sábado, 30 de novembro de 2019




(Alma com o Corpo, a comunhão com o Absoluto...)

Já é bastante difícil definir a felicidade em termos gerais, o problema torna-se insolúvel quando a ele se acrescenta o desejo do homem
moderno de tornar-se senhor de sua própria felicidade. Não posso ser mais que ninguém, nem ninguém mais que eu. Ou que talvez o equivalente, de sentir que o estofo a felicidade é feita, analisá-la, experimentá-la a fim de aperfeiçoá-la através de retoques bem calculados. A felicidade, que muitos apregoam incessantemente a todas as pessoas, depende disto, exige aquilo, e isto e mais aquilo, sempre alguma coisa que é preciso adquirir, em geral com dinheiro. Como resultado, e com essa propaganda ficamos obcecados com a idéia de uma felicidade fácil, ao mesmo tempo em que nos torna incapazes de atingi-la. Pois tudo que é oferecido, leva-nos ao mundo das comparações onde não pode haver felicidade enquanto o humano não for um.
A felicidade é uma mensagem, nós a perdemos a partir do momento em que pretendemos alcançá-la.A felicidade só pode existir na aceitação, quando a reivindicamos, ela deixa de existir, porque depende do ser e não do ter.
Talvez os tempos modernos não trouxeram qualquer elemento novo que justifique uma mudança de opinião.Talvez pela sua extraordinária originalidade, recorrentemente nos venha à memóriaeste diálogo. Abarcar o Mundo num olhar, não mirar os outros. Ali juntos. Simplesmente e dentro de uma oportunidade.
Quando queremos sentir a felicidade, quando queremos dominá-la por completo, em vez de sermos felizes pelo simples dom da vida.
Tudo isto existe, tudo isto é a vida, tudo isto ameaça, sobretudo porque não queremos reconhecê-lo. Mas às vezes o conhecimento
desses perigos nos faz entrever a possibilidade de vencê-los imediatamente com uma ausência insuportável de vida. Esse efeito , é um dia terrestre dos seres contingentes e o tormento da matéria, mas a morte é a noite da iluminação, o desvanecimento das formas ilusórias. Alma com o Corpo, a comunhão com o Absoluto.

(André...)


sexta-feira, 29 de novembro de 2019



(Pelo princípio do super-herói...)

Teoria:
Os pensamentos e a consciência causam impacto na matéria.

Pergunta:
É possível afectar o mundo físico com a minha atenção?

Hipótese:
Se focar a minha atenção em sementes germinadas, elas vão crescer mais rápido.

Tempo necessário:
7 dias.

Data e hora do início da experiência:
_________________________________________________________________

Abordagem:
Vou focar a minha atenção em feijões germinados. Vou enviar a eles vibrações
positivas e influenciá-los com minha energia. Pelo princípio do super-herói.

''Não há limites para o nosso ser, excepto aqueles, em que se acredita.''

Seth..."o professor desencarnado"

(André...)


(Uma paisagem de lembrança de paixão...)

Hoje podia ser outro dia normal, e isso é apenas o começo. Um homem que se apaixone por uma mulher, só pode considerar bela a sua beleza, ou talvez um louco, porjulgar alguém ser assim tão bela, assim sem saber. Dentro de poucos anos deve ser guardado em segredo, se não a conhecer. Sem dúvida, uma mulher é considerada bela, a cabeça, o busto, os seios, a anca, as pernas, os pés, ou uma linha invisível. Desde já peço desculpa, o entrar por aqui, sem avisar, e querer penetrar, ascender até essa beleza, é que por ela adorava ser hipnotizado. Essa  eterna ilusão, a mais ingênua e nem preciso perguntar, que Ilusão de liberdade és tu? Essa ilusão de plenitude, que chamo de livre quem possui esse coração. Mas, loucamente apaixonado pela busca ser possuído, despojado, lançado fora deste planeta pelo êxtase produzido. Já é a pura nostalgia o que estou a descrever. Enlouquece-me, a origem e o querer de um dia conhecer, o que eu próprio ignoro, a força, a beleza. Essa ilusão está baseada numa dupla visão. O estar apaixonado por, ou o puro enlouquecer. Como quem quer encontrar essa mulher, e amar somente e mais ninguém. Isto tudo assim escrito, porque lembrei-me, do sonho de uma aparição de uma nobre donzela a passear no horizonte. Uma paisagem de lembrança de paixão.

(André...)


(Onde tudo só visto, num só tudo visto...)

Viver diante do escuro, faz qualquer um andar á deriva, num quarto iluminado. Uma cama semi-desarrumada. O povo na rua nem sempre está dormente. E sem qualquer mudança de música, toca o surdo. República democrática de um fadista, num dedilhar de uma guitarra portuguesa, que ecoa de leve na corrupção. Saudades de ti, Ary, que ainda ressoas nas velas deste país, no vento vasto na vasta improbabilidade do amanhã. Ouvido mouco o do rico, que fecha o olho do feliz, que tapa ao pobre o nariz. O cheiro a podre dos humanos. Será um último faro? Será um remendo do antigo fado? Não sei, sem qualquer realismo exacerbado. Acho que será legítimo este rasurado. Mas, ainda podemos ouvir com apenas um tímpano, o que já é audível em uma imagem internacional. Mas, ainda podemos ler com uma iris, as linhas das nebulosas, através de mais um temporal. Chamem de intemporal as tempestades, com quantas palavras se constrói uma Nação. Em toda a noção, nas páginas são publicadas a liberdade de expressão. Será a língua portuguesa a última flor inculta e bela? De certo vai manter-se a tona, na cultura internacional, quando for submersa por baixo existe a mazela. Enquanto isso, uma narina continua em crescimento acelerado. Depois disso, será mais um de nariz avermelhado, de uma constipação da corrupção. Existe mais que um Tribunal para justificar julgamentos. E a padaria já abriu? Será que o preço do pão subiu?
Os cidadãos de olhos fechados contrastam com cidadãs de bocas escancaradas a ver crianças de mãos sujas. Vidas de fases inglórias. Está na hora do verso configurado pelo verbo expressar. Minuto da escuridão temporária, segundo na palavra além de uma ocasião mais do que imaginária ao milésimo. A imensidão mais do que celestial, invade a contenda além dos meandros abandonados, no espaço natural. O tempo cronometrado pelo mesmo tempo, de pensamentos de porcaria, além de uma alforria. Seres imersos numa mesma degradação ambiental, banidos do espaço natural, em uma  paisagem alterada. Aqui vem ele, o pensador. Ali vem ela, a poesia. Depois vêm eles, elas e tudo. Em mais que um olhar, ao pousar no lugar. Como um firmamento artístico estelar. Onde tudo só visto, num só tudo visto.

(André...)


(Uma forma de se situar diante do mundo...)

Aos olhos dele, a sua parceira de primeira hora, a escrita automática, uma ambição, surgiu como alternativa à literatura. Logo se tornou ferramenta do quotidiano, para escrever à margem dos estilos conhecidos. Ao colocar em xeque o seu estatuto de merda, ficava mais à vontade para explorar novas possibilidade. Inclusive no que se beneficiado com uma onda de criatividade. É que o espírito de experimentação funde-se, mesmo com a ideia de outras vanguardas, cujo o seu apogeu entreguerras levou a uma explosão e exaustão. Uma linhagem reflexiva que valoriza o punctum sobre o studium, será  o saber, que previamente assume a óptica subjectiva para emoldurar o conteúdo objectivo ou imaginário ao seu gosto e sentido. A partir daí, as variações de modo e fundo se tornam múltiplas.
À sua maneira de produzir uma escrita voltada para produzir os movimentos líricos da alma, ondulações do devaneio ou sobressaltos da consciência. Mas não chega a constituir uma tendência organizada em grupo ou mobilizada por manifestos, com localização geográfica certa. Que começa por indagar de maneira, a se manter acesa a ambição renovadora.
Num diagnóstico da estudiosa, permanece e transforma-se num convite à reflexão, que leva a uma desorganização da frase e do plano semântico, sob o risco de cair no informal e no balbucio mental. A que permanece atenta aos movimentos líricos da alma e sobressaltos de consciência, conforme a máxima balbudiriana.
Nem consta dentre os balbucios conhecidos. Trata-se, sobretudo, de apontar uma atitude de resguardo, que se apoderou do poema em prosa, em natural decorrência da ressaca vanguardista. Sua matéria aparece aqui e ali, na voz de certos pensamentos e representa uma escrita qualificada em face das angústias emergentes, no contexto, e cujos ventos chegam à atualidade.
Mas também contunde e apunhala, numa forma idêntica, a pequena reflexão surge a partir de certa contusão lírica. Uma palavra serve de ponto de emanação das imagens e, por contrapartida, delineia traços de subjectividade. Ou o flagrante de uma intimidade digna de nota, como no ocorrido ao café da tarde manhã.
Faz parte do poder expressivo dessas
imagens justamente o componente de a casualidade e o contraste que oferecem em
meio ao trivial. Mas não chega sse alarido de cor para acordar as fragas. E a lição que recebia diariamente era a de uma irremediável afonia cósmica, de vez em quando quebrada pelo balido monossilábico dum cordeiro.
Uma forma de se situar diante do mundo.

(André...)

quinta-feira, 28 de novembro de 2019


(Qualquer coisa ou ser...)

Lá se vão os anos e ele já não toma por imagens, as manchetes dos telejornais por realidade. Também nessas imagens as coisas do mundo objetivo desempenham um sentido vital para configurar o ânimo e a subjetividade. Dispostos na mesa, o café, leite e o pão servem de sinais próximos, à altura da mão, mas vindos de outros sinais, a ponto de desencadear uma incerta vontade de falar do mundo distante. Já desde a primeira frase que ele já não toma as manchetes dos matutinos pela realidade,
Lá se vão os anos, e a vida ganha uma camada de permanência que contrasta com a impaciência de certas vontades que não se calam. Fica uma ansiedade perdida, em consonância com as cortinas agitadas. A inquietude, porém, acaba submetida às sentinelas solitárias e à companhia do pão, do café e do leite, novamento submetido às amarras da rotina. Na intimidade do homem maduro, curvado diante das evidências, ressoa uma recomendação silenciosa.
Ao final da paisagem, imóvel que ele vê fora da casa, acaba por predominar e selar a situação, emoldurando-a num sentimento de impotência e condicionamento. A paisagem não se move, o mar contrasta com a cidade, nada mais resta
ao olhar senão declinar-se sobre a linha dos prédios e o maciço das montanhas. Nenhum sinal de vento, nenhuma outra vida, nada que lembre uma força moral pesada como a tempestade. Faz parte dessa atitude não enfatizar os ornamentos de um moinho ou uma melopeia de criança.
Ao contrário essa visão, crítica a recusa dos mecanismos sociais que banalizam a linguagem e continua desejosa de uma expressão outra, em que seja possível uma linguagem pessoal e comprometida com a experiência vivida.
A ênfase do aspecto formal acaba por perder em naturalidade. Para o espírito reflexivo, interessam mais as ambiguidades e torções de sentido. Adequadas as palavras da ironia, do jogo de contrastes ou da liberdade associativa.
Todos esses sentimentos, a partir do apelo presente nas coisas da mesa, de um fora que seria para dentro, de um tudo aquilo que seria um corpo em que mãos, de natureza desconhecida, café e leite e imagens, estariam suadas pregando almofadas de trevas, com a graça, pássaro ao ar fresco, veio empoleirar-se sobre uma pedra. Para além do inteligível, os objetos do mundo sugerem uma dimensão paralela, configurada em cores, formas e na  curiosa a elevação do pássaro. A condição de um a um, corpo em que mãos, de natureza desconhecida, uma almofada de pedra. Uma imagem, o pão, o café e o leite em cima da mesa, ou o pássaro elevar-se sobre a pedra, com graça. Qualquer coisa ou ser.

(André...)


(Os autênticos, os enigmas dos normais...)


O ninguém vivia não apenas de desejo e palavras. Ele detestava as fases feitas, fases de tanto tempo quanto às datas que não sabia. Em particular as que sonhava aos olhos da infância, os livros de ouro e os pequenos diários, que foram queimados. Ignorava-se a sua origem, o que permitia aos curiosos criar inúmeras especulações a respeito. Se ele era um ninguém, mesmo ao ser traído pelo, ou um mísero cidadão deste país, e nesse caso ao menos seria conhecido algum parentesco.
Diziam alguns que ele se desinteressava da condição das palavras, que era um incurável egoísta, outros, ao contrário, sustentavam que, se ele mantinha distância dos outros era por estar infeliz. Algumas relações com mulheres lhe eram atribuídas, mas sempre com misteriosas viajantes que desembarcavam por uns dias e nunca mais apareciam. Os normais  inconfessavam sua impotência para incorporá-lo em seus tratados. Ele surgia com sua presença de surpresa, atraído, pode-se dizer, pelo rosto ou pela voz de um vocábulo em que ninguém havia percebido o poder de sedução, para se tornar um dos enigmas de pequenas poesias, prosas e contos. Assumindo abertamente o martelo da metalo plastica linguagem, impregnado de forte recusa em relação às formulas prontas que se manifestam na linguagem corriqueira. Não por acaso, inicia o dia ou a noite, como um libero, contra o amortecimento que caracteriza certos tipos de comunicação citidiana, e em particular, que lhe encheram os olhos da infância.
Desejoso de superar os limites, o ninguém está fadado a ser um estranho em contraponto à realidade que o circunda, até mesmo no tempo e lugar em que vive. Tocado por um sentimento de exclusão que o obriga á inclusão, a buscar alternativas. Indignado, revoltado e ao mesmo tempo atraído por misteriosas realidades. Resta ao ninguém, manter-se atento à surpresa de conteúdos imprevistos. Sensível ao apelo de um rosto, ou ao estranhamento de uma palavra amiga inesperada, despertado para um conteúdo novo. Só assim pode tomar de modo, os normais, pelos seus contactos.
Os autênticos, os enigmas dos normais.

(André...)