domingo, 27 de outubro de 2019


(Balançado distorcido, entre o frio, gelado e quente...)

A noite vence o dia, e no caos de toda a ordem como o fogo a entrar na neve...

Onde uma gota de orvalho gelada pousada no cetim de uma pétala...

O mal completa o bem, como a mulher completa o homem...

Às íntimas razões dessa comunhão profunda do crepúsculo ao alvorecer...

Horas feitas de egoísmo e alheamento...

A grandeza do mistério, e o cerco de amor...

Nenhuma outra consciência seguira no coração na noite os transes da transmutação.

E nenhuma outra inquietação fazia um milagre.

Seduzida e contagiada...

Nesta vida o que se perde, em primeiro não é a esperança...

Qual medo, qual pudor, qual nada!

Com letras eu anoto as minhas epopeias,
que corre nas minhas veias...

Palmas, música, gritos...

Um largo espaço assim, com o mundo inteiro a vibrar para além da prisão.

E novamente o silêncio e novamente as notas roucas de um som...

Fino e agudo das notas que ficaram a ressoar nos ouvidos maravilhados.

Ou do espanto que se passara a um rumor de pura admiração?

Mais palmas ao dançarino...

Por último dançamos outra dança.

Sentimentos mal definidos...

O espectro doirado lá estava sempre,
pronto para qualquer coisa...

Ao lado dos que passam pela dor,
ou certeza de que não sentem...

O que recito não decifrado são barras de culto...

Balançado distorcido,
entre o frio, gelado e quente.

(André...)

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