(Qualquer coisa ou ser...)
Lá se vão os anos e ele já não toma por imagens, as manchetes dos telejornais por realidade. Também nessas imagens as coisas do mundo objetivo desempenham um sentido vital para configurar o ânimo e a subjetividade. Dispostos na mesa, o café, leite e o pão servem de sinais próximos, à altura da mão, mas vindos de outros sinais, a ponto de desencadear uma incerta vontade de falar do mundo distante. Já desde a primeira frase que ele já não toma as manchetes dos matutinos pela realidade,
Lá se vão os anos, e a vida ganha uma camada de permanência que contrasta com a impaciência de certas vontades que não se calam. Fica uma ansiedade perdida, em consonância com as cortinas agitadas. A inquietude, porém, acaba submetida às sentinelas solitárias e à companhia do pão, do café e do leite, novamento submetido às amarras da rotina. Na intimidade do homem maduro, curvado diante das evidências, ressoa uma recomendação silenciosa.
Ao final da paisagem, imóvel que ele vê fora da casa, acaba por predominar e selar a situação, emoldurando-a num sentimento de impotência e condicionamento. A paisagem não se move, o mar contrasta com a cidade, nada mais resta
ao olhar senão declinar-se sobre a linha dos prédios e o maciço das montanhas. Nenhum sinal de vento, nenhuma outra vida, nada que lembre uma força moral pesada como a tempestade. Faz parte dessa atitude não enfatizar os ornamentos de um moinho ou uma melopeia de criança.
Ao contrário essa visão, crítica a recusa dos mecanismos sociais que banalizam a linguagem e continua desejosa de uma expressão outra, em que seja possível uma linguagem pessoal e comprometida com a experiência vivida.
A ênfase do aspecto formal acaba por perder em naturalidade. Para o espírito reflexivo, interessam mais as ambiguidades e torções de sentido. Adequadas as palavras da ironia, do jogo de contrastes ou da liberdade associativa.
Todos esses sentimentos, a partir do apelo presente nas coisas da mesa, de um fora que seria para dentro, de um tudo aquilo que seria um corpo em que mãos, de natureza desconhecida, café e leite e imagens, estariam suadas pregando almofadas de trevas, com a graça, pássaro ao ar fresco, veio empoleirar-se sobre uma pedra. Para além do inteligível, os objetos do mundo sugerem uma dimensão paralela, configurada em cores, formas e na curiosa a elevação do pássaro. A condição de um a um, corpo em que mãos, de natureza desconhecida, uma almofada de pedra. Uma imagem, o pão, o café e o leite em cima da mesa, ou o pássaro elevar-se sobre a pedra, com graça. Qualquer coisa ou ser.
Lá se vão os anos, e a vida ganha uma camada de permanência que contrasta com a impaciência de certas vontades que não se calam. Fica uma ansiedade perdida, em consonância com as cortinas agitadas. A inquietude, porém, acaba submetida às sentinelas solitárias e à companhia do pão, do café e do leite, novamento submetido às amarras da rotina. Na intimidade do homem maduro, curvado diante das evidências, ressoa uma recomendação silenciosa.
Ao final da paisagem, imóvel que ele vê fora da casa, acaba por predominar e selar a situação, emoldurando-a num sentimento de impotência e condicionamento. A paisagem não se move, o mar contrasta com a cidade, nada mais resta
ao olhar senão declinar-se sobre a linha dos prédios e o maciço das montanhas. Nenhum sinal de vento, nenhuma outra vida, nada que lembre uma força moral pesada como a tempestade. Faz parte dessa atitude não enfatizar os ornamentos de um moinho ou uma melopeia de criança.
Ao contrário essa visão, crítica a recusa dos mecanismos sociais que banalizam a linguagem e continua desejosa de uma expressão outra, em que seja possível uma linguagem pessoal e comprometida com a experiência vivida.
A ênfase do aspecto formal acaba por perder em naturalidade. Para o espírito reflexivo, interessam mais as ambiguidades e torções de sentido. Adequadas as palavras da ironia, do jogo de contrastes ou da liberdade associativa.
Todos esses sentimentos, a partir do apelo presente nas coisas da mesa, de um fora que seria para dentro, de um tudo aquilo que seria um corpo em que mãos, de natureza desconhecida, café e leite e imagens, estariam suadas pregando almofadas de trevas, com a graça, pássaro ao ar fresco, veio empoleirar-se sobre uma pedra. Para além do inteligível, os objetos do mundo sugerem uma dimensão paralela, configurada em cores, formas e na curiosa a elevação do pássaro. A condição de um a um, corpo em que mãos, de natureza desconhecida, uma almofada de pedra. Uma imagem, o pão, o café e o leite em cima da mesa, ou o pássaro elevar-se sobre a pedra, com graça. Qualquer coisa ou ser.
(André...)






