segunda-feira, 18 de novembro de 2019





(Será que este mundo criado pertence ao mito do amor?)

Tudo o que depende deste grande mito, e está, portanto, consagrado à necessidade, aos corpos consagrados ao desejo, cuja a tirania é disfarçada pelo filtro de amor.
O homem não é livre, é determinado pelo amor. Mas se assumir um destino feliz até a morte, que o liberta do corpo, poderá alcançar para além do tempo e do espaço, a realidade da Felicidade e do Amor. Essa fusão, de viver o Amor, a Alegria Suprema, a Nostalgia, a Saudade de uma sensualidade condenada á exploração.
O esforço da alma para escapar ao fundamental deste Século, à contradição trágica entre o remetente e o receptor, que só pode ser o Amor. Fazer sexo sem amar, ceder à sensualidade puramente física, eis o pecado supremo, o original.
Na minha visão, Amar de paixão pura, mesmo sem contato físico, como a espada entre os corpos e as separações, a suprema virtude, é a verdadeira via para se chamar amor puro.
Estranho é que até hoje ninguém encontrou uma saída para essas confusões.
A paixão, tornou-se vulgar pelos romances, pela música e pelo cinema, nada mais que uma via e uma invasão consumista, em nossas vidas, de uma oportunidade espiritualista, cujo o verdadeiro significado perdemos.
Os conflitos atuais de gerações, tradições, sociedades. Isto é, sempre inconscientemente numa hipocrisia, com a plena ignorância das causas, fins, lucros e riscos incorridos, em favor de uma moral sobrevivente que já não sabemos justificar.
E por outras razões, motivos ou objetivos, talvez, sempre nessa guerra constante com a evolução do mito, nunca saberemos o que será o amor.
Eis a questão!
(André...)



(ATÉ AO AMOR SEMPRE...)

Longe de querer destruir um esquema de interpretação transmitida ou inventada por alguns, prevaleça ou se imponha. Que para mim pouco me importa. Só procuro sentir-me melhor, compreender-me melhor, para melhor viver numa forma exaltada de existir, da minha única viagem neste planeta. Sinto que, ou talvez tenha a razão do meu lado, que é nas minhas costas que alguns se querem apoiar. Sim eles e elas, vocês e outros, para onde todos nós, arrastamos o vinho doce do romance primitivo. E através desta vulgaridade poética, concluí que é apenas uma questão de sentir o que me envolve, e não o que vos envolve, ou mesmo jogos de querer ver quem engana mais quem, ou de uma qualquer fonte questionável. O que escrevo é uma questão de intuição e de percepção, e não de demonstração ou de procura. O que escrevo é a minha vida. Uma vida de um quase poeta de revolta imediata, e amor de longe, cruzado com esperança de regressar a amar que, como uma lenda de um século anterior gritou:
"ATÉ Á VITORIA , SEMPRE!"
Ou como estas palavras surgiram neste momento:
"ATÉ AO AMOR, SEMPRE!"
Sugiro que esta última citação seja o único árbitro destes meus pensamentos, e assim sejam entendidos. E se os levarem para outras dimensões e patamares, não me culpem. Na verdade, não desejo condenar coisa alguma, porque sou apenas um operário fabril na industria da panificação. E não juíz, advogado, treinador, professor e muito menos um comentador assíduo da vida de alguém. Escrevo apenas para fazer ver-me a mim próprio, o sentir de mil contrastes, conflitos presos que á muito fugiram da minha realidade, e com isso definir melhor os meus objetivos de vida. Portanto agora trata-se de assumir as minhas tensões e de equilibrá-las criativamente, sem querer excluir ou maltratar alguém, por mais que queira, não quero, nem possuo esse poder. Toda a minha moral, toda a minha vida, assim como toda a minha doutrina política baseia-se num princípio, a composição do contrário e dos pólos opostos. Que toda a pessoa, é no fim de um todo detentora de um valor moral. Que deve ser no homem e na mulher, a essência do ser. Sentirem-se livres e ligados por uma união que ao mesmo tempo nos distingue de todos, e junta a todos, na qual todos somos responsáveis exclusivos pela maneira de pensamento, de amar únicamente em relação a todos. E para terminar, e na minha opinião, e para o interesse de todos, e para rimar, e para falar de maneira geral, é que não desisto, e não desistam de procurar a existência de um Amor essencial.

(André...)

domingo, 17 de novembro de 2019





(Inconfidência do silêncio de duas sombras...)

Impressionou-me uma primeira observação, feita de passagem de duas sombras...

Fisicamente superiores às suas consciências e particularmente a ninguém...

Nenhuma força exterior, pode impedi-las de apoderarem-se e de obedecerem ao seu destino...

Chegam a divinizar sem o menor escrúpulo...

Sobretudo e sobrepondo, tratando-se do direito da mente sobre o corpo...

É o prêmio habitual do dia a dia...

Evidentemente fácil responder:

As coisas passam desse modo porque, de outro modo, não haveria romance...

Tal resposta, no entanto, só parece convincente em virtude de um cômodo costume...

Na verdade, não responde a nada...

A inconfidência leva-me simplesmente a formular a pergunta fundamental:

Por que é necessário que exista um romance? 

Esse romance, precisamente?

Talvez a considere uma questão singela, não sem uma inconsciente sabedoria...

Pois pressinto que ela não deixam de ser perigosas...

Ela  conduzem-meefectivamente ao cerne do problema...

E sem dúvida o alcance ultrapassa o caso particular desta inconfidência...

Quem que por um esforço de abstração coloquei-me à margem do que é comum ao romance...

Tento perceber que uma convenção tácita, ou melhor, ter uma espécie de cumplicidade pela sombra...

Numa vontade de que o romance algum dia prossiga ou se reanime...

Suprimida esta vontade, tudo cai por terra, como acontece, será tanto mais exigente quanto maior...

Forem as consciências de que o desenrolar dos acontecimentos, não devem depender
nem de desejos, nem das fantasias...

Supondo ao contrário, essas inconfidências  do silêncio de duas sombras.

(André...)

sábado, 16 de novembro de 2019



(Inocentemente, profundamente e abissalmente...)

Quem ousa, confessar que deseja amar?

Quem detesta o dia que ofusca?

Quem espera, no mais íntimo de seu ser, o
aniquilamento do seu ser?

Quem ousa fazer essa confissão suprema?

Mas as gentes dizem:

"És louco"

E a paixão que desejo suscitar no leitor geralmente parece mais débil...

É pouco provável que ela alguma
vez tenha sido arrastada à confissão pelo meu excesso...

Por uma questãoque manifesto para além de todo o arrependimento possível...

Mas só afronto este silencio obscuro com a mais severa e lúcida paixão...

Porque substimo a garantia de que uma vontade pessoal e luminosa pode substituir outra...

Não sou o deus anônimo de uma força cega ou o nada que se apodera do meu secreto querer...

Mas um homem que promete a viva flama de amor que irrompe nos desertos da noite...

Não tenho nada confessar...

Desejo como se não desejasse....

Encerro numa verdade inverificável, injustificável, cujo conhecimento rejeito com horror...

Tenho a culpa pronta e ela engana-me melhor do que ninguém...

É um veneno que por força persegue-me, escolhe-me, deseja-me...

Acolhe-me neste destino obscuro e soberano  sentimento...

Tudo o trai na sua acção, até nestas palavras desesperadas, na sublime renúncia do meu pensamento...

E o fato de ignorá-lo é essencial para as razões da noite não são as mesmas do dia...

Em um delírio em face do qual toda sabedoria, toda verdade é a própria vida...

Está além da minha felicidade, do meu sofrimento...

Então lanço-me ao instante supremo em que o prazer total é...

Inocentemente ,profundamente e abissalmente.

(André...)

sexta-feira, 15 de novembro de 2019




(E que depois não se desvanece...)

Amor?

Está claro não é assim tão simples!

Por que perder tempo em explicar incessantemente que a realidade do amor é mais complexa do que tudo aquilo que se pode dizer a respeito dele...

Se a vida é confusa...

O amor não deve necessariamente limitado...

Se por vezes amamos e caímos...

Amar outra e outra vez é a solução...

Acham mesmo?

Isso são desculpas e estilizações prejudiciais
sentido profundo do verdadeiro mito do amor...

Amor?

É como um breve instante que depois sempre aparece...

O amor é uma merda de nevoeiro que queima com a primeira luz de realidade...

Só isto e apenas isso...

Que o amor é um denso nevoeiro da manhã que eu observo todos os dias quando acordo depois do sol nascer quase a pôr-se...

E que depois não se desvanece.

(André...)




(Naquele pedaço de couro castanho, com um rebordo dourado ou então uma aparição.)

Um pobre homem,
caminhava por uma praia,
não desejava ser animado,
apenas sem responder,
na obscura esperança,
sem mesmo olhar-se,
foi sentar-se na areia,
escolhida com cuidado....

Enquanto isso,
em cima de uma rocha,
o homem respirou...

Lançou um olhar de curiosidade...

Um volume maciço encadernado,
em macio couro castanho,
marcado com rebordo dourado...

Moveu cuidadamente as páginas,
uma palavra isolada,
uma frase acima,
sete linhas abaixo,
um parágrafo ali...

Endireitou os ombros...

Animou-se...

Chegou a uma conclusão...

Que o livro não o interessava,
e deparou com a compreensão...

Rico homem aquele,
que com crescente coerência,
a leitura daquele livro,
não a recomeçou...


Naquele pedaço de couro castanho,
com um rebordo dourado ou então uma aparição.




(André...)

quinta-feira, 14 de novembro de 2019



(Na luz do farol onde o mundo acaba e recomeça...)

Esse teu cabelo solto,
em cada manhã de insónias,
quando o farol nunca se apaga...

Nesse farol ser tudo o que quisermos,
neste meu corpo que já é o teu corpo,
onde descansas de todos os teus medos...

Adivinho-te na escuridão em cada poro,
a ternura que se solta no teu suor,
na dor prazerosa que abraçamos juntos...

Onde qualquer pretérito é o nunca,
e o nunca será mais-que-perfeito,
mesmo que o coração seja imperfeito...

Imperfeição que seja uma constante,
a cortar-nos a pele em mil palavras,
só percetíveis quando nos corta a carne...

Agora dispo o moralismo que me condena, incompreensão que é tão adornada,
vontade de crescer e a vontade de viver...

Porque a luz que sinto fora de mim,
é a mesma que sentes dentro de ti,
qualquer força desfalece assim...

Talvez a luz do farol volte a acender,
e possamos navegar os oceanos,
que só existem escondidos dentro de nós...

Com essa simplicidade que espero fugir,
aos demais enganos dos normais,
por isso decidi escrever esta carta de...

Dentro de nós existe a palavra mais rara,
existe em simultâneo em todas as partes,
na luz do farol onde o mundo acaba e recomeça.

(André...)