sábado, 23 de novembro de 2019



(Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão...)

A minha tentação de falar de certas coisas do amor é pretexto muito pouco convincente, em se tratando de assunto tão denso. Vou simplicar complicando. Como por exemplo um beijo, ou dois. Daqueles em que o dente se une ao lábio, e por consequência sangra. Sangue onde podemos saborear o gosto do salgado da paixão, e o doce de uma gota de um amor quente. Na minha duvidosa vantagem, por sinal, impus algumas dificuldades a mim mesmo. Não quero  enaltecer nem depreciar aquilo chamo de amor, ou amor do amor, mas tento descrevê-lo como um fenômeno extraordinário. A maioria dos próprios prazeres, tal e qual a fadiga, no final de uma reflexão. A maioria destas palavras poderá ser comprovada na medida em que consiga sobretudo desagradar ou não ser entendido, e somente será útil para convencer aquelas e aqueles, que ao tomarem consciência, ao lê-lo, das razões que podiam considerá-lo principalmente incompreensível. Os apaixonados visualmente, vão dizer o quanto cínico sou, e aqueles que jamais conheceram a verdadeiramente a sensação de algo abstrato, ficarão surpresos, tornarão a chamar-me de cínico. Uns dirão que definir o amor significa perdê-lo. Outros, que perdemos nosso tempo. A quem saberei agradar? Àqueles que talvez queiram saber, ou, até mesmo, curar-se?
De onde vêm esta insatisfação do perpetuamente insatisfeito e esse louvor entusiasta e plangente de uma bela que sempre dirá não? Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão.

(André...)

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