sábado, 30 de novembro de 2019




(Alma com o Corpo, a comunhão com o Absoluto...)

Já é bastante difícil definir a felicidade em termos gerais, o problema torna-se insolúvel quando a ele se acrescenta o desejo do homem
moderno de tornar-se senhor de sua própria felicidade. Não posso ser mais que ninguém, nem ninguém mais que eu. Ou que talvez o equivalente, de sentir que o estofo a felicidade é feita, analisá-la, experimentá-la a fim de aperfeiçoá-la através de retoques bem calculados. A felicidade, que muitos apregoam incessantemente a todas as pessoas, depende disto, exige aquilo, e isto e mais aquilo, sempre alguma coisa que é preciso adquirir, em geral com dinheiro. Como resultado, e com essa propaganda ficamos obcecados com a idéia de uma felicidade fácil, ao mesmo tempo em que nos torna incapazes de atingi-la. Pois tudo que é oferecido, leva-nos ao mundo das comparações onde não pode haver felicidade enquanto o humano não for um.
A felicidade é uma mensagem, nós a perdemos a partir do momento em que pretendemos alcançá-la.A felicidade só pode existir na aceitação, quando a reivindicamos, ela deixa de existir, porque depende do ser e não do ter.
Talvez os tempos modernos não trouxeram qualquer elemento novo que justifique uma mudança de opinião.Talvez pela sua extraordinária originalidade, recorrentemente nos venha à memóriaeste diálogo. Abarcar o Mundo num olhar, não mirar os outros. Ali juntos. Simplesmente e dentro de uma oportunidade.
Quando queremos sentir a felicidade, quando queremos dominá-la por completo, em vez de sermos felizes pelo simples dom da vida.
Tudo isto existe, tudo isto é a vida, tudo isto ameaça, sobretudo porque não queremos reconhecê-lo. Mas às vezes o conhecimento
desses perigos nos faz entrever a possibilidade de vencê-los imediatamente com uma ausência insuportável de vida. Esse efeito , é um dia terrestre dos seres contingentes e o tormento da matéria, mas a morte é a noite da iluminação, o desvanecimento das formas ilusórias. Alma com o Corpo, a comunhão com o Absoluto.

(André...)


sexta-feira, 29 de novembro de 2019



(Pelo princípio do super-herói...)

Teoria:
Os pensamentos e a consciência causam impacto na matéria.

Pergunta:
É possível afectar o mundo físico com a minha atenção?

Hipótese:
Se focar a minha atenção em sementes germinadas, elas vão crescer mais rápido.

Tempo necessário:
7 dias.

Data e hora do início da experiência:
_________________________________________________________________

Abordagem:
Vou focar a minha atenção em feijões germinados. Vou enviar a eles vibrações
positivas e influenciá-los com minha energia. Pelo princípio do super-herói.

''Não há limites para o nosso ser, excepto aqueles, em que se acredita.''

Seth..."o professor desencarnado"

(André...)


(Uma paisagem de lembrança de paixão...)

Hoje podia ser outro dia normal, e isso é apenas o começo. Um homem que se apaixone por uma mulher, só pode considerar bela a sua beleza, ou talvez um louco, porjulgar alguém ser assim tão bela, assim sem saber. Dentro de poucos anos deve ser guardado em segredo, se não a conhecer. Sem dúvida, uma mulher é considerada bela, a cabeça, o busto, os seios, a anca, as pernas, os pés, ou uma linha invisível. Desde já peço desculpa, o entrar por aqui, sem avisar, e querer penetrar, ascender até essa beleza, é que por ela adorava ser hipnotizado. Essa  eterna ilusão, a mais ingênua e nem preciso perguntar, que Ilusão de liberdade és tu? Essa ilusão de plenitude, que chamo de livre quem possui esse coração. Mas, loucamente apaixonado pela busca ser possuído, despojado, lançado fora deste planeta pelo êxtase produzido. Já é a pura nostalgia o que estou a descrever. Enlouquece-me, a origem e o querer de um dia conhecer, o que eu próprio ignoro, a força, a beleza. Essa ilusão está baseada numa dupla visão. O estar apaixonado por, ou o puro enlouquecer. Como quem quer encontrar essa mulher, e amar somente e mais ninguém. Isto tudo assim escrito, porque lembrei-me, do sonho de uma aparição de uma nobre donzela a passear no horizonte. Uma paisagem de lembrança de paixão.

(André...)


(Onde tudo só visto, num só tudo visto...)

Viver diante do escuro, faz qualquer um andar á deriva, num quarto iluminado. Uma cama semi-desarrumada. O povo na rua nem sempre está dormente. E sem qualquer mudança de música, toca o surdo. República democrática de um fadista, num dedilhar de uma guitarra portuguesa, que ecoa de leve na corrupção. Saudades de ti, Ary, que ainda ressoas nas velas deste país, no vento vasto na vasta improbabilidade do amanhã. Ouvido mouco o do rico, que fecha o olho do feliz, que tapa ao pobre o nariz. O cheiro a podre dos humanos. Será um último faro? Será um remendo do antigo fado? Não sei, sem qualquer realismo exacerbado. Acho que será legítimo este rasurado. Mas, ainda podemos ouvir com apenas um tímpano, o que já é audível em uma imagem internacional. Mas, ainda podemos ler com uma iris, as linhas das nebulosas, através de mais um temporal. Chamem de intemporal as tempestades, com quantas palavras se constrói uma Nação. Em toda a noção, nas páginas são publicadas a liberdade de expressão. Será a língua portuguesa a última flor inculta e bela? De certo vai manter-se a tona, na cultura internacional, quando for submersa por baixo existe a mazela. Enquanto isso, uma narina continua em crescimento acelerado. Depois disso, será mais um de nariz avermelhado, de uma constipação da corrupção. Existe mais que um Tribunal para justificar julgamentos. E a padaria já abriu? Será que o preço do pão subiu?
Os cidadãos de olhos fechados contrastam com cidadãs de bocas escancaradas a ver crianças de mãos sujas. Vidas de fases inglórias. Está na hora do verso configurado pelo verbo expressar. Minuto da escuridão temporária, segundo na palavra além de uma ocasião mais do que imaginária ao milésimo. A imensidão mais do que celestial, invade a contenda além dos meandros abandonados, no espaço natural. O tempo cronometrado pelo mesmo tempo, de pensamentos de porcaria, além de uma alforria. Seres imersos numa mesma degradação ambiental, banidos do espaço natural, em uma  paisagem alterada. Aqui vem ele, o pensador. Ali vem ela, a poesia. Depois vêm eles, elas e tudo. Em mais que um olhar, ao pousar no lugar. Como um firmamento artístico estelar. Onde tudo só visto, num só tudo visto.

(André...)


(Uma forma de se situar diante do mundo...)

Aos olhos dele, a sua parceira de primeira hora, a escrita automática, uma ambição, surgiu como alternativa à literatura. Logo se tornou ferramenta do quotidiano, para escrever à margem dos estilos conhecidos. Ao colocar em xeque o seu estatuto de merda, ficava mais à vontade para explorar novas possibilidade. Inclusive no que se beneficiado com uma onda de criatividade. É que o espírito de experimentação funde-se, mesmo com a ideia de outras vanguardas, cujo o seu apogeu entreguerras levou a uma explosão e exaustão. Uma linhagem reflexiva que valoriza o punctum sobre o studium, será  o saber, que previamente assume a óptica subjectiva para emoldurar o conteúdo objectivo ou imaginário ao seu gosto e sentido. A partir daí, as variações de modo e fundo se tornam múltiplas.
À sua maneira de produzir uma escrita voltada para produzir os movimentos líricos da alma, ondulações do devaneio ou sobressaltos da consciência. Mas não chega a constituir uma tendência organizada em grupo ou mobilizada por manifestos, com localização geográfica certa. Que começa por indagar de maneira, a se manter acesa a ambição renovadora.
Num diagnóstico da estudiosa, permanece e transforma-se num convite à reflexão, que leva a uma desorganização da frase e do plano semântico, sob o risco de cair no informal e no balbucio mental. A que permanece atenta aos movimentos líricos da alma e sobressaltos de consciência, conforme a máxima balbudiriana.
Nem consta dentre os balbucios conhecidos. Trata-se, sobretudo, de apontar uma atitude de resguardo, que se apoderou do poema em prosa, em natural decorrência da ressaca vanguardista. Sua matéria aparece aqui e ali, na voz de certos pensamentos e representa uma escrita qualificada em face das angústias emergentes, no contexto, e cujos ventos chegam à atualidade.
Mas também contunde e apunhala, numa forma idêntica, a pequena reflexão surge a partir de certa contusão lírica. Uma palavra serve de ponto de emanação das imagens e, por contrapartida, delineia traços de subjectividade. Ou o flagrante de uma intimidade digna de nota, como no ocorrido ao café da tarde manhã.
Faz parte do poder expressivo dessas
imagens justamente o componente de a casualidade e o contraste que oferecem em
meio ao trivial. Mas não chega sse alarido de cor para acordar as fragas. E a lição que recebia diariamente era a de uma irremediável afonia cósmica, de vez em quando quebrada pelo balido monossilábico dum cordeiro.
Uma forma de se situar diante do mundo.

(André...)

quinta-feira, 28 de novembro de 2019


(Qualquer coisa ou ser...)

Lá se vão os anos e ele já não toma por imagens, as manchetes dos telejornais por realidade. Também nessas imagens as coisas do mundo objetivo desempenham um sentido vital para configurar o ânimo e a subjetividade. Dispostos na mesa, o café, leite e o pão servem de sinais próximos, à altura da mão, mas vindos de outros sinais, a ponto de desencadear uma incerta vontade de falar do mundo distante. Já desde a primeira frase que ele já não toma as manchetes dos matutinos pela realidade,
Lá se vão os anos, e a vida ganha uma camada de permanência que contrasta com a impaciência de certas vontades que não se calam. Fica uma ansiedade perdida, em consonância com as cortinas agitadas. A inquietude, porém, acaba submetida às sentinelas solitárias e à companhia do pão, do café e do leite, novamento submetido às amarras da rotina. Na intimidade do homem maduro, curvado diante das evidências, ressoa uma recomendação silenciosa.
Ao final da paisagem, imóvel que ele vê fora da casa, acaba por predominar e selar a situação, emoldurando-a num sentimento de impotência e condicionamento. A paisagem não se move, o mar contrasta com a cidade, nada mais resta
ao olhar senão declinar-se sobre a linha dos prédios e o maciço das montanhas. Nenhum sinal de vento, nenhuma outra vida, nada que lembre uma força moral pesada como a tempestade. Faz parte dessa atitude não enfatizar os ornamentos de um moinho ou uma melopeia de criança.
Ao contrário essa visão, crítica a recusa dos mecanismos sociais que banalizam a linguagem e continua desejosa de uma expressão outra, em que seja possível uma linguagem pessoal e comprometida com a experiência vivida.
A ênfase do aspecto formal acaba por perder em naturalidade. Para o espírito reflexivo, interessam mais as ambiguidades e torções de sentido. Adequadas as palavras da ironia, do jogo de contrastes ou da liberdade associativa.
Todos esses sentimentos, a partir do apelo presente nas coisas da mesa, de um fora que seria para dentro, de um tudo aquilo que seria um corpo em que mãos, de natureza desconhecida, café e leite e imagens, estariam suadas pregando almofadas de trevas, com a graça, pássaro ao ar fresco, veio empoleirar-se sobre uma pedra. Para além do inteligível, os objetos do mundo sugerem uma dimensão paralela, configurada em cores, formas e na  curiosa a elevação do pássaro. A condição de um a um, corpo em que mãos, de natureza desconhecida, uma almofada de pedra. Uma imagem, o pão, o café e o leite em cima da mesa, ou o pássaro elevar-se sobre a pedra, com graça. Qualquer coisa ou ser.

(André...)


(Os autênticos, os enigmas dos normais...)


O ninguém vivia não apenas de desejo e palavras. Ele detestava as fases feitas, fases de tanto tempo quanto às datas que não sabia. Em particular as que sonhava aos olhos da infância, os livros de ouro e os pequenos diários, que foram queimados. Ignorava-se a sua origem, o que permitia aos curiosos criar inúmeras especulações a respeito. Se ele era um ninguém, mesmo ao ser traído pelo, ou um mísero cidadão deste país, e nesse caso ao menos seria conhecido algum parentesco.
Diziam alguns que ele se desinteressava da condição das palavras, que era um incurável egoísta, outros, ao contrário, sustentavam que, se ele mantinha distância dos outros era por estar infeliz. Algumas relações com mulheres lhe eram atribuídas, mas sempre com misteriosas viajantes que desembarcavam por uns dias e nunca mais apareciam. Os normais  inconfessavam sua impotência para incorporá-lo em seus tratados. Ele surgia com sua presença de surpresa, atraído, pode-se dizer, pelo rosto ou pela voz de um vocábulo em que ninguém havia percebido o poder de sedução, para se tornar um dos enigmas de pequenas poesias, prosas e contos. Assumindo abertamente o martelo da metalo plastica linguagem, impregnado de forte recusa em relação às formulas prontas que se manifestam na linguagem corriqueira. Não por acaso, inicia o dia ou a noite, como um libero, contra o amortecimento que caracteriza certos tipos de comunicação citidiana, e em particular, que lhe encheram os olhos da infância.
Desejoso de superar os limites, o ninguém está fadado a ser um estranho em contraponto à realidade que o circunda, até mesmo no tempo e lugar em que vive. Tocado por um sentimento de exclusão que o obriga á inclusão, a buscar alternativas. Indignado, revoltado e ao mesmo tempo atraído por misteriosas realidades. Resta ao ninguém, manter-se atento à surpresa de conteúdos imprevistos. Sensível ao apelo de um rosto, ou ao estranhamento de uma palavra amiga inesperada, despertado para um conteúdo novo. Só assim pode tomar de modo, os normais, pelos seus contactos.
Os autênticos, os enigmas dos normais.

(André...)

quarta-feira, 27 de novembro de 2019


(Onde uma estupidez, só tem uma resposta...)


Duas belas noites e uma invasão de tarde, e diga-se a verdade, também de ternuras, de cuidados, de abrigo reconfortante. Por fim lá acabou. Nunca mais se viram. Quem quer que fosse, não podiam chamar e assobiar à vontade. Nem se mexiam. Às vezes, perdidos de vício de uma imagem a sua frente. Mas viam. Esperavam pelo início, atiravam-se quando viam o fim, e foram indo! Errar, todos erravam, infelizmente. Pelo menos à frente deles. Mas, enfim, o que sentiam não era lá das piores tormentas, e largavam a voz na altura própria, e honradamente em eternos suspiros. Por isso, aguardavam que viesse outros dias. Isso os comoviam, onde surgiam  outros sonhos de menos risco, que poderiam fazer juntos pela cama. Era um sinal que se respeitavam, que tinham dignidade, com ecos de música, e do mundo. O que não quer dizer que não pudessem tratar de arranjar suas vidas sem dar nas vistas e sem acompanhamentos, que acabavam sempre em cenas desagradáveis. Apenas ver a felicidade dos amantes só comove pela expectativa da infelicidade que os sonda. Uma necessária ameaça da vida e das realidades hostis que afastam duas vidas para longe.
A saudade, a lembrança, e não a presença, os comovem. A presença é inexprimível, não possui uma duração sensível, só pode ser um instante de graça. Não que tivessem medo de qualquer dos finais, que costumavam aparecer nessas ocasiões. Se acontecia nelas, batia-se ali como deuses e deusas, até que as coisas ficassem esclarecidas.  E nunca ficaram do lado dos vencidos! Pelo contrário. Procuravam, contudo, afastar-se de amores e paixões. E disseram sempre que não. Senão, era uma vez dois amantes. Que, para chegar à miséria presente, a maioria pouco se preocupa em conhecer, em conhecer-se. Procura simplesmente o amor mais sensível. Mas ainda é verdadeiro o amor, cuja a feliz realização, em qualquer entrave vem retardar. Assim, querem o desejo mais consciente ou simplesmente o amor mais intenso, desejamos em segredo o obstáculo. Se for preciso, criamos o obstáculo, imagina-mo-lo. Como forças contraditórias, mas que os precipitam na mesma vertigem, os amantes só poderão se unir no instante, em que forem definitivamente privados de toda esperança humana, todo desejo possível. E no seio do obstáculo absoluto e de uma suprema exaltação, que se destrói pela sua realização.O obstáculo, cujo funcionamento foi visto, teria uma origem natural? Retardar o prazer devia ser  a astúcia mais elementar do desejo.
Onde uma estupidez, só tem uma resposta.


(André...)

terça-feira, 26 de novembro de 2019


(Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno...)


Que grande começo de dia, afinal foi esse.
No final de um sonho profundo, acordaram cedo, ainda mal adivinhavam a alvorada pelo buraco da fechadura. Um silêncio de comunhão e de vergonha. O cheiro ausente de suor de sexo, que gelava a quente cama adocicada, entrava pelos corpos dentro e punha-os a sonhar volúpias. E, no meio da nudez das coisas e daquele perfume, e começaram a sentir uma tal ânsia em abrir os lençóis, lançar almofadas ao ar e voltar a delirar. Mas não. Estoiravam-se por falar!
Felizmente, estavam com estranha sensação que os atormentava. Era apenas necessidade de se expandirem, de anunciar ao mundo que não sabia o quê. Aterrados em falsos contactos, recolhidos de medo e pudor, as gargantas secavam, como uma defesa instintiva. Foi o mesmo que nada!
Nenhuma vontade conseguia acalmar o grito
irreprimível que os sufocava. Foi como se de repente caísse um raio na cama e despertassem. Falaram, mas mal a voz lhes voou da boca, ficaram reduzidos a uma pergunta e a um pasmo. Mas nem acabaram sequer de entender o que se passava. Não se fartaram!
E, à semelhança da estranheza dos olhos, uma natureza bela e  desgraçada. A incerteza relativa  da precisão dos intervalos efectuados pelos corpos. Fricção entre a incerteza absoluta, e o sentimento mais provável da grandeza. Exprimem-se em busca de um ritual de magia, onde nenhum sabe para onde vai, nessa certeza. E quando na cama, já tudo desviava dos seus corpos, não havia outro remédio, senão fazer chegar altura de deitar fora um grito de prazer. E gritaram!
De resto, não podiam impedir por mais tempo a saída da saudação à luz que vinha rompendo entre as cortinas do quarto.
Devia ter sido, num certo primeiro amanhecer de inverno.

(André...)


(Daí o meu desejo, sobejo, o risco da perda, a paixão sem fim, a vontade de ir sem regresso...)

Sou um intoxicado, é não de uma paixão, mas do desejo material que utilizo para inspirar-me, uma forma exaltada de auras de belas mulheres. Se a origem desse material é um desejo, consciente ou não, e não quero escapar à insuportável condição terrena, é o meu rudimentar apelo ao desejo. Mesmo assim sou um intoxicado!
Que não deixa de ser uma queda antes de tudo, um escravo de mentir e sentir, sentir e ir.
Psicologicamente, sou apenas mais um, cujos sentidos esbotam numa lágrima, cuja lucidez se encontra no desejo, e a pureza acaba perdida na paixão. Insistindo na necessidade de superar o estado de transe, de chegar a uma lucidez cada vez mais pura e audaciosa, e até mesmo de experimentar as mais altas graças na vida.
Não havia nada à minha volta!
Roubo-me o coração, apossesso-me do meu ser, prendo-me ao mundo e depois a mim, deixo-me apenas ao desejo, ao sangue do meu coração sedento. Ultrapasso o vazio total, onde apenas há o mundo e a musa, uma sombra com o seu objeto, até mesmo o desejo, tudo parece desvanecer-se numa penetração forte, no vazio de toda a paixão, onde tudo impele para cima, e tudo atrai para baixo. E só depende de cada um, corpos e coros onde todos os sentidos são convocados ao sabor das essências do êxtase, que involuntariamente transportamos para dentro do acto. Juntas despertam até memórias esquecidas!
Fisicamente a chave volátil, como pouca coisa consegue ser, entre o ontem e o amanhã, revela-se especialmente no contexto de mais como viajar no tempo. Viagem pelo corpo do mistério do romance, imerso na atmosfera de perdedor orgulho, o desejo de para sempre enaltecer a proeza, o motor dos grandes feitos do sexo entre duas energias de ser. Supostamente por mim nunca condenados, na verdade, jamais condenei a paixão e sexo, acho já me expliquei sobre esse ponto, e pronto.
Digo e insisto ainda, que condenar a paixão em princípio, equivaleria a querer suprimir um dos pólos da tensão vibrante e criadora.
Realmente, isso não é impossível!
O que mais se quer na vida?
Não me iludi com o que me escapou, observei tranquilamente e deixei as palavras embalar a mente. Ler a mente, saber o que alguém pensa e sente,embora muitas vezes se compreenda o que lê, não se sente. Mas como todos os passionais, eu amo temerariamente, a sensação de querer o poder do foco de calor de um corpo, que se experimenta no risco.
Daí o meu desejo, sobejo, o risco da perda, a paixão sem fim, a vontade de ir sem regresso.

(André...)

segunda-feira, 25 de novembro de 2019


(Assim e longe de mim, adoro esta tentativa de analisar o processo da mitologia que me faz pensar e sonhar...)


Aquele conceito, que é chamado por vezes de mitologia. No palácio onde ela habita, há cinco janelas, quem consegue abrir as duas primeiras, passa facilmente pelas outra três, mas é difícil de lá sair, e vive na alegria aquele que pode permanecer. Aí entra-se por quatro degraus muito suaves, mas não entram nem deuses nem titãs, estes são alojados no subúrbio que ocupa mais da metade do mundo e submundo.
É natural que essa mitologia assuma tons sombrios. Tárano, deus do céu tempestuoso, suplanta Lug, deus do céu luminoso. Graal o vaso que recebeu o sangue do Cristo. Távola Redonda uma espécie de altar para a Santa Ceia. Incríveis proezas, do maravilhoso fácil, de ingenuidades tocantes, de frescor primitivo, incoerentes, personagens sem caráter nem cor, manequins cujas aventuras banais se desenrolam indefinidamente.E embora corresponda a antigas tradições autóctones, fazendo com que elas ressurgam, mesmo assim continuava uma coisa aprendida. Daí os erros que frequentemente cometeram. É aliás extremamente delicado determinar as causas e a importância exata desses erros.
Trata-se de um ritual de iniciação?
Uma tradição imperfeita?
Ou ainda uma tendência de heresia no interior da própria heresia, uma tentativa mais ou sincera de retorno à alegria?
Ou simplemente uma profanação, e utilizada sem maior deleite epara final diferente, daquele de quem foram criados. O provocar, aos deuses, deusas,  titas e musas. Tivessem-no negado, lançados à procura, sempre em busca de encontrar algo melhor, porque não amavam o que tinham! Assim acontece com muitos. Em amargos dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem deles, livres de  libertarem e vingarem. E nisto, o subjugar com um laço inquebrável. Em sua subjugação, são levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, a somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Escapam duplamente, por serem poéticos e místicos.
Mas ainda não sabemos, agora, de onde vem e para onde vai o mito. E talvez pressintamos de que modo ele pôde recriar-se numa vida ou numa obra, mas isso é intransferível.
Assim e longe de mim, adoro esta tentativa de analisar o processo da mitologia que me faz pensar e sonhar.

(André...)

domingo, 24 de novembro de 2019




(Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa...)

Ser poderoso de instinto animal, sabe-se que é sábio em rejeitar algo que corresponde, é a pura e verdadeira sabedoria. Poderemos chamar de sabedoria extrema o que se rejeita, mesmo sabendo que iria adorar. Concentrar no o seu pensamento, matéria, carne, contacto, sexualidade procriadora, enquanto um sentimento de adoração purificada pode se volver para um Deus-Espírito. Ao mesmo tempo, o amor pela vida acha-se parcialmente esquecido finalmente pode confessar-se sob a forma de um culto prestado ao arquétipo divino da mulher, desde que esta Deusa-Mãe deixe de ser virginal, desde que ela escape, porta da proibição mantida contra a mulher de carne. A união mística com essa divindade feminina significa então participar da força de um Deus luminoso. Como uma balança na mão, o peso por observar o silêncio, não o torna mais sábio. Poderemos até aceitar só o desejo, mas ainda não faz de nós sábios verdadeiramente. O que se consegue compreender, em ambos os lados omissos, o mal também faz parte, esse sábio instinto, aquele no qual todos os grandes defeitos foram  desenvolvidos. Só posso afirmar que esse é verdadeiramente sabedor do seu caminho. Aquele que consegue deitar os ódios fora, totalmente destruídos, desenraizados e extintos. Caminhar com máxima compreensão e despreocupação neste mundo. E só porque superou todos os caminhos que o poderiam levar ao caos. Como pode aquele que está cheio de desejo, ser sábio em não se render ao instinto. Ou tudo isso cai do céu, isto é, nasce de uma inspiração súbita e coletiva, mas ainda seria necessário explicar por que esses sentimentos foram produzidos, nesses momentos e nesses lugares bem definidos. Ou então tudo resulta de uma causa precisa, mas nesse caso, trata-se de saber por quais razões ele, o desejo, permaneceu obscuro até nossos dias. Ao mesmo tempo imagens personificadas, alteradas, verificadas, por assim dizer, que traduzem uma alegria verdadeira. Que se alimenta aquele impulso do espírito que, aliás, faz nascer esta linguagem. Quando ela ultrapassa o instinto, quando se torna verdadeiramente amor. Ele tende ao 
mesmo tempo a si próprio, seja para justificar-se, exaltar-se ou simplesmente para entreter-nos.
O duplo sentido é insignificativo.
Mas ao mesmo tempo vivemos imersos numa atmosfera romântica proporcionada, pelos espetáculos e por mil referências quotidianas, cujo sentido subliminar é mais ou menos o seguinte: a paixão é a experiência suprema que todo homem deve um dia conhecer, e somente aqueles que passarem por ela poderão viver a vida em uma plenitude.
E aí, não creio que ninguém actualmente, e em tempos vindouros, esteja em condições de resolver, talvez teorizar, todos e alguns desejos. Os especialistas mais bem informados ainda hesitam em atribuir um determinado nome ao desejo animal, que além de ortodoxo é muito conhecido, apenas não o queremos ver, a origem de termo preciso do desejo, não é mais do que o instinto básico de todos os seres.
Será o amor um desejo?
Desejo total, é a Aspiração luminosa, o impulso original elevado à sua mais alta potência, à extrema exigência de pureza que é extrema exigência de Unidade. Mas a unidade última é a negação do ser atual em sua sofredora multiplicidade e sobrevivência. Assim, o impulso supremo do desejo conduz àquilo que é o não-desejo. A dialética de êxtase, introduz na vida algo totalmente desconhecidos, aos ritmos da atração sexual, um desejo que não decresce jamais, que nada mais pode satisfazer, que até mesmo desdenha e foge à tentação de se realizar em nosso mundo, porque só deseja abraçar o outro. É a superação infinita, a ascensão do químico que atravessa as células e canais cerebrais, para o seu prazer.
E esse movimento é sem retorno.
Mas convém atender, para o humano na linguagem erótica, parece sempre mais inocente do que pode parecer aos nossos olhos. Quer queiram quer não, somos nós os neuróticos, herdeiros do erotismo aburguesado de um anterior século em contagem crescente. Onde a penetração psicológica, e os movimentos da carne atraída pelo impulso místico no seu início, exagera e também dissimula a gravidade relativa de tais acidentes. Talvez as fórmulas de sublimação e de fantasia são simplesmente, ou recusar saber do que se fala. Quando esse alguém, que sou eu, escreve o que sente numa emoção dos sentidos cada vez que um dia começa.

(André...)

sábado, 23 de novembro de 2019



(Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão...)

A minha tentação de falar de certas coisas do amor é pretexto muito pouco convincente, em se tratando de assunto tão denso. Vou simplicar complicando. Como por exemplo um beijo, ou dois. Daqueles em que o dente se une ao lábio, e por consequência sangra. Sangue onde podemos saborear o gosto do salgado da paixão, e o doce de uma gota de um amor quente. Na minha duvidosa vantagem, por sinal, impus algumas dificuldades a mim mesmo. Não quero  enaltecer nem depreciar aquilo chamo de amor, ou amor do amor, mas tento descrevê-lo como um fenômeno extraordinário. A maioria dos próprios prazeres, tal e qual a fadiga, no final de uma reflexão. A maioria destas palavras poderá ser comprovada na medida em que consiga sobretudo desagradar ou não ser entendido, e somente será útil para convencer aquelas e aqueles, que ao tomarem consciência, ao lê-lo, das razões que podiam considerá-lo principalmente incompreensível. Os apaixonados visualmente, vão dizer o quanto cínico sou, e aqueles que jamais conheceram a verdadeiramente a sensação de algo abstrato, ficarão surpresos, tornarão a chamar-me de cínico. Uns dirão que definir o amor significa perdê-lo. Outros, que perdemos nosso tempo. A quem saberei agradar? Àqueles que talvez queiram saber, ou, até mesmo, curar-se?
De onde vêm esta insatisfação do perpetuamente insatisfeito e esse louvor entusiasta e plangente de uma bela que sempre dirá não? Sempre vem do sábio lábio que sangra que surge de repente para traduzir uma nova paixão.

(André...)

sexta-feira, 22 de novembro de 2019




(E no final acontece o verdadeiro renascer da paixão...)

É então que a guerra se assemelha verdadeiramente como uma partida de xadrez. Quando, após um dos adversários perde e do alto de qualquer colina, da qual descortina todo o terreno do combate, todo o tabuleiro, avançar ou recuar habilmente seus belos regimentos.
"Xeque-mate" grita-se, e o perdedor recolhe o seu jogo, e os peões voltam à caixa ou os regimentos de hierarquias aos seus quartéis de madeira invernal. Depois cada um vai ocupar-se de seus pequenos mistérios esperando a partida ou a luta seguinte. Cada vez que o elemento jogo aparece na guerra, pode-se deduzir que a sociedade e sua cultura fazem um esforço para recriar o mito da paixão, ou seja, para resistir ao poder e aos  meios de expressão rituais. Recusar que as catástrofes sejam belas. Sem dúvida, a guerra e a paixão permanecem como males inevitáveis, além de secretamente desejados. Mas a grandeza do homem está em delimitar seus campos, em canalizá-las, utilizá-las ou mesmo subordiná-las a uma diplomacia de arte de civis. Numa, guerra total, aniquilar toda a possibilidade da paixão, a política nada mais faz que transportar as paixões individuais ao nível do ser coletivo.
Tudo o que a paixão faz, é negar aos indivíduos isolados, ela transfere-se para a paixão personificada. É a paixão que tem paixões. É ela (ou ele), que assume a dialética do obstáculo exaltante, da ascensão e da corrida, ao inconsciente para a morte heróica, a divina comédia. Noção correcta e simples das leis da guerra, espiritualizando a matéria, negligenciando o sentido natural das coisas e a influência do coração humano sobre as resoluções dos homens, em que o espiritualizar é talvez excessivo tratava-se apenas de racionalizar. Mas o termo de guerra e paixão, é esse desencadeamento dos instintos coletivos e das medidas catastróficas. Ora, aí estava o triunfo de uma civilização cujo maior esforço consiste em subordinar a Natureza, a matéria e suas fatalidades às leis da vida. Enquanto no interior e na verdade se evocam os problemas pessoais, no exterior e no alto o potencial de paixão morre no dia a dia. Esse eufemismo triunfa na moral que dá aos cidadãos, e esse eufemismo é a negação do racional, de toda espécie de aventura pessoal. Mas isso só pode aumentar a tensão do conjunto, personificado na paixão, como alguém disse:

"Procriai!"

Esse um alguém, que significava a verdadeira negação da paixão, também disse aos povos vizinhos:

"Somos demasiado numerosos para o espaço que temos, exijo portanto novas terras!

Assim acontece com muitos. Em amargos
dissabores de amor, angústias, pesadas penas e tormentos, o que fazem para deles se furtarem, deles se libertarem e deles se vingarem subjuga-os com um laço ainda mais forte.
seu aspecto diurno, seu reflexo moral em nossa vida de criaturas finitas. Falta o aspecto noturno, o florescimento na vida infinita da noite. Falta o que poderíamos chamar, simetricamente, "essa alegria majestosa que constitui toda a dor de uma guerra. Porque para atingi-la ou somente pressenti-la foi preciso chegar até morte da paixão. O pudor tão enaltecido, não pode existir, diga-se o que se quiser, sem um empobrecimento metafísico, um gerador de confusões incalculáveis. Enfim, essa paixão, por mais majestosa que a consideremos, fechada em si mesma, sem transcendência nem transposição na alegria, não se aceita tal como é no mundo, e mesmo assim é qualificada como prazer, nada mais é, que uma ilusão. Em angústia, somos levados por desejos irrealizáveis, cobiças impossíveis, o somente fazer o que aumenta a amargura. Aquele que orienta todos os seus desejos para uma felicidade inacessível, põe a vontade em guerra com o desejo. Onde acaba a guerra. E no final  acontece o verdadeiro renascer da paixão!

(André...)


quinta-feira, 21 de novembro de 2019



(Fica aqui uma questão, ou não...)

A falta de fundamentos ao amor é um problema antigo, mas eu gosto sempre de ir mais longe.
Por exemplo, e passo a citar um escritor, que não lembro o nome:
"O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas e as pessoas idiotas estão cheias de certezas"
O que me leva a crer, que tentar achar as respostas para os problemas da vida, apenas nos mantêm ignorantes frente às perguntas que nos poderiam ajudar, não só na Arte de viver, mas também na Arte de preservar o nosso Planeta.
Pois acredito que no mundo onde vivemos, a arte de fazer respostas, seja mais importante que a necessidade de achar certas respostas, é um mundo onde todos sabem tudo sobre os todos os fundamentos e aplicações de soluções, mas esse mundo não é o nosso, é o mundo perfeito, de uma espécie de humano perfeito, que nunca existiu.
De onde vem esse encanto?
E que cumplicidades nesse artifício de retóricas profundas sabe despertar as nossas mentes?
Que a combinação entre amor e morte seja aquilo que nos toca mais profundamente é um fato que estabelece à primeira vista o prodigioso sucesso do amor. Há outras razões, mais secretas, onde vivemos numa tal ilusão, numa tal mistificação, ou teremos realmente esquecido essa infelicidade?
Ou devemos acreditar que no nosso íntimo o que nos fere e nos exalta ao que aparentemente satisfaria nosso ideal de amor harmonioso?
Examinemos mais de perto esta contradição, com um esforço que por vezes pode parecer penoso, pois tende a substituir uma ilusão. Afirmar que o amor significa, de facto, um adultério é insistir na realidade que o nosso culto ao amor se disfarça e ao mesmo tempo transfigura. É revelar por onde esse culto se esconde. A recusa de nomear para nos permitir um abandono ardente àquilo que é, e ousaríamos reivindicar e exaltar o amor. Exprimindo em várias realidades, na medida em que nosso instinto o exige, mas também o disfarça, na medida em que seriam ameaçadas pelo grande despertar da razão.
Ou então, será na Inteligência Artificial que está a certeza de um dia, o amor se tornar perfeito?
Fica aqui uma questão, ou não.

(André...)

quarta-feira, 20 de novembro de 2019





(Desta vez a confiança é completa...)

Apenas se vê uma restia de luz, não esquecida, antes ultrapassada. Só, pelas ruas e vielas, em cima da hora e girava ao trocá-la pelo dia. O sentido desse rodar do mundo que dirige essa acção deve certamente escapar e, no fim de contas, de uma forma simplista que tudo se resuma numa fraqueza lógica de um voz em questão. Havia também várias vozes, que se pode dizer, falavam uns com os outros. Muitos não ouviam o a sua própria voz, como um camarada na ausência da sua bela, mas isso, devia ter sido à muito tempo.
Ela representava  um ser diferente do que eles seriam. Não tinha limites, não tinha forma, a sua voz estava em todas as vozes. Continha um som de estrelas, muitas batalhas, gritos de alegrias e dores. Só que gritados, de maneira que ninguém queria ouvir. Dissipava uma multidão, como se parte nos sonhos. Postos lado a lado, se observavam todos nus. Mesmo sem ver o que vem lá, ou sem que se saiba os porquês. Os poderes de  corpos, tanto quanto os poderes de exprimir o que podia dizer. Instintos animalescos incapazes de mentir, de dizer o que o instinto não faz, de adiantar-se ao necessário e à satisfação. Inversamente, a paixão, amor do amor, é o impulso que se adianta ao instinto e por isso mente ao espírito. O responsável de tal verdade só poderia ser os espíritos.
Profundamente ligados ao amor do amor, a expressão e a mentira se encontram ligados. E não seria atípica de toda a voz, essa vontade de exprimir-se, de descrever-se, como que para melhor usufruir de si mesma. A luz da noite não esperava que fosse doer muito. Um magnífico espectáculo suficiente, quando se olha muito tempo para um ponto. E depois de ter acalmado a terra e as nuvens. Maravilhosas palavras acerca do que passam como um sonho, em qualquer lugar, por mais pequeno que fosse. Tantas aventuras, numa sensação febril de sorrir para o próprio reflexo de mil formas. Um sonho profundo em que as nossas vidas estão envoltas. Desta vez a confiança é completa.

(André...)

terça-feira, 19 de novembro de 2019





(O que estou a escrever? Amor!...)

Da minha parte, não posso contentar-me com uma hipótese a tal ponto ser escrupulosa. Recuso-me a supor por um só instante, que os trovadores são uns fracos de espírito, apenas bons na incansável procura de fórmulas auto-adquiridas. Basta perguntar-me se o segredo da poesia não deveria ser bem mais próximo dela do que alguma vez, já se fez. Bem próximo de um todo, no mesmo lugar, no próprio ambiente onde nasceu. Não no meio puramente social, no sentido moderno. Mas sim na atmosfera contagiante, que determina as formas, inclusive sociais, de todas as palavras.
Resta-me, portanto, de um lado, de um fenômeno estranho, de outro, de todas as hipóteses que pretendo evita-lo.
É-me igualmente impossível, voltar a não amar. Um amor real, uma simples  fórmula vazia de sentido. É verdade, sem dúvida que é escrupuloso, abster-me de qualquer pronunciamento. Isto equivale a dizer que
a meu ver, a minha lírica cortês, da qual me ocupo, continua a ser, até que obtenha inspirações mais amplas, um amálgama de fórmulas vazias de sentido. Trata-se, na verdade, de um excelente material para qualquer trovador que se preze e que pretende solicitar o amor, fazê-lo. Ainda que seja com um mínimo esforço para compreendê-lo.
O que estou a escrever? Amor!

(André...)

segunda-feira, 18 de novembro de 2019





(Será que este mundo criado pertence ao mito do amor?)

Tudo o que depende deste grande mito, e está, portanto, consagrado à necessidade, aos corpos consagrados ao desejo, cuja a tirania é disfarçada pelo filtro de amor.
O homem não é livre, é determinado pelo amor. Mas se assumir um destino feliz até a morte, que o liberta do corpo, poderá alcançar para além do tempo e do espaço, a realidade da Felicidade e do Amor. Essa fusão, de viver o Amor, a Alegria Suprema, a Nostalgia, a Saudade de uma sensualidade condenada á exploração.
O esforço da alma para escapar ao fundamental deste Século, à contradição trágica entre o remetente e o receptor, que só pode ser o Amor. Fazer sexo sem amar, ceder à sensualidade puramente física, eis o pecado supremo, o original.
Na minha visão, Amar de paixão pura, mesmo sem contato físico, como a espada entre os corpos e as separações, a suprema virtude, é a verdadeira via para se chamar amor puro.
Estranho é que até hoje ninguém encontrou uma saída para essas confusões.
A paixão, tornou-se vulgar pelos romances, pela música e pelo cinema, nada mais que uma via e uma invasão consumista, em nossas vidas, de uma oportunidade espiritualista, cujo o verdadeiro significado perdemos.
Os conflitos atuais de gerações, tradições, sociedades. Isto é, sempre inconscientemente numa hipocrisia, com a plena ignorância das causas, fins, lucros e riscos incorridos, em favor de uma moral sobrevivente que já não sabemos justificar.
E por outras razões, motivos ou objetivos, talvez, sempre nessa guerra constante com a evolução do mito, nunca saberemos o que será o amor.
Eis a questão!
(André...)



(ATÉ AO AMOR SEMPRE...)

Longe de querer destruir um esquema de interpretação transmitida ou inventada por alguns, prevaleça ou se imponha. Que para mim pouco me importa. Só procuro sentir-me melhor, compreender-me melhor, para melhor viver numa forma exaltada de existir, da minha única viagem neste planeta. Sinto que, ou talvez tenha a razão do meu lado, que é nas minhas costas que alguns se querem apoiar. Sim eles e elas, vocês e outros, para onde todos nós, arrastamos o vinho doce do romance primitivo. E através desta vulgaridade poética, concluí que é apenas uma questão de sentir o que me envolve, e não o que vos envolve, ou mesmo jogos de querer ver quem engana mais quem, ou de uma qualquer fonte questionável. O que escrevo é uma questão de intuição e de percepção, e não de demonstração ou de procura. O que escrevo é a minha vida. Uma vida de um quase poeta de revolta imediata, e amor de longe, cruzado com esperança de regressar a amar que, como uma lenda de um século anterior gritou:
"ATÉ Á VITORIA , SEMPRE!"
Ou como estas palavras surgiram neste momento:
"ATÉ AO AMOR, SEMPRE!"
Sugiro que esta última citação seja o único árbitro destes meus pensamentos, e assim sejam entendidos. E se os levarem para outras dimensões e patamares, não me culpem. Na verdade, não desejo condenar coisa alguma, porque sou apenas um operário fabril na industria da panificação. E não juíz, advogado, treinador, professor e muito menos um comentador assíduo da vida de alguém. Escrevo apenas para fazer ver-me a mim próprio, o sentir de mil contrastes, conflitos presos que á muito fugiram da minha realidade, e com isso definir melhor os meus objetivos de vida. Portanto agora trata-se de assumir as minhas tensões e de equilibrá-las criativamente, sem querer excluir ou maltratar alguém, por mais que queira, não quero, nem possuo esse poder. Toda a minha moral, toda a minha vida, assim como toda a minha doutrina política baseia-se num princípio, a composição do contrário e dos pólos opostos. Que toda a pessoa, é no fim de um todo detentora de um valor moral. Que deve ser no homem e na mulher, a essência do ser. Sentirem-se livres e ligados por uma união que ao mesmo tempo nos distingue de todos, e junta a todos, na qual todos somos responsáveis exclusivos pela maneira de pensamento, de amar únicamente em relação a todos. E para terminar, e na minha opinião, e para o interesse de todos, e para rimar, e para falar de maneira geral, é que não desisto, e não desistam de procurar a existência de um Amor essencial.

(André...)

domingo, 17 de novembro de 2019





(Inconfidência do silêncio de duas sombras...)

Impressionou-me uma primeira observação, feita de passagem de duas sombras...

Fisicamente superiores às suas consciências e particularmente a ninguém...

Nenhuma força exterior, pode impedi-las de apoderarem-se e de obedecerem ao seu destino...

Chegam a divinizar sem o menor escrúpulo...

Sobretudo e sobrepondo, tratando-se do direito da mente sobre o corpo...

É o prêmio habitual do dia a dia...

Evidentemente fácil responder:

As coisas passam desse modo porque, de outro modo, não haveria romance...

Tal resposta, no entanto, só parece convincente em virtude de um cômodo costume...

Na verdade, não responde a nada...

A inconfidência leva-me simplesmente a formular a pergunta fundamental:

Por que é necessário que exista um romance? 

Esse romance, precisamente?

Talvez a considere uma questão singela, não sem uma inconsciente sabedoria...

Pois pressinto que ela não deixam de ser perigosas...

Ela  conduzem-meefectivamente ao cerne do problema...

E sem dúvida o alcance ultrapassa o caso particular desta inconfidência...

Quem que por um esforço de abstração coloquei-me à margem do que é comum ao romance...

Tento perceber que uma convenção tácita, ou melhor, ter uma espécie de cumplicidade pela sombra...

Numa vontade de que o romance algum dia prossiga ou se reanime...

Suprimida esta vontade, tudo cai por terra, como acontece, será tanto mais exigente quanto maior...

Forem as consciências de que o desenrolar dos acontecimentos, não devem depender
nem de desejos, nem das fantasias...

Supondo ao contrário, essas inconfidências  do silêncio de duas sombras.

(André...)

sábado, 16 de novembro de 2019



(Inocentemente, profundamente e abissalmente...)

Quem ousa, confessar que deseja amar?

Quem detesta o dia que ofusca?

Quem espera, no mais íntimo de seu ser, o
aniquilamento do seu ser?

Quem ousa fazer essa confissão suprema?

Mas as gentes dizem:

"És louco"

E a paixão que desejo suscitar no leitor geralmente parece mais débil...

É pouco provável que ela alguma
vez tenha sido arrastada à confissão pelo meu excesso...

Por uma questãoque manifesto para além de todo o arrependimento possível...

Mas só afronto este silencio obscuro com a mais severa e lúcida paixão...

Porque substimo a garantia de que uma vontade pessoal e luminosa pode substituir outra...

Não sou o deus anônimo de uma força cega ou o nada que se apodera do meu secreto querer...

Mas um homem que promete a viva flama de amor que irrompe nos desertos da noite...

Não tenho nada confessar...

Desejo como se não desejasse....

Encerro numa verdade inverificável, injustificável, cujo conhecimento rejeito com horror...

Tenho a culpa pronta e ela engana-me melhor do que ninguém...

É um veneno que por força persegue-me, escolhe-me, deseja-me...

Acolhe-me neste destino obscuro e soberano  sentimento...

Tudo o trai na sua acção, até nestas palavras desesperadas, na sublime renúncia do meu pensamento...

E o fato de ignorá-lo é essencial para as razões da noite não são as mesmas do dia...

Em um delírio em face do qual toda sabedoria, toda verdade é a própria vida...

Está além da minha felicidade, do meu sofrimento...

Então lanço-me ao instante supremo em que o prazer total é...

Inocentemente ,profundamente e abissalmente.

(André...)

sexta-feira, 15 de novembro de 2019




(E que depois não se desvanece...)

Amor?

Está claro não é assim tão simples!

Por que perder tempo em explicar incessantemente que a realidade do amor é mais complexa do que tudo aquilo que se pode dizer a respeito dele...

Se a vida é confusa...

O amor não deve necessariamente limitado...

Se por vezes amamos e caímos...

Amar outra e outra vez é a solução...

Acham mesmo?

Isso são desculpas e estilizações prejudiciais
sentido profundo do verdadeiro mito do amor...

Amor?

É como um breve instante que depois sempre aparece...

O amor é uma merda de nevoeiro que queima com a primeira luz de realidade...

Só isto e apenas isso...

Que o amor é um denso nevoeiro da manhã que eu observo todos os dias quando acordo depois do sol nascer quase a pôr-se...

E que depois não se desvanece.

(André...)




(Naquele pedaço de couro castanho, com um rebordo dourado ou então uma aparição.)

Um pobre homem,
caminhava por uma praia,
não desejava ser animado,
apenas sem responder,
na obscura esperança,
sem mesmo olhar-se,
foi sentar-se na areia,
escolhida com cuidado....

Enquanto isso,
em cima de uma rocha,
o homem respirou...

Lançou um olhar de curiosidade...

Um volume maciço encadernado,
em macio couro castanho,
marcado com rebordo dourado...

Moveu cuidadamente as páginas,
uma palavra isolada,
uma frase acima,
sete linhas abaixo,
um parágrafo ali...

Endireitou os ombros...

Animou-se...

Chegou a uma conclusão...

Que o livro não o interessava,
e deparou com a compreensão...

Rico homem aquele,
que com crescente coerência,
a leitura daquele livro,
não a recomeçou...


Naquele pedaço de couro castanho,
com um rebordo dourado ou então uma aparição.




(André...)

quinta-feira, 14 de novembro de 2019



(Na luz do farol onde o mundo acaba e recomeça...)

Esse teu cabelo solto,
em cada manhã de insónias,
quando o farol nunca se apaga...

Nesse farol ser tudo o que quisermos,
neste meu corpo que já é o teu corpo,
onde descansas de todos os teus medos...

Adivinho-te na escuridão em cada poro,
a ternura que se solta no teu suor,
na dor prazerosa que abraçamos juntos...

Onde qualquer pretérito é o nunca,
e o nunca será mais-que-perfeito,
mesmo que o coração seja imperfeito...

Imperfeição que seja uma constante,
a cortar-nos a pele em mil palavras,
só percetíveis quando nos corta a carne...

Agora dispo o moralismo que me condena, incompreensão que é tão adornada,
vontade de crescer e a vontade de viver...

Porque a luz que sinto fora de mim,
é a mesma que sentes dentro de ti,
qualquer força desfalece assim...

Talvez a luz do farol volte a acender,
e possamos navegar os oceanos,
que só existem escondidos dentro de nós...

Com essa simplicidade que espero fugir,
aos demais enganos dos normais,
por isso decidi escrever esta carta de...

Dentro de nós existe a palavra mais rara,
existe em simultâneo em todas as partes,
na luz do farol onde o mundo acaba e recomeça.

(André...)


(Num pesadelo de uma avalanche de fluídos corporais lembrei-me...)

Um pesadelo que temos tudo,
para sermos dominados,
pelos desejos ardentes...

De folhas de flores desenraízadas,
de sementes de frutos proibidos,
de paixão ardente e silenciosa...

Num raro vaso de cristal,
que criou o mais belo brilho,
abriu-se e sangrou uma fenda...

Provocado pelo chicote,
num reclamar de desejo,
encheste-me com os teus beijos...

E aí falaste-me dos teus desejos,
também dos mais obscuros,
destes tratamos no escuro...

Depois aconteceu,
sobre a mesa,
de todos ângulos...

Sim eu sei...

Fiquei um tarado,
nas tuas formas,
na submissão do teu corpo...

Sem precisar ser mandado,
apenas confortado no teu rigor,
em fluídos que rejuvenescem...

Fluídos que inundam o chão,
de outras coisas indeléveis,
dos nossos corpos...

Não quero perder-me com sentimento algum...

Só no espírito do teu corpo...

Quero apenas dizer...

Que não esperes por muito,
não me adules assim tanto,
porque sou apenas um louco animal...

Louco por ti.

(André...)

13 de Novembro de 2019

P.S. Um obrigado especial a quem me indicou a imagem, tu sabes quem és... OBRIGADO ... More than words ... And  Respect! ;)

quarta-feira, 13 de novembro de 2019





(Neste poema medíocre...)

Este poema em que o meu fado de ser quase um  poeta é condicionada por exigências sociais hipócritas...

Onde frequentemente a força dos meus sentimentos faz estalar a crosta de algumas feridas...

E então este quase poeta revela alguns traços em comum com o gosto romântico...

Esta minha aguda consciência do Eu e a perseguição de um destino incerto...

A submissão total ao Amor quase divinizado e muitas vezes oposto à razão...

Não quero esta insatisfação de sentimentos...

Querer rir sentir ser inocente esperar perguntar e corresponder...

Não quero ficar sem sonhos tão depressa...
Que não podem ser ofendidos magoados ou tocados...

Este pendor nocturno por vezes quase diurno...

Mostra-me uma reflexão em traços particulares associados ao momento que trazem as marcas de um gosto novo...

O prazer da solidão em imagens sombrias...

Negam a desconfiança em profecias que traduzem tudo num profundo egoísmo...

Uma inadaptação poética deste quase poeta ao ambiente em que vivo...

Neste poema medíocre.

(André...)

terça-feira, 12 de novembro de 2019


(A sonoridade destas palavras...)

Quais as palavras de que és feita,
bela deusa desconhecida,
desejos proibidos que evocas...

Provocas em mim um grande desejo,
palavras de uma vontade em mim,
que só uma e em todas te colocas...

Sem tempo, nem espaço de passeio,
que alheia da musa mostras o seio,
visão que afunda em calor e êxtase...

Talvez engane a mim próprio,
mas a minha suspeita dura,
iluminada, solitária, infinita...

Quero-te perfeitamente,
preciosa e incorruptível,
secretamente...

Mas peço-te permissão,
para candidatar-me um dia,
um dia conquistar-te o coração...

Entre as palavras as que escrevo,
favoritas e as que são estranhas,
as preferidas e as evitadas...

Só, assim na minha solidão,
alegra-se esta esperança,
a sonoridade destas palavras.

(André...)