(Correu uns passos e apanhou o táxi para casa...)
Depois de adiantar o expediente atrasado, de um modo satisfatório.
Concentrou-se nas requerimentos mais pequenos e separou os três que lhe interessavam mais naquele momento. Nisto o telefone toca, era do departamento de engenharia:
- Oi! Não me digas que ainda não conseguiste tratar dessa papelada toda? - (proferiu ele depois de se identificar.)
- Feito! Mas cheguei uns minutos tarde ao trabalho, estou só a acabar uns requerimentos.
- Não deves trabalhar assim tanto. Crias má fama aqui em cima. Sabias?
- Não receies o teu emprego de sonho, que não estou a tentar impressionar ninguém. - (e soltou um riso seco). - E logo sempre mantém-se o que combinamos?
- Sim! Já tenho uma garrafa de vinho de reserva, e fico a tua espera na recepção!
- Então está combinado! Assim que acabar desço! Até já!
- Até já!
Depois de acabar a aprovação e assinaturas, em todos os requerimentos, encerrou o computador, vestiu o casaco e dirigiu-se, para a porta do elevador. No elevador olhou para o espelho e viu um autocolante que dizia:
"Um dia destes seremos obrigados a tudo."
E sorriu.
Chegou a recepção, e deparou-se com um silêncio total. Não havia viva alma por ali. Só o porteiro do lado de fora do prédio. Depois de uma tênue espera e adimitir a possibilidade de ninguém aparecer. Deu uns longos passos até ao final do balcão da recepção, e tomou coragem e dirigiu-se para a porta onde se encontrava o porteiro. Passou pela porta automática, e olhou agitada para os dois lados da avenida. Logo depois o porteiro pergunta:
-Em que lhe posso ser útil?
Tentou detectar-lhe sinais de reconhecimento, mas não os alcançou e anunciou-se:
- Sou assistente do Dr. Miranda, da contabilidade. Por acaso não está ninguém na recepção?
- Creio que sim!- ( virou-se para alcançar a recepção com o olhar )- Faz 5 minutos e estavam duas pessoas a conversar.
- Desculpe incomodar, mas era um senhor que se encontrava lá dentro?
- Sim. Recordo-me que o senhor estava ao telemóvel. Nada mais.
- Estava só?
- Sim! ( respondeu o porteiro prontamente )
- Mas saiu ou voltou para cima?
- Isso é que já não sei dizer-lhe. Com tanta gente a entrar e sair!
Agradeceu-lhe e seguiu para a beira do passeio de pedra. Na esperança de ver um táxi, o telemóvel vibrou, levou as mãos ao bolso de trás das calças e desbloqueou o teclado. Era uma mensagem:
- " Mais logo apareço em tua casa...e desculpa mas tive que fazer um recado ao administrador quer que passe em casa dele...quer que leve os documentos relativos ao processo da Levitas que estamos em fase de conclusão...acho que vamos conseguir a tal parceria...vamos celebrar...levo o vinho o caviar e o champanhe. Bjs."
- Nem sabem da missa a metade! - ( falou em voz alta )
Por sorte e no final de bloquear o teclado do telemóvel, tinha acabado de passar um táxi em serviço, e parou 50 metros mais a frente para deixar um cliente. Correu uns passos e apanhou o táxi para casa.
(André...)