
(Inconfidência do silêncio de duas sombras...)
Impressionou-me uma primeira observação, feita de passagem de duas sombras...
Fisicamente superiores às suas consciências e particularmente a ninguém...
Nenhuma força exterior, pode impedi-las de apoderarem-se e de obedecerem ao seu destino...
Chegam a divinizar sem o menor escrúpulo...
Sobretudo e sobrepondo, tratando-se do direito da mente sobre o corpo...
É o prêmio habitual do dia a dia...
Evidentemente fácil responder:
As coisas passam desse modo porque, de outro modo, não haveria romance...
Tal resposta, no entanto, só parece convincente em virtude de um cômodo costume...
Na verdade, não responde a nada...
A inconfidência leva-me simplesmente a formular a pergunta fundamental:
Por que é necessário que exista um romance?
Esse romance, precisamente?
Talvez a considere uma questão singela, não sem uma inconsciente sabedoria...
Pois pressinto que ela não deixam de ser perigosas...
Ela conduzem-meefectivamente ao cerne do problema...
E sem dúvida o alcance ultrapassa o caso particular desta inconfidência...
Quem que por um esforço de abstração coloquei-me à margem do que é comum ao romance...
Tento perceber que uma convenção tácita, ou melhor, ter uma espécie de cumplicidade pela sombra...
Numa vontade de que o romance algum dia prossiga ou se reanime...
Suprimida esta vontade, tudo cai por terra, como acontece, será tanto mais exigente quanto maior...
Forem as consciências de que o desenrolar dos acontecimentos, não devem depender
nem de desejos, nem das fantasias...
nem de desejos, nem das fantasias...
Supondo ao contrário, essas inconfidências do silêncio de duas sombras.
(André...)
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