domingo, 17 de novembro de 2019





(Inconfidência do silêncio de duas sombras...)

Impressionou-me uma primeira observação, feita de passagem de duas sombras...

Fisicamente superiores às suas consciências e particularmente a ninguém...

Nenhuma força exterior, pode impedi-las de apoderarem-se e de obedecerem ao seu destino...

Chegam a divinizar sem o menor escrúpulo...

Sobretudo e sobrepondo, tratando-se do direito da mente sobre o corpo...

É o prêmio habitual do dia a dia...

Evidentemente fácil responder:

As coisas passam desse modo porque, de outro modo, não haveria romance...

Tal resposta, no entanto, só parece convincente em virtude de um cômodo costume...

Na verdade, não responde a nada...

A inconfidência leva-me simplesmente a formular a pergunta fundamental:

Por que é necessário que exista um romance? 

Esse romance, precisamente?

Talvez a considere uma questão singela, não sem uma inconsciente sabedoria...

Pois pressinto que ela não deixam de ser perigosas...

Ela  conduzem-meefectivamente ao cerne do problema...

E sem dúvida o alcance ultrapassa o caso particular desta inconfidência...

Quem que por um esforço de abstração coloquei-me à margem do que é comum ao romance...

Tento perceber que uma convenção tácita, ou melhor, ter uma espécie de cumplicidade pela sombra...

Numa vontade de que o romance algum dia prossiga ou se reanime...

Suprimida esta vontade, tudo cai por terra, como acontece, será tanto mais exigente quanto maior...

Forem as consciências de que o desenrolar dos acontecimentos, não devem depender
nem de desejos, nem das fantasias...

Supondo ao contrário, essas inconfidências  do silêncio de duas sombras.

(André...)

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