o telemóvel vibrou, levou as mãos ao bolso de trás das calças e desbloqueou o teclado. Era uma mensagem:

- " Mais logo apareço em tua casa...e desculpa mas tive que fazer um recado ao administrador quer que passe em casa dele...quer que leve os documentos relativos ao processo da Levitas que estamos em fase de conclusão...acho que vamos conseguir a tal parceria...vamos celebrar...levo o vinho o caviar e o champanhe. Bjs."

- Nem sabem da missa a metade! - ( falou em voz alta )

Por sorte e no final de bloquear o teclado do telemóvel, tinha acabado de passar um táxi em serviço, e parou 50 metros mais a frente para deixar um cliente. Correu uns passos e apanhou o táxi para casa.

(André...)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019


(Eram 7:28 da manhã de 8 Março de 2020...)

Corria apressadamente entre sombras de homens que riam, apertavam-na, arfavam como cavalos, numa corrente de escuridão, de uma  perigosa profundidade sem fim. Prosseguia em frente na sua corrida para escapar daquelas sombras.

"AFASTEM-SE! LARGUEM-ME! SOCORRO!"
Gritava a plenos pulmões, mas não obtinha resposta, não havia ninguém á vista. A garganta sufocava a cada passo que dava, e nisto, a perigosa profundidade sem fim, acabou. Ela terminou a corrida, e chegou a uma porta. Mas continuava a sufocar e a soluçar no próprio choro. Ouvia um som estridente vindo do interior da porta, daquela única saída, a cada passo que dava. As sombras cada vez mais próximas, lançam-se sobre o corpo dela, para a  dominar. Mais uma vez sentiu-se  apavorada. Ela esticou o braço numa tentativa desesperada para alcançar a saída daquele pesadelo, mas não conseguiu. Com o corpo dominado pelo terror, lancou-se para um abismo, abriu a boca e gritou.

"AAAHHHH!"
O grito tornou-se num som estridente, que a trouxe ao final do sono, não do pesadelo. Ainda desesperada, estende o braço e derrubou o telemóvel que tocava o alarme. E não só. O movimento atingiu, uma caixa decorativa e o livro que tinha para adormecer. O telemóvel e o livro reuniu-se com o chão. A caixinha partiu-se em cacos, era de porcelana japonesa. Com o ruído e a confusão instalada, abandona a cama antes de saber o que fazer correctamente. Passado alguns segundos recupera. Sente-se zonza e senta-se para pegar e desligar o alarme do telemóvel. Pega no livro fechou-o, e lançou-o  para cima da cama. Por um momento as palpitações do coração reduziram, e olhava concentrada para os cacos de porcelana.
Passa as mãos pelo cabelo húmido da transpiração e recompôe-se o suficiente para levantar o corpo, e ir buscar a pá e vassoura e apanhar os cacos. Abriu a tampa do caixote do lixo e...

"Ui! Já vou atrasada para o trabalho."
Eram 7:28 da manhã de 8 de Março de 2020

(André...)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019


(Quando no final do jogo de cores, aproxima-se a calma esperada...)

Fora dos meus elementos florestais de cimento. Depois de uma longa caminhada madrugal. O dia politiza os meus pensamentos sombrios. Sobre um cobertor de pelos, os pensamentos são substituídos pelo vento lento de cores. Essa natureza de ruptura criada, permitiu que as cores lentamente penetrassem e preparou-se um serpentiado da janela para a porta, e outra vez para a janela uma. Depois de ver a cores, imaginei o espaço, estrelas e galáxias e gelo e infinito, maiores do que eu seria o monte Olimpo. Um planeta verde quente, uma estrela vermelha sem fim, um buraco negro azul demais para saber, brilhante demais para ver. Sonhei com os olhos abertos, milhares de imagens. E vozes e dedos estendidos, brilhantes e suados. E espíritos agitados e arrebatadores.
Porque deixei o dedo grande do pé, de fora do cobertor? Foi ali que assisti a uma tensão a drenar lentamente o calor, onde as brisas frias, mas quentes da humidade, começam a acariciar suavemente o dedo grande, enquanto aprecio a bela composição da natureza das cores, das suas auras. Então cubro a cabeça enquanto a brisa cai e corro em busca de calor. As cores aparecem, mas foram interrompidas pelo facto de cair constantemente nelas. Então olho para o mundo, completamente alterado, à medida que a visibilidade diminui, e ele sorri. Onde os sons metálicos das cores batem no tecto do quarto e enchem os meus ouvidos e alma com algoritmos, ritmos e músicas.
Calma, calma. Quando no final do jogo de cores, aproxima-se a calma esperada.

(André...)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019


(Um cheiro a vermelho, verde e azul...)

Não estou de joelhos! Dizem as pessoas que tiveram dificuldades esta semana. Dizem algo sobre o brilho e a secura e dizem que esperam que isto mude. Nisto pressionam o barro, lançam um grão de poeira no ar. Pegam num pequeno e suave disco de plástico, e seguram como um coração de aves na palma da mão. Fartam-se de ouvir o CD riscado da radio, que escorregou e bateu, numa época em que todo um país esta sob o mar, de ondas vermelhas, chuva verde e neve azul.
Então o meu dedo desliza pela superfície, e  analisa o plástico em dois e depois em quatro, onde arestas têm um fim ao pé das plantas suburbanas.
Tens palavras, alguém me pergunta?
E eu repondo que tenho pássaros roxos, e os corações deles têm quatro espaços, um para cada resposta a pergunta como estas. Depois dos romances dos altos terraços dia montes altos, sem culpa, nas minúsculas esquinas esgotáveis ​​da rua, nas bibliotecas abandonadas, eu volto para a rua meio louco, cheia de estrofes sem sentido e onde os acadêmicos parecem mais sem sentido. Onde já posso ver versos minúsculos, cantos inesgotáveis ​​das ruas, nas bibliotecas abandonadas.
Então eu escondo o rosto, no princípio da lei da frontalidade egípcia, e apenas vou ser o meu próprio amigo, ser o meu próprio faraó, defendendo as pirâmides  dos Romanos. Porque eu, sou apenas uma mente cinzenta em um universo de preto e branco, misturado por diversas cores. E todas as vezes que olho para cima, uma faísca desperta. Um acender de uma chama, uma visão da realidade. Que no final do dia nós apenas somos cores misturadas aos olhos do outro. Onde é melhor deixarmos de olhar com o consentimento do silêncio, das visões. E as ruas comtemplam-se, se completam, e esta inovação irá aumentar para um ousado frescor. Um cheiro a vermelho, verde e azul.

(André...)



(O primeiro sinal de um sonho aproximado é  quando já acordei...)

Acordado para um lugar estranho, sem nenhum traço de como posso lá chegar. E o desconhecido, rostos próximos, com olhos semelhantes aos estilhaços, sombreados não pude deixar de notar que esses sentimentos emitidos eram algo que conheci antes. Mas onde? Levantei-me ao som da trombeta que persegue os sonhos ao amanhecer de um brilho desnaturado. As estrelas que ficaram apagadas, na terra e na água. Levantei-me e espalho esse orvalho que se cobre, sobre a pressão da noite passada. Esqueci tudo o vi. Homens, mulheres, tudo na terra recém-nascida.
E atenção! O Rock 'n' roll não é demoníaco, excepto que é mais adorável do que qualquer mistério. Abri olhos para o ar, como quem lava os olhos às estrelas durante toda a noite que foi húmida. E com a presença de duas energias acordo. E os sonhos que se tornaram realidade são chamados de visões. Divisões que fazem com que todos que entendem os meus tempos sejam visionários. Essas pessoas são visionárias estão acordadas, mesmo quando dormem e as que dormem dormem.  Eu diria para acordar, mas estou realmente a pensar que a maioria dos homens não vai conseguir isso, mesmo que os sonhos se tornem realidade. Eu usei um formato simples e felizmente, não há nenhuma outra informação neste site de poesia que mostre diagramas para eu elucidar-vos. Se segue  este, repense o mesmo para uma circulação mais ampla. Sei que se parar de escrever, os visionários sentirão falta disto e o resto ainda quererá mais. O primeiro sinal de um sonho aproximado é quando já acordei...já faz muito tempo.

(André...)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019


(Um pensamento siamês em perpétuo movimento...)

Na minha opinião, a poesia em forma de prosa, parece-me como uma fenda, um lapso temporal  peculiar, um modo indomável. Esse tipo de escrita, não é uma leitura de poesia qualquer, é apenas paixão, não é para ser explicada, e muito menos pode ser recebida passivamente.
É uma suave troca de correntes elétricas invisíveis, energias, variadas e avariadas, através das palavras, neste meio citidiano, meio mundano, meio abusado, meio violento, meio desvalorizado. Para mim as palavras de um poeta, são aquele instrumento de decepção, de revolta, de revelação, de não pertença. Aquela coisa material, aquela faca, aquele pano, aquele barco, aquela colher, aquele tronco de uma árvore, aquele som de um tambor. Ou ser a lama, ser uma flauta, ser uma concha, ser a convocação para a liberdade. Onde o cinto numas calças velhas e rasgadas, essa iconografia aplicada, são aqueles elásticos esticados em volta dos cabelos, que estão prontos para partir. Mas há um tipo diferente de performance no centro do renascimento da poesia como arte oral. A arte do griot, realizada em aliança com música e dança, para evocar e catalisar uma comunidade ou comunidades, contra passividade e vitimização, para lembrar as pessoas às suas fontes espirituais e históricas. A poesia, aqui e agora, não depende, nem pode depender de enormes recursos econômicos e técnicos, embora um sistema diferente de relações sociais, possa muito bem vir a recorrer a tecnologias altamente sofisticadas, para seus próprios fins, sem ser dominado por elas. Escritor eu? Divago, não posso escrever um poema para a manipulação e satisfação de  outros. São apenas os meus sentimentos. Se de alguma forma aconteceu, foi pelo desarme total da minha consciência, pelo desarme do meu coração, na procura da minha imperfeição. Por isso mesmo, e mesmo que queira, não consigo escrever um poema por motivos desonestos. Claro que a imperfeição, levou-me a uma procedência de má qualidade, como uma ferramenta mal feita, uma tesoura que não corta mas espeta, uma broca que se desintegra na ponta de um berbequim, apenas no ponto de tensão. Não quero escrever simplesmente e falar de boas intenções, de querer acertar certas coisas, mostrar que sei amar e todos devem amar, que estou feliz ou sofrer, melhorar o mundo, ou transmissão de boa ou má energia. Nada disso. Prefiro que fique assim escrito e ter um significado menor do que aquilo que realmente penso. Fica ao critério do leitor como...Um pensamento siamês em perpétuo movimento.

(André...)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019


(Na planície da Terra-Velha...)

Um largo espaço assim, com o mundo inteiro a vibrar para além da visão. Algum tempo depois, novamente veio o silêncio.
Rumores de um esfregar que invade, uma fresta que se alargou. Então deu-se num relance a explicação do enigma de uma esfinge. Um sinal de discórdia cobre a sala, tudo o que foi está mais longe, um papel ressequido feito com o que parecia ser um cordão áspero, não se conhece nada além de um papel guardado ao meio. Onde se encontram letras, que rapidamente emergem, desenhadas com detalhes, movimentos para uma superação ondulante, longe de uma sala escura da frente de uma manhã. Essa fonte de conhecimento para fora através da folha que voa para longe ao longo de um traço de avião. Foi fracassado pelo que estava desesperado, inscrito nessa negligência significativa. Para o que está vazio da emoção, é inexistente não consegue encontrar o motivo. Assim como a vontade desse motivo que se  carrega. Sim, a decência existe, o lugar onde  brisas silenciosas vão além do horizonte até o nada. Vive no advento do cobertor, para saber novamente, saber exatamente o que significa respirar novamente. Não existe razão para coisas tão irreais quanto possam parecer que ocorram nesta vida. Mais uma vez, uma sala cheia de pensamentos, uma esfinge a enroscar-se, um lugar pacífico para se estar.
Na planície da Terra-Velha.

(André...)