domingo, 1 de dezembro de 2019


(Um planeta, um coração, uma rosa, numa mente subtil...)

A história veio a mim, e em fragmentos.
Oh! se eu pudesse contar tudo. Porque sinto que já vi e ouvi. Se a fala humana realmente pudesse contar tudo. Não era nem um pouco menos maravilhoso do que se deve encontrar, intocado na folha e no caule, e brilhante. Como quando floresceu á três mil anos atrás. Em alguma encosta, nasceu uma rosa perfeita. Através de um sonho vindo do espaço, é agora uma necessidade imortal que leva-me a colinas nunca vistas e florestas suspensas, todas elas bastante distantes. Numa solene escuridão e o fervor de uma estrela que brilha, mas gentil, mesmo com humor escondido. Sempre, e mais, adoro o clima cinzento, em alguma solidão suave, como um mar mais revolto na foz de um rio. Comuniquei com os ventos por cores, branco, azul, dourado, vermelho. Confuso fiquei com tons de pôr do sol ou da flor silvestre que nunca vi. Quis continuar a olhar para ela, numa noite de névoa e luar. Então veio a recordação de juventude, sem nada mais profundo, só em puros pensamentos. Contemplei-os sob uma chama de prata, novos aspectos de um lugar justo e favorito. Um único raio restringia todos os segredos daquela brisa, recordação silenciosa, mas não tão adormecida. Todas as coisas, a imaginação despertada de antigos jovens, um ar de expectativa profunda e solenemente quando se conta um segredo. Aqui, no próprio território abaixo de mim, eu capturo, mas ela o capta. E não acho sombriamente que noutro planeta  silencioso, flutuem emanações estreladas no chão, onde estes ouvidos marcianos são surdos, e esses olhos mercúrianos são cegos. Olhos que beijam a minha em chamas, e eu, em vão e sem conseguir, não escondi o ouvir. Uma asa ou um sussurro de agitação, como uma chamada do vento da noite da floresta, abaixo das flores, das árvores arremessam sonhos através do mar ondulado. Um planeta, um coração, uma rosa, numa mente subtil.

(André...)

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