domingo, 10 de novembro de 2019






(E deixa- te levar pelo bendito dos motivos...)

Tu...

Sim tu alma vasta e dessossegada,
que só agora acordas cheia de vida,
longe de mim e perto dos sonhos,
perto da terra e longe dos olhos,
à sombra da luz barricada na noite,
vendo passar um sonho cambiante...

Tu...

Na palavra de apreço pela dureza do caminho, tem a paciência neste momento,
palco e bastidores as palmas da plateia,
remédio de gente de joelhos a resignar-se,
e aceita as sínteses levianas do tempo...

Tu...

Acorda que o sol ainda espera o pleno,
neste mundo que espera o teu aceno,
pela tua mão que arrasta várias multidões,
que se erguem a espera de novas canções,
ergue te, pois, mundo cheio de futuro...

Tu...

Naquela grande aridez que na vida pulsa,
sem ruído consegue triunfar e cresce,
no mesmo cauteloso alarido de cor,
para acordar a afonia cósmica,
de vez em quando quebrada pelos impulsos...

Tu...

Esses lábios que assobiam de tal modo,
que mais beijam que o vento sopra,
naquela fuga secreta desordenada,
um ponto de poder aflição de escuridão,
enche te de raios de luz de sonho puro...

Tu...

Um tudo ou nada excitada conta,
conta que na madrugada numa palavra,
regresso a casa vira como um pintassilgo,
para dentro dum velho grande cedro,
beija as palavras todas com a luz da alma...

Tu...

Ressuscita bela e ferverosa de madrugada,
abre o peito por fidelidade ao amanhecer, longínquo em que acordacom a vida,
bate nos sentidos na recordação da memória,
festejava-a religiosamente pelo dia adiante..

E deixa- te levar pelo bendito dos motivos.

(André...)




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