(Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno...)
Que grande começo de dia, afinal foi esse.
No final de um sonho profundo, acordaram cedo, ainda mal adivinhavam a alvorada pelo buraco da fechadura. Um silêncio de comunhão e de vergonha. O cheiro ausente de suor de sexo, que gelava a quente cama adocicada, entrava pelos corpos dentro e punha-os a sonhar volúpias. E, no meio da nudez das coisas e daquele perfume, e começaram a sentir uma tal ânsia em abrir os lençóis, lançar almofadas ao ar e voltar a delirar. Mas não. Estoiravam-se por falar!
Felizmente, estavam com estranha sensação que os atormentava. Era apenas necessidade de se expandirem, de anunciar ao mundo que não sabia o quê. Aterrados em falsos contactos, recolhidos de medo e pudor, as gargantas secavam, como uma defesa instintiva. Foi o mesmo que nada!
Nenhuma vontade conseguia acalmar o grito
irreprimível que os sufocava. Foi como se de repente caísse um raio na cama e despertassem. Falaram, mas mal a voz lhes voou da boca, ficaram reduzidos a uma pergunta e a um pasmo. Mas nem acabaram sequer de entender o que se passava. Não se fartaram!
E, à semelhança da estranheza dos olhos, uma natureza bela e desgraçada. A incerteza relativa da precisão dos intervalos efectuados pelos corpos. Fricção entre a incerteza absoluta, e o sentimento mais provável da grandeza. Exprimem-se em busca de um ritual de magia, onde nenhum sabe para onde vai, nessa certeza. E quando na cama, já tudo desviava dos seus corpos, não havia outro remédio, senão fazer chegar altura de deitar fora um grito de prazer. E gritaram!
De resto, não podiam impedir por mais tempo a saída da saudação à luz que vinha rompendo entre as cortinas do quarto.
Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno.
No final de um sonho profundo, acordaram cedo, ainda mal adivinhavam a alvorada pelo buraco da fechadura. Um silêncio de comunhão e de vergonha. O cheiro ausente de suor de sexo, que gelava a quente cama adocicada, entrava pelos corpos dentro e punha-os a sonhar volúpias. E, no meio da nudez das coisas e daquele perfume, e começaram a sentir uma tal ânsia em abrir os lençóis, lançar almofadas ao ar e voltar a delirar. Mas não. Estoiravam-se por falar!
Felizmente, estavam com estranha sensação que os atormentava. Era apenas necessidade de se expandirem, de anunciar ao mundo que não sabia o quê. Aterrados em falsos contactos, recolhidos de medo e pudor, as gargantas secavam, como uma defesa instintiva. Foi o mesmo que nada!
Nenhuma vontade conseguia acalmar o grito
irreprimível que os sufocava. Foi como se de repente caísse um raio na cama e despertassem. Falaram, mas mal a voz lhes voou da boca, ficaram reduzidos a uma pergunta e a um pasmo. Mas nem acabaram sequer de entender o que se passava. Não se fartaram!
E, à semelhança da estranheza dos olhos, uma natureza bela e desgraçada. A incerteza relativa da precisão dos intervalos efectuados pelos corpos. Fricção entre a incerteza absoluta, e o sentimento mais provável da grandeza. Exprimem-se em busca de um ritual de magia, onde nenhum sabe para onde vai, nessa certeza. E quando na cama, já tudo desviava dos seus corpos, não havia outro remédio, senão fazer chegar altura de deitar fora um grito de prazer. E gritaram!
De resto, não podiam impedir por mais tempo a saída da saudação à luz que vinha rompendo entre as cortinas do quarto.
Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno.
(André...)

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