(Musa...)
Se à Musa tivesse sido atribuído significado às palavras, elas nunca teriam conquistado semelhante liberdade.
Que quando este poeta explode em labaredas, ardem os espectros, da paixão, do destino, do tempo e do espaço.
Há uma grande evidência, de que que a legitima liberdade deste poeta seja a musa, mas quem garante a existência desta tal Musa?
Que o tempo da Musa é protegido sob o véu da esperança, numa fortuna que nunca acaba,
numa felicidade sem fim.
Só a evidência de que este poeta esteja possuído pela beleza que quebra o tal círculo, a natureza da evidência de que a Musa inspira este poeta.
Que finge ser poeta, para que a cada dia o universo fique transparente, acessível, para que as pessoas possam aliviar as suas tristezas.
Não porque os poemas inspirados guardem a memória de outra maravilha, ou porque são memorizáveis, mas porque são eternamente memoráveis.
Que por direito, e não sei se estes poemas são belos por serem divinos, mas algo eu sei, a Musa é divina por ser bela.
Mas este poeta recusa a revelar as origens divinas da Musa, e a origem divina legitima, já se sabe, é a liberdade deste poeta.
(André...)
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
A poesia é dura durante a sua fase de escrita, porque são
duros os momentos que retrata, o individuo gentil, o ser humano…
A pergunta que faço todos os dias não tem resposta:
Como teria sido se tivesse vivido em outros tempos?
Talvez pudesse imprimir frases em sonetos, sonetos em
odes, melodia e cor, cheios de vida em todos os fenómenos.
Atravessando fronteiras que penetram o homem, em bens e
valores, como a amizade e até o amor.
Numa paz monstruosa que se alastra no pensamento que a
ele se entregue…
O poema no seu fatalismo e também no orgulho, enfrenta a
loucura de um mundo que perdeu a poesia onde ainda há esperança…
Pode até parecer incoerente o escrevinhar, mas este poeta
encontrou momentos especiais.
Onde o universo de maravilhas choca com o mundo de coisas
simples, como a natureza, as estações do ano e as brincadeiras dos animais…
Onde a sensação percebida é penetrante, colorida, é
vibrante e quase vivida…
Porque sabe que a vida é um sinal do que podemos saber, e
onde o poeta sabe que o mundo dorme, que não quer saber…
E até há quem o avise, mas a resposta vem da solidão
entre si, por isso mesmo está atento, na medida do impossível…vigilante, é o
poeta.
(André…)
9 de Outubro de 2019
(A estrutura murada que foi construída...)
O que me chamou a atenção...
O que se assemelham às curvas capilares pelas quais circulavam os fluidos corporais...
O sangue que através do corpo foi distribuído através de um redesenhar...
Artérias, veias,
vasos... pensamentos.
A compreensível biologia que transportou pequenos organismos, que ao mesmo tempo transportaram elementos que fluiram...
Integraram, combinaram,
reúniram...sentimentos.
E transformaram.
Num lugar ocuparão ou então serão integrados à massa celular estruturada, de uma maneira específica que, constitui parte do um corpo não orgânico...
Não esqueço o conceito, de que a inteligência está ancorada na ideia de uma capacidade antecipadora de eventos como resposta adaptativa ao meio ambiente...
É a consciência concebida como internalização de uma identidade externa duplicada...
Muros, mapas e símbolos...
É o que reconstrói o amor biológico e suas funções cognitivas e sociais à maneira de uma entidade sem autoconsciente e sem autodefesa.
Uma busca por sobrevivência resistindo ao caos da pura exterioridade onde todo o resto está fora do mundo.
Onde os ilimites deixam marcas numa entidade organizada nos elementos da exterioridade, cortando uma secção do muro.
Em mim, e em nós, e num tudo...
Por fim, podemos reconfigurar a funcionalidade dos elementos, em uma interação que defende e reproduz a estrutura murada que foi construída...
Para ser indestrutível.
(André...)
(Em si mesmo...)
Tudo na Natureza se transforma,
em verdade para si mesmo...
idêntica a ser ela sempre.
A vida da universalidade,
na natureza e no espírito,
de tudo o que é vivo.
Uma presencialidade permanente...
do mais remoto ser,
como do mais elevado.
Ela é diferenciação de si,
um ser para algo...
idêntica a si mesmo.
A eterna criação do mundo,
o eterno retorno do espírito...
dentro de si.
Um momento simultâneo,
um repouso absoluto,
uma eterna meditação.
O poder voltar a si,
de se unir a tudo,
e tudo possuir.
Esse poder...
Essa força...
Esse desejo...
Eis uma noção de evolução,
noção absolutamente geral,
uma maneira geral de vida.
É essa a evolução...
é a revolução...
universal em si mesmo.
(André )
22 de Outubro de 2017
(E eu gosto...)
Gotas de chuva podiam cair,
para pensar no que vou pensando.
Lá no alto do céu,
poder ofuscar e voar.
Pensamento longe,
viajando.
Soltando-se.
Procuro por ti chuva...
Onde te escondes?
Na beleza de muitas flores,
na tristeza de um vaso vazio.
Estou só.
E no mesmo assim,
sinto a tua presença...
Uma alegria,
alma amiga.
Sento-me aqui,
junto de mim...
E eu gosto!
(André...)
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