terça-feira, 10 de dezembro de 2019


(Num horizonte que só eu contemplo...)

Quebrou-se a minha harmonia nesta noite profunda, com um dedo que ficou sonolento num quarto de ferro crescente. Na montanha solitária, numa estrada da cidade que parece um campo semeado com grãos de nada. Onde as estrelas protestam silenciosamente, vestidas de véus finos, tecidos de seda, de sapos, e dedos infiltrados pela sombra. Eles, os dedos, ficaram calados na antiga estrada da cidade. A música continuou, e colocou a muda estrela mais antiga, diante de mim. Um vento que sentou-se no aquecedor de uma montanha escura. Dentro deste corpo solitário de uma vinha de casta simples. Ele quer dar a mão aos anos futuros, numa boleia para a lua. Mas a lua é uma uva perfumada num céu cristalizado, onde cada trincheira é uma estrela, cada véu é um pôr do sol, cada passo saltado de sapo, cada dedo como um traço de caneta, é uma linha comprimida, cheia de inspiração na aderência dos anos.  E ideias floresceram como cabeças gigantes como órbitas de planetas distantes. Não sonho hoje com o sangue da lua. E descanso. São sonhos da vida que ninguém vai dizer. Num horizonte que só eu contemplo.

(André...)

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