quinta-feira, 14 de novembro de 2019


(Num pesadelo de uma avalanche de fluídos corporais lembrei-me...)

Um pesadelo que temos tudo,
para sermos dominados,
pelos desejos ardentes...

De folhas de flores desenraízadas,
de sementes de frutos proibidos,
de paixão ardente e silenciosa...

Num raro vaso de cristal,
que criou o mais belo brilho,
abriu-se e sangrou uma fenda...

Provocado pelo chicote,
num reclamar de desejo,
encheste-me com os teus beijos...

E aí falaste-me dos teus desejos,
também dos mais obscuros,
destes tratamos no escuro...

Depois aconteceu,
sobre a mesa,
de todos ângulos...

Sim eu sei...

Fiquei um tarado,
nas tuas formas,
na submissão do teu corpo...

Sem precisar ser mandado,
apenas confortado no teu rigor,
em fluídos que rejuvenescem...

Fluídos que inundam o chão,
de outras coisas indeléveis,
dos nossos corpos...

Não quero perder-me com sentimento algum...

Só no espírito do teu corpo...

Quero apenas dizer...

Que não esperes por muito,
não me adules assim tanto,
porque sou apenas um louco animal...

Louco por ti.

(André...)

13 de Novembro de 2019

P.S. Um obrigado especial a quem me indicou a imagem, tu sabes quem és... OBRIGADO ... More than words ... And  Respect! ;)

quarta-feira, 13 de novembro de 2019





(Neste poema medíocre...)

Este poema em que o meu fado de ser quase um  poeta é condicionada por exigências sociais hipócritas...

Onde frequentemente a força dos meus sentimentos faz estalar a crosta de algumas feridas...

E então este quase poeta revela alguns traços em comum com o gosto romântico...

Esta minha aguda consciência do Eu e a perseguição de um destino incerto...

A submissão total ao Amor quase divinizado e muitas vezes oposto à razão...

Não quero esta insatisfação de sentimentos...

Querer rir sentir ser inocente esperar perguntar e corresponder...

Não quero ficar sem sonhos tão depressa...
Que não podem ser ofendidos magoados ou tocados...

Este pendor nocturno por vezes quase diurno...

Mostra-me uma reflexão em traços particulares associados ao momento que trazem as marcas de um gosto novo...

O prazer da solidão em imagens sombrias...

Negam a desconfiança em profecias que traduzem tudo num profundo egoísmo...

Uma inadaptação poética deste quase poeta ao ambiente em que vivo...

Neste poema medíocre.

(André...)

terça-feira, 12 de novembro de 2019


(A sonoridade destas palavras...)

Quais as palavras de que és feita,
bela deusa desconhecida,
desejos proibidos que evocas...

Provocas em mim um grande desejo,
palavras de uma vontade em mim,
que só uma e em todas te colocas...

Sem tempo, nem espaço de passeio,
que alheia da musa mostras o seio,
visão que afunda em calor e êxtase...

Talvez engane a mim próprio,
mas a minha suspeita dura,
iluminada, solitária, infinita...

Quero-te perfeitamente,
preciosa e incorruptível,
secretamente...

Mas peço-te permissão,
para candidatar-me um dia,
um dia conquistar-te o coração...

Entre as palavras as que escrevo,
favoritas e as que são estranhas,
as preferidas e as evitadas...

Só, assim na minha solidão,
alegra-se esta esperança,
a sonoridade destas palavras.

(André...)






(Representando-me para sempre...)

Todos os registos do imaginário, do possível e do impossível...

Os sentidos são convocados ao sabor da essência que transporto dentro de mim...

Dentro de tantos e tantos caminhos, apenas vidas, vidas provincianas, vidas colossais, vidas fantásticas, vidas atraentes, vidas assustadoras, vidas transbordantes de vida, vidas onde eu...

Diria a todos que agradaria permanecer...

                            Mas não...

Um acto de amor que me faz entrar nesses lugares de prazer e perdição...

Lugares que jamais conheceria, se as suas portas não tivessem sido franqueadas pela imaginação imposta de outros...

Todas as perspectivas do enigmático humano...

De todas elas provindas de experiências, de divagações oníricas...

Mundos que despertam sensações e pensamentos de que logo aprisiona-me...

Delineio todos os projectos, realizações e concretizações, multiplicados sem fim previsível, embora sujeito a inúmeros percalços tão antigos quanto a própria história da Terra...

E tão diversos quanto os insondáveis avatares do futuro...

Não serei encontrado nesta imperecível vida que conterá o Mundo...

Em tudo o que foi e será alcançado, a par do que não o tiver sido...

Não têm as palavras que necessariamente rimar num poema?

                        Felizmente...

Embora na verdade, atrevo, até, a afirmar que a felicidade rima neste verso...

Por que razão existimos,
que sentido tem a vida,
de onde vimos,
onde a morte é uma partida...

Para onde um dia irei cheio de interrogações para as quais não encontrei duas respostas absolutamente coincidentes...

Mas todas lá estarão, representando-me para sempre.

(André...)


segunda-feira, 11 de novembro de 2019


(Que deviam ser gelo...)

Uma brisa de gelo passou vagarosamente...

Uma após outra...

O som do gelo 
a queda de rios,
som de ventos e mares...

Campos suaves,
lençóis brancos de água,
fogo de gelo puro...

Eu pensei em tudo,
dormir por turnos,
e ainda minto...

Consigo dormir,
nas melodias dos pássaros...

Preciso ouvir,
os pronunciados das árvores de gelo...

Quero sentir
os choros melancólicos das palavras...

Mesmo assim ontem à noite,
e mais duas noites achei estranho...

E não podia entrega-me assim tão facilmente...

Então dormi...

Então ouvi...

Então senti...

Que sem o fogo,
qual é a riqueza do acordar?

Venham queridas musas,
de novos pensamentos,
que deviam ser gelo.

(André...)

domingo, 10 de novembro de 2019


(É Fogo..)

A extraordinária interioridade,
é completamente interminável,
é encontramos a eternidade antiga...

A primordial e infinita...

A própria vida...

Agora aquela palavra...

Palavras que fascinam,
se assemelham a um rufar de tambores,
de cantos e fórmulas mágicas...

Aquelas palavras,
estranha história contada,
estranhas histórias passadas...

Que existe um fogo dentro de todos...

O fogo, o despertar dessa força interior diz...

Não importa o que aconteça...

É Fogo.

(André...)





(E deixa- te levar pelo bendito dos motivos...)

Tu...

Sim tu alma vasta e dessossegada,
que só agora acordas cheia de vida,
longe de mim e perto dos sonhos,
perto da terra e longe dos olhos,
à sombra da luz barricada na noite,
vendo passar um sonho cambiante...

Tu...

Na palavra de apreço pela dureza do caminho, tem a paciência neste momento,
palco e bastidores as palmas da plateia,
remédio de gente de joelhos a resignar-se,
e aceita as sínteses levianas do tempo...

Tu...

Acorda que o sol ainda espera o pleno,
neste mundo que espera o teu aceno,
pela tua mão que arrasta várias multidões,
que se erguem a espera de novas canções,
ergue te, pois, mundo cheio de futuro...

Tu...

Naquela grande aridez que na vida pulsa,
sem ruído consegue triunfar e cresce,
no mesmo cauteloso alarido de cor,
para acordar a afonia cósmica,
de vez em quando quebrada pelos impulsos...

Tu...

Esses lábios que assobiam de tal modo,
que mais beijam que o vento sopra,
naquela fuga secreta desordenada,
um ponto de poder aflição de escuridão,
enche te de raios de luz de sonho puro...

Tu...

Um tudo ou nada excitada conta,
conta que na madrugada numa palavra,
regresso a casa vira como um pintassilgo,
para dentro dum velho grande cedro,
beija as palavras todas com a luz da alma...

Tu...

Ressuscita bela e ferverosa de madrugada,
abre o peito por fidelidade ao amanhecer, longínquo em que acordacom a vida,
bate nos sentidos na recordação da memória,
festejava-a religiosamente pelo dia adiante..

E deixa- te levar pelo bendito dos motivos.

(André...)